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Thursday, 27 August 2009

os jardins da babilônia


Muita gente pode nem saber, mas é Burle Marx o responsável pela sensualidade de Copacabana. Não a comportamental, que fique BEM claro, mas a de suas curvas sinuosas paralelas ao mar. A idéia do formato de ondas não foi dele, veio em 1906 com os calceteiros lisboetas trazidos para construir uma rua onde antes era só areial.

Foi Pereira Passos, um engenheiro, então prefeito da capital brasileira da época, o Rio de Janeiro, o responsável pela construção da Avenida Atlântica. Essa obra, que deixou mais charmosa a cidade mais bonita do país, daria ainda cara ao bairro e à praia mais conhecidos do mundo, eternizando-os.

As pedrinhas portuguesas são símbolo carioca até hoje, embelezando e, quando mal conservadas suas calçadas, torcendo muitos pés e tornozelos por aqui. Sobre isso, uma observação: Não sei se estou completamente certa, mas na minha opinião, é por causa delas que as moças da Zona Sul usam tanto sandálias do tipo ‘rasteirinhas’.

Até meados dos anos 30, a tão glamurosa orla de Copacabana tinha em seu calçamento um mosaico com curvas perpendiculares à costa. Esse desenho, inspirado no “Grande Mar”, do Largo do Rossio, em Lisboa, foi refeito paralelo à praia após uma ressaca que danificou boa parte do piso. Mas foi nos anos 70 que ganhou mais realce, com o alargamento das pistas e da calçada, e da extensão da areia.

A versão atual, feita por Burle Marx a partir das curvas originais, tem uma estilização mais flexuosa. Ele uniformizou a orientação das ondas, ampliando seu tamanho, fazendo-as condizentes com a (agora) maior largura do calçadão e da nova faixa central. Acrescentou ainda à calcita branca e ao basalto negro, originalmente lusitanos, o basalto vermelho no vão junto aos prédios, numa concepção urbanística maestral.

Contemplei até agora somente o lado mais arquitetônico do distinto paisagista, um dos maiores do nosso século, senão o melhor. Em diversas praças, prédios e parques no Brasil e no exterior seus jardins podem ser apreciados, visitados. Em seu ‘currículo’, até nosso mais reconhecido cartão-postal, estão o paisagismo da Cidade Universitária da Universidade do Brasil (atual UFRJ), do Aeroporto de Pampulha em Belo Horizonte, do Museu de Arte Moderna do Rio, do Eixo Monumental de Brasília e do Aterro do Flamengo, do edifício sede da Petrobrás no Rio e da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

No início desse mês comemorou-se o centenário do nascimento desse exímio artista, imortalizado por suas obras, pelo colorido de seus jardins. Infelizmente os jardins de hoje, em diferentes lugares, especialmente em muitos dos países ‘desenvolvidos’, não tem tanto verde, onde prevalece o cinza do concreto. É a babilônia contra a sutileza e a força da natureza, defendidas por esse descendente distante de Marx – sim, ta aí mais uma coisa que muitos não deveria nem supor.

Hoje, esse poeta dos espaços, o ‘paisa-artista’ que é o (mas não tem o reconhecimento de...) Oscar Niemeyer dos jardins, está mais na moda - tanto, que até sua onda, tema de alguns de seus jardins e do mais famoso calçadão do mundo, foi suspensa, projetada na roda-gigante de Copacabana – como se vê na foto que ilustra esse texto. A cidade-babilônia fica, literalmente, a seus pés. Presto aqui minha homenagem.

*E fica minha promessa de conhecer seu sítio, em Barra de Guaratiba (aliás, uma VERGONHA eu ainda não ter ido lá numa tarde de um final de semana qualquer! Alguém se candidata a me fazer companhia nesse passeio?).

Wednesday, 26 August 2009

onipresença high tech


Você encontra um amigo que há tempos não vê, tanta coisa para contar... Esse momento em que estão juntos DEVERIA ser ótimo... Deveria? Sim, se não fosse o maldito celular!

A situação é a seguinte: vocês caminham juntos, enquanto você fala conta como está sua vida. O papo está ótimo, fluindo super bem. De repente o seu telefone toca, você pede licença e atende. É seu chefe perguntando sobre a entrega de material a um fornecedor. Passam-se alguns minutos e ‘rapidamente’ a ligação termina. Vocês retomam o assunto até que...

Infelizmente aquela ligação desencadeou a necessidade de mais duas chamadas para resolver esse probleminha que surgiu. Além de um afastamento quatro minutos na primeira, agora na segunda e na terceira você se excede e fica dezoito e doze minutos “ausente”. Ligações feitas, você pede desculpas s e então voltam à conversa.

Reparem nas expressões que usei - afastamento, ausente e voltar (à conversa). É isso mesmo, porque você SAIU dali. Poderia até estar fisicamente, mas sua alma, seus pensamentos e atenção estavam voltados ao tema discutido via qualquer operadora, com alguém que está a quilômetros de distância e você (e não mais com o infeliz amigo que esteve todos esse tempo ao seu lado).

Foram 34 minutos no mundo das idéias em um encontro de duas horas. Em mais de um quarto do tempo você só estava ali, caminhando, presencialmente. Não questiono aqui a necessidade de se usar esse recurso tão útil, nem da importância de falar com alguém do trabalho. Ponho em cheque somente a qualidade de nossa companhia em tempos tão modernos.

É estranho afirmar isso, mas boa parte de nossas vidas hoje, dividimos entre o corpo físico e o mundo das idéias – onde nosso pensamento e nossa presença de espírito estão concentrados. E nem sempre conseguimos viver intensamente, em sua totalidade o ‘aqui e agora’. Gastamos horas ao telefone, na internet, ocupados com questões distantes, além.

Lembrei agora de um dos momentos mais cruéis nessa questão toda: quando o telefone toca na hora da transa. Putz, horrível. Eu confesso que já atendi. Hoje deixaria tocando até... (aperto o ‘foda-se’!). E o parceiro, coitado, tem o direito de odiar se você se disponibilizar para “estar” em outro lugar enquanto era para estar ali, exclusivamente. Sem contar que isso broxa - seja a transa, ou a curtição de se estar com alguém que vive ocupado , em 'outro' mundo.

A tecnologia avança enlouquecidamente. Nosso comportamento muda conforme o tempo passa, seguindo o rumo das ‘coisas’. Acho somente que enquanto há consciência, que pensemos se é isso que pretendemos para nosso futuro – ficar “viajando” por aí, estando em dois ou três lugares diferentes ao mesmo tempo e não estando por inteiro em nenhum (ninguém tem esse superpoder, e nem terá).

Essa onipresença hightech me assusta e condena essa falta de apego e respeito ao presente, ao próximo.

Tuesday, 25 August 2009

retratos da ostentação


Mil coisas acontecendo e, eu, infelizmente, acabo por perder ‘cada uma’... Uma dessas, que pelo dedo de minha amiga Grazi, acabei saindo ganhando (mesmo que nos 47 prorrogados do segundo tempo), foi a “World Press Photo”. Consegui conferir a exposição que reuniu 196 imagens premiadas em 2008, registradas por fotojornalistas do mundo inteiro.

A maioria das fotos trazia alguma denúncia em sua mensagem calada, mas ‘gritante’. Eram aqueles belos instantes imortalizados, cheios de sentido, intenção, cor – quando não eram simplesmente elegantes em sua dualidade preta e branca. Sua intensidade não ameniza o desespero, a doença, a crueldade, a tristeza e o mal presentes ali naqueles retângulos.

Fatos que marcaram um ano “qualquer” - nada mais representam aquelas fotos do que isso. Pela problemática maior, algumas dessas que foram tiradas há pouco, bem poderiam ser captadas amanhã, mas a maioria não. O que as diferencia de tantas outras, e que as faz únicas e importantes, é justamente a questão do tempo, e da presença. Seu criador estava lá, e é através de seu olhar que podemos ver o que já foi e não volta mais.

Incrível que acontecimentos tão poucos inspiradores possam ter rendido tão magnífico material. Cheguei a chorar por entre as galerias. É emocionante, assim o são. Reproduzem momentos, sentimentos, situações. Informam, alertam, comunicam ao mundo o que ali mostram – muito além, na verdade. Fotojornalismo é um soco no estômago, porque diferente das pedras no sapato, são impactantes, mas não efêmeros.

Uma seqüência entre tantas outras me chamou a atenção. Eram fotos posadas, coloridas, vivas. Trazem pessoas de semblante satisfatório em acomodações que mais parecem cenários de filmes, vitrinas de lojas, casa de bonecas. E, se bem entendi a legenda, são isso mesmo – como um adereço. Aqueles lugares servem para mostrar de maneira ornamental o poder aquisitivo do modelo ali em foco.

Para compreender claramente o que estou falando - e o que estou QUERENDO dizer, faz-se necessário um ‘briefing(zinho)’ básico, um breve embasamento histórico (na exposição existe uma pequena legenda em casa foto):

Essas pessoas retratadas são romenas de origem cigana. E duas curiosidades a respeito desses povos explicam muita coisa, dão sentido ao contexto das fotografias tiradas . 1. A Romênia é um país que até há pouco tempo era comunista e que a recém entrou para a União Européia, 2. os ciganos são originalmente nômades.

Sabendo disso, não fica difícil agora perceber o porquê da valorização do lar, de sua decoração, da futilidade de se montar uma cozinha, por exemplo, só como enfeite, para mostrar aos outros que hoje se tem (o que ontem não se podia ter). Os tempos são outros e os dentes de ouro dão espaço a faqueiros e conjuntos de porcelana que jamais serão usados.

Os retratos do italiano Carlo Gianferro, para a Postcart, ficaram em primeiro lugar na categoria ‘Histórias’ da premiação. Veja as outras fotos da exposição em: http://www.worldpressphoto.org/index.php?option=com_photogallery&task=blogsection&id=19&Itemid=223&bandwidth=low

Monday, 24 August 2009

na cama com o presidente


Quando vim morar no Rio uma das coisas que mais me chamava a atenção era a possibilidade de se passar diariamente por locais que faziam parte da História do país, de conviver normalmente, em nossos cotidianos, com os fantasmas de nossa memória nacional. Um deles foi Getúlio,

Um dia, estou eu em Copacabana e, quando olho numa daquelas plaquinhas azuis de esquina, surpreendo-me ao ver “Toneleiro”. Engraçado isso - para muitos, poderia não significar nada, mas EU ESTAVA na rua onde ocorreu o famoso atentado contra Carlos Lacerda. Para mim, era novidade! Sensação diferente essa, boa mas angustiante, de poder estar onde as coisas aconteceram. Pode-se assim, de certa forma, revive-las (nem que seja em pensamento, na memória).

Visitei também o Palácio do Catete ainda em 2004, suponho. Andei por aqueles corredores até chegar ao quarto onde, na manhã do dia 24 de agosto de 1954, o então presidente do Brasil, Getúlio Dorneles Vargas, supostamente se matou. Seu suicídio nunca foi de fato provado. Esse é um daqueles mistérios que apostaria jamais ser desvendado claramente. Foi um crime de ordem maior, com interesses de Estado envolvidos, nada fácil de ser declarado.

Hoje, em mais um dia ‘daqueles’ de um agosto marcado por fatos históricos, ouvi atenta os comentários interessantes do Boechat no rádio sobre questões de honra (algo do tipo: se hoje, a postura de Getúlio inspirasse os políticos atuais, quantos restariam? – o que já daria muito “pasto pra mula rugir” em outros campos). Depois, inesperadamente, deparei-me com informações sobre uma vedete que desconhecia até então - Virgínia Lane, na época atriz do teatro de revista. E dedico a ela esse post de hoje, que me fez mudar o rumo dessa ‘prosa’ de hoje.

23 de fevereiro de 2007, 51 anos de "viuvez", e uma boa idéia... (infame essa, mas necessária, PERFEITA!) Em entrevista que concedeu a Roberto Canázio, da Rádio Globo, ela comentários sobre marchinhas de carnaval, atração exercida sobre o público pelas pernas de vedetes, ela faz uma declaração bombástica sobre a conhecida relação amorosa que manteve com Vargas:

- Eu tive paixão por esse cara.
- E você freqüentava mesmo o Palácio do Catete?
- Você quer saber de uma coisa que vou dizer pela primeira vez. É meio perigoso... Eu estava na cama com ele quando entraram e o mataram. Ele foi assassinado, meu filho! Quando ouviu o barulho de gente entrando no quarto ele ainda chamou o Gregório Fortunato e mandou que ele me jogasse pela janela.
- Você viu o assassino?- Eram quatro homens de máscaras que atiraram nele. Dois deles ainda correram para o Jardim, tiraram minha roupa, me deixaram nua em pêlo e disseram "vai, vagabunda, vai arrumar outro presidente”. Vou contar toda essa história no livro que estou escrevendo, "Sua Excelência, a vedete que viu". Sou uma testemunha viva da morte de um homem com quem não tive um casinho, não. Passei quinze anos dormindo e acordando com ele.

O nosso estadista maior, com direito a ‘culto d(e su)a personalidade’ e tudo mais, não poderia ter deixado de expandir sua grandiosidade a quem o cercou e lhe colaborou. Deu a Virgínia, o título de vedete do Brasil. Ela não perderia a oportunidade de condecora-la, e na medida do possível deixa-la à sua altura, um comandante máximo. Ela, até demorou em escrever este livro... deve estar aproveitando a 'boa maré'. O que mais tem por aí hoje no mercado editorial é gente com conteúdo para preencher (entre)linhas com fatos horizontais.

*Eu sugeriria o título deste texto, como o de seu livro. Tudo a ver com o que diz ter ocorrido, com sua posição na história política do país. Demorou, né?!

Sunday, 23 August 2009

preserve


Há cinco anos e meio não posso mais chamar Porto Alegre de lar. Mesmo assim, quando informada de que pretendiam acabar com uma de suas principais características (na minha opinião, a mais bonita e singular da cidade), me opus na hora.

Sempre vivi na zona sul da cidade. O por-do-sol sob as águas do ("rio") Guaíba, o mais belo do sul do (meu) mundo, dá as boas-vindas às noites na capital gaúcha. Sua beleza pode ser conferida a cada final de tarde nos parques que margeiam a região.

Uma crueldade tirarem isso dos cidadãos, mesmo que em parte, e oferecem esse bem-maior à especulação imobiliária, a poucos indivíduos mais abastados que poderiam pagar pela exclusividade da vista. Passariam eles a ter um espetáculo particular diário, serem donos ‘do pedaço’, da orla - como acontece normalmente nesses casos.

Como a querência sempre foi um lugar democrático (e me orgulho disso), até nesses momentos que nem deveria se discutir a possibilidade, eles vão a voto popular. Um consulta será realizada hoje em minha terra natal para dar rumo a esse impasse. Faço campanha aqui e torço pelo NÃO.

A negativa significa a impossibilidade da BM Par Empreendimentos, proprietária do terreno do antigo Estaleiro Só, uma das áreas que gerou mais polêmicas na história recente daqueles pagos, em construir prédios residenciais lá, à beira do rio. E comerciais, utopicamente, seria legal que só permitissem os intelectuais, artísticos e de entretenimento social.

A questão polarizou as discussões. De um lado os ambientalistas, preocupados com as questões de impacto ecológico e degradação dos aspectos naturais do local, de outro, os partidários, apontando a exploração da região como preocupante e carente de uma solução breve.

Sempre disse que, se fosse uma mega empresária, compraria aquilo lá e faria um centro cultural imenso, cheio de atividades bacanas que integrassem a população e mantivessem vivas as tradições gaúchas, brasileiras, platinas e latino-americanas. De repente até chamaria o Ben para me ajudar a dirigi-lo, administra-lo. Esse é o sonho de uma vida.

Bom, a sorte está lançada! Que os limites urbanísticos sejam bem definidos, com consciência. Quando eu voltar para visitas, quero poder tomar um mate quentinho sem ter uma sombra gigante e uma colossal barreira entre mim e o astro-rei, laranja, no horizonte do paralelo 30. Meu desejo é de que se preserve o que se tem de melhor, acima de tudo.

*Saudades - "Porto Alegre me faz tão sentimental..." (momento ternurinha, em que a canção de Isabela Fogaça cai muito bem)

Saturday, 22 August 2009

o verdadeiro sexo oral


Faz tempo que sexo oral deixou de ser única e exclusivamente uma chupada. Hoje em dia vai muito além do físico, passando para o mundo das idéias. O sexo, mais do que nunca, está oral mesmo - é comentado, fofocado... Está na boca do povo, literalmente.

Fala-se a respeito com naturalidade, como jamais se fez antes. Isso é importante, ajuda e enriquece a prática, pois traz para debate as experiências e, para o esclarecimento, as dúvidas. Mas será que todo mundo está se abrindo quando o assunto é sexo?

Claro que a muitas pessoas, por questões de moral e ética, ainda preferem o silêncio a trocar informações, declarando o que sentem, admitindo o que não sabem etc. Não que se deva ficar falando de nossas intimidades por aí com estranhos, mas sempre é bom ter com quem conversar a respeito.

Por trabalhar com sexo (mesmo que indiretamente), eu trato o tema com naturalidade e tenho espaço para mostrar meu ponto de vista, e dividir com meus amigos minha pouca, mas válida, experiência. Eles adoram. Acabo sempre sendo consultada por um motivo, ou outro.

Já tive (saudosos) altos papos com grandes confidentes, passando horas de mega engarrafamentos falando sobre a melhor coisa desse mundo. Tão bom quando as pessoas não te julgam e mostram que também são humanas, que tem prazer, tesão, fetiches...

Vejo com desconfiança quem nega seus desejos e julga o próximo. Sexo é bom – todo mundo faz (e quem não faz, com certeza gostaria de fazer!). Se feito com segurança e consciência, só faz bem. Que mal tem exteriorizar isso de maneira sadia e construtiva?

Não vejo problema algum e por isso incentivo o sexo oral. Pratiquem, E MUITO!

Friday, 21 August 2009

como nossos pais


Esses tempos conheci a herdeira de um império conceitual do rock brasileiro: Vivi Seixas, a filha do Raul.

Estar na sua presença, colocou-me a pensar sobre quem era aquela figura querida, com quem de cara me dei bem. Fazermos um trabalho conjunto me oportunizou maior contato, papo mais profundo e o questionamento sobre o que de nossos pais carregamos em nós.

Fiquei a mira-la e procurar o ‘maluco beleza’ naquela menina-mulher forte e amável. Irreverência e talento a moça tem de sobra, é inegável. Mas, além disso, o que ela ainda traz nela do famoso Raulzito? Nessa busca não estaria eu sendo injusta com ela, esperando demais em transferir a ela uma responsabilidade que de repente não lhe cabe?

Foi mais forte do que eu. Não fiz por mal, juro. Ela nem sonha com isso, embora não seja segredo (mas jamais perguntaria também... prefiro ficar pensando a respeito, descobrindo a resposta aos poucos). Nem é sangria desatada tal curiosidade. Foi somente um pensamento tolo, mas intenso, que me assombrou em tempos tão propícios.

Hoje faz 20 anos da morte de Raul Seixas e, em meio a uma programação rica em sua homenagem, encontro-me num momento saudosista do nosso rei do rock. Hoje volto a refletir sobre suas músicas, comportamento, estilo de vida, filosofia, obra.

Raul deixou um legado. Seus fãs são xiitas e um tanto chatos por isso até (vão de jovens idealistas a velhos carrancudos). Vivi foi transgressora em optar pela música eletrônica como ferramenta de trabalho – ela é DJ. Se seguisse pelo rock, não haveria subversão.

Ta aí! Escrevendo esse textinho, organizando os pensamentos, já consegui ver nela algumas coisas de seu pai. E eu? O que eu tenho em mim do meu, fora a fisionomia? E de minha mãe? Essa eu já sei a resposta: a garra.

E viva as novas gerações e tudo aquilo que trazem de novo! É a evolução das espécies. Não estamos fazendo nada mais do que vivendo - como nossos pais (porque afinal “tudo acaba onde começou...”).

Para relembrá-lo em grande estilo, um pedido: Vivi, toca Raul! (no seu estilo, claro). Um novo clássico!

Thursday, 20 August 2009

três é demais... e a quarta?


Sempre quis saber mais sobre o trotskismo, essa doutrina comunista de oposição ao pensamento de Stalin, baseada nas teorias do político e revolucionário Leon Trotsky.

Passei a me interessar por isso porque tais fundamentos eram defendidos e comentados pelos companheiros de acampamento, do partido, jovens como eu, mais engajados, superantenados. Em meio a debates ouvi sobre a IV Internacional, um ideal ainda perseguido, mas que infelizmente não se conseguiu alcançar após sua morte.

Em 20 de agosto de 1940, há exatos 69 anos, Trotsky morreu vítima de um atentado. O homem era forte. Nem com o violento golpe de uma picareta na cabeça, entregou-se. Mesmo ferido, segurou o carrasco até seus guarda-costas chegarem, quando então ordenou que deixassem-no vivo, a fim de descobrir o mandante do crime.

Foi uma morte anunciada. Planejou-se sua execução ao longo de quatro anos. O objetivo era acabar com qualquer ligação das gerações mais jovens com os dirigentes da Revolução Russa de 1917. A preocupação era que fosse criada, naquele momento em que o mundo se preparava para mais uma guerra mundial, uma alternativa revolucionária ao redor do velho bolchevique russo.

A partir da morte de Lenin, Trotsky lutou pela libertação do movimento operário internacional. Sua máxima era defender o marxismo e, foi justamente nesse contexto que a idéia de Revolução Permanente foi teorizada e trabalhada por ele. Manifestava sua divergia do stalinismo com relação à visão de expansionismo além fronteiras da revolução. O estadista defendia o fortalecimento interno da União Soviética.

Dedicou-se até o fim a uma luta prática e teórica contra a burocratização e a desastrosa política de dominação stalinista. Por saber que era impossível construir um socialismo limitado às fronteiras de um país economicamente atrasado como a Rússia, organizou a Oposição de Esquerda, radicalmente avessa à teoria em ascensão defendida por Stalin do “socialismo num só país”.

Trotsky deu respostas teóricas e políticas às questões de organização do partido revolucionário e construção do Estado pela classe operária. Ele não só foi um dos principais dirigentes da Revolução Russa como também organizou e protegeu o Exército Vermelho da crescente burocratização do partido e do Estado soviético, que ameaçava as conquistas de sua Revolução.

Expulso do partido em 1927, foi destituído de suas funções no Estado Soviético por intervir nos processos revolucionários e construir uma alternativa à política dos partidos comunistas. Em 1928 foi deportado e no ano seguinte foi banido da URSS, quando teve sua condição de cidadão soviético cassada. Peregrinou então pelo mundo em uma longa jornada de exílios e expulsões até 1937, quando chegou finalmente ao México, onde recebeu o apoio do casal de artistas Diego Rivera e Frida Khalo.

Nesse período, a caça às bruxas trotskista se intensificou com os famosos Processos de Moscou contra dirigentes bolcheviques colaboradores de Lênin, que foram atacados, assassinados, presos ou deportados. Seu alvo maior era quem estavam junto a Trotsky. O próprio Trotsky foi condenado à morte por ser um “agente sabotador do imperialismo”. Os stalinistas queriam suprimir toda oposição genuinamente socialista contra eles.

Às vésperas da fundação da IV, o secretário de organização da nova Internacional foi assassinado, e o projeto de estatutos foi roubado. A campanha de terror só conseguiu, finalmente, liquidar com o último dos grandes dirigentes bolcheviques da Revolução de Outubro na segunda tentativa. A primeira foi em 24 de maio de 1940, liderada pelo pintor David Siqueiros.

Com o objetivo de desarticular a recém-fundada IV Internacional, Stalin queria Trotsky morto. E para isso, mesmo sob a direção de um Estado e com toda a sua influência em partidos de massas de todo o mundo, foi obrigado a recorrer a um assassinato pelas costas de um velho de 61 anos. Ramon Mercader, seu assassino, ao de sair da prisão, em 1961, voltou à URSS, onde foi condecorado com a medalha de “Herói da União Soviética”. Acreditam? Pois é...

Absurdos à parte, o stalinismo NÃO conseguiu suprimir o seu legado teórico e político. Pertencente a uma geração de revolucionários sem precedentes na História, Trotsky acreditava que a Revolução Russa era só o princípio da revolução socialista mundial. Em seus últimos anos de vida, dedicou-se a construir o que em sua própria opinião foi seu projeto mais importante: da IV Internacional.Suas obras constituem uma extraordinária contribuição para a teoria marxista, e a IV é a prova maior de sua luta em defesa do socialismo.

Hoje vemos que seu pedido final foi atendido: “Estou certo... da vitória da IV Internacional... continuem”. Ela sobreviveu e está sendo reconstruída. É o ideal, companheiros.

Wednesday, 19 August 2009

a arte de fazer as coisas acontecerem


É louvável o trabalho de produção – em qualquer esfera. Viver de fazer as coisas acontecerem, de resolver pepinos e tocar o barco é ofício para poucos – os que tem estômago, sagacidade e disposição para tanto.

A profissão é cruel, exige força (mata-se um leão por dia!). Regra número um: tudo é culpa da produção. Se o trabalho deu certo os louros são de quem aparece – artistas, empresários etc., mas se algo der errado, quem dá as caras (a tapa)? Tchan tchan tchan TCHAN!

Um bom produtor já sabe disso e nem se estressa mais, como acontecia no início de sua carreira. Tem que saber lidar com essa eterna briga de egos. Famosos vão e vem, mas nós sempre estaremos lá, por trás de todo o circo, fazendo a máquina funcionar. Não há tempo para problemas, só para solucioná-los.

Dormir pouco, receber chamadas a qualquer momento, toda hora, não ter finais de semana, férias, folga... Trabalhar em seus momentos de lazer, mesmo sem querer, na inércia das oportunidades que surgem a todo instante, isso é de praxe. Parece que tudo flui mais fácil depois que se incorpora 'a produtora’ naturalmente.

Ontem fui a um evento de grande produção - o mais importante em sua área. Fazer os outros se divertirem da melhor forma, com todo o glamour e requinte necessários para atender a um público selecionado, exigente, não é tarefa fácil. E pude acompanhar praticamente todo seu processo, mil preocupações voltadas a cada detalhe...

Parabéns à Alice Pelegatti, Suzana e Maria Fernanda, que estão à frente da AZ, e produziram a Festa do Prêmio do Multishow, o maior da Música Brasileira. O trabalho intenso deses últimos meses valeu! - foi tudo lindo, impecável. Vocês estão sempre avant-garde e tem savoir faire de sobra (temos que ter! - e aprendemos, nem que seja na marra).

Emprenho-me para que minhas produções televisivas também sejam assim. E espero que meus projetos pessoais sigam sempre esse norte – o da perfeição. É por aí que me guio. Não importa o tamanho do sonho, a gente tem que dar um jeito de levá-lo à diante. E carrega esse fardo nos ombros, com os pés nas costas, fazendo mil coisas, tudo- ao mesmo tempo-aqui-agora.

Dá um tempinho para alguns telefonemas que a gente resolve TUDO! Adoro.

Tuesday, 18 August 2009

like a princess



Impressionante como um pouquinho de pasta cor da pele, líquido preto e pó colorido, colocados harmoniosamente e com precisão em nossa face nos deixa mais bonitas e faz transparecer nosso melhor.

Maquiagem não é uma farsa, é um truque. Salienta o que temos de mais belo, enquanto corrige pequenas imperfeições. Em alguns casos, é bem verdade, que transforma as pessoas no que elas não são – mas isso é OUTRO tipo de maquiagem, não estética.

Aliada a um bom penteado, faz de qualquer abóbora uma Cinderela. Não vai fazer milagres, que fique bem claro, mas ajuda (E COMO!) no visual. Mais legal ainda é quando podemos fazer algo diferente, sair do comum. Ousei com um coque.

Hoje incorporei a personagem de Audrey Hepburn, no filme "Bonequinha de Luxo". Quem tornou este sonho possível foi Solluamar Lemos, maquiadora que cuida das apresentadoras dos programas que produzo e dirijo as gravações.

Com alguns grampos e presilhas, fiquei como uma princesa! Bem como eu queria, linda e elegante para uma ocasião especial. O figurino complementou o look. Acertamos em cheio (*Fui muitíssimo elogiada na noite de hoje).

Para quem quiser deixar a gata borralheira de lado e encarar sua face mais encantadora, segue o nome de minha personal beautying: 21 9207-1060 – porque se permitir uma transformação dessas, vale a pena!

Todas nós merecemos uma noite de princesa.

Monday, 17 August 2009

por trás de uma tradição


Gueixas são experts na arte da sedução. Elas se arrumam, maquiam-se, dançam, cantam, servem e adulam seus clientes. São caros e disputadíssimos seus serviços. Mas não se iludam, elas não são prostitutas, embora esse limite seja bastante tênue e de difícil compreensão na nossa cultura ocidental.

Uma coisa é fato: elas não trabalham diretamente com sexo. O governo do Japão lhes deu somente permissão para trabalharem como artistas. E como o proibido é muito mais atraente, é justamente isso que atrai diversos homens nessa milenar tradição japonesa. Existe toda uma preparação para uma mulher se tornar uma gueixa, e por isso essa condição é cercada de tanto status.

Lindas, anônimas e enigmáticas, são donas de um estilo de vida que inspirou livros e filmes, pois vivem num universo reservado, muito fechado. São um dos símbolos mais marcantes de seu país e já estiveram inclusive em melhor posição do que mulheres comuns, mas tiveram problemas na sociedade japonesa – isso antes do século 19. Não raro, meninas eram vendidas às casas de chá (hanamachi), para se tornarem maikos (aprendizes de gueixas).

Num mundo de romance, luxo e exclusividade, não muito diferente do que acontece aqui, ainda hoje, com as nossas profissionais do sexo, alguns homens ricos, chamados danna (patronos) pagavam muito dinheiro para ter a atenção pessoal de uma gueixa. Assim, elas não podiam se casar e dependiam financeiramente de seu danna para pagar suas despesas. E em alguns casos, outros homens pagavam muito dinheiro para tirar a virgindade das novas meninas (mizuaje).

A reputação dessas mulheres-artistas se elevou após a Segunda Guerra Mundial, quando leis importantes foram criadas, protegendo meninas de serem vendidas às casas de chá, ou terem suas virgindades leiloadas. Hoje, mulheres só se tornam gueixas por sua própria vontade. E essa realidade segue inacessível para a maioria dos mortais. É privilégio de poucos empresários ricos, políticos poderosos, renomados artistas e ou temidos yakuzas.

E levanto a mesma questão que fica no ar no filme de Spielberg (Memórias de uma Gueixa): pode uma gueixa amar? E as prostitutas? – com elas, é diferente? Seriam essas profissões um tanto ‘perpétuas’, que aprisionam as mulheres e as deixam fadadas ao mesmo destino? Ficam aí minhas dúvidas quanto a essas profissionais da sedução, que nunca podem discordar dos homens, falar de assuntos que os perturbem e vivem para agrada-los, e não a si mesmas.

Sunday, 16 August 2009

diariamente


Ontem vi um filme sobre gangues norte-americanas, Escritores da Liberdade. No princípio me pareceu mais um daqueles típicos ‘sessão da tarde’, até que me interessei pelo roteiro, quando esse começou a me apresentar o esforço de uma professora em educar seus alunos dentro de um sistema discriminatório, injusto e totalmente inadequado às condições daqueles jovens.

O método com que aquela guerreira passou a ensinar, transmitindo ideais de respeito, igualdade, prosperidade me surpreenderam e chamaram a atenção. Ela utilizou-se de co-relações históricas, fazendo links entre a realidade das ruas dos Estados Unidos com outras gangues, minorias e grupos étnicos sobreviventes de um passado cruel.

A leitura do best-seller O Diário de Anne Frank (que pasmem: não li ainda, apesar de conhecer seu conteúdo. Mas agora vou... me pilhei!) foi uma excelente alternativa, ao meu ver, para aproxima-los de seu objetivo que era faze-los escrever diariamente sobre seus cotidianos. Esse é um exercício difícil, que requer envolvimento, dedicação e inspiração – eu que sei!

Anne Frank foi uma menina judia que viveu por 25 meses escondida com sua família e mais quatro pessoas num anexo secreto em cima do escritório do pai dela. Tentando escapar do Holocausto da II Guerra Mundial, ela escrevia diariamente sobre como se sentia, o que pensava e fazia. Kitty e, depois, Peter foram seus únicos amigos ali, durante esse período silencioso e de muito medo.

O final do livro todos já sabem, e o do filme não é imprevisível. A professora consegue convencer a escola de que é possível melhorar aquele sistema educacional, os alunos de fato passam a aprender e a se interessar mais pela escola. Com a morte de Anne e a separação da professora, fica evidente que sempre existe um preço a ser pago.

Fiquei pensando em qual é (ou será) o meu por meu trabalho diário, pelo mugir da mula...

Saturday, 15 August 2009

paz amor e um pouquinho de sacanagem


Exatamente numa sexta-feira, há 40 anos, iniciava o maior festival de rock de todos os tempos: Woodstock. A Era de Aquário foi lançada lá, num clima de amistoso caos, quando mais de meio milhão de pessoas assistiu a 32 dos maiores sucessos musicais da época. O objetivo não era só ver os shows, mas também declarar a busca de igualdade, o amor ao próximo e a rejeição à guerra do Vietnã. Foram três dias de muita paz, amor e um pouquinho de sacanagem.

Na verdade sabe-se que nem tudo foi um mar de rosas. Cerca de um milhão de pessoas tentou chegar à fazenda de Max Yasgur em Woodstock, perto da localidade nova-iorquina de Bethel, mas a metade foi impossibilitada por um engarrafamento monstro. A principal rodovia vinda de Nova York foi fechada quilômetros antes, o que requeria abandono dos carros e uma longa caminhada até o local. Lá pelas tantas, os organizadores abriram mão dos 18 dólares cobrados e decretaram entrada gratuita.

Foram dez meses de planejamento, embora se tenha a impressão de que uma porção de gente apareceu para ver algumas bandas que estavam ‘na área’. Como em toda grande produção que supera – e MUITO- o público (estavam sendo aguardadas “só” 200 mil pessoas para o evento), houve problemas logísticos graves com os serviços sanitários e de alimentação. Woodstock tornou-se um ‘concerto livre’. Era tanta gente que mal se conseguia ouvir os músicos. Para piorar, choveu. O pasto virou lodo.

Mas esses problemas não foram suficientes para interferir no espírito pacifista e transgressor do movimento hippie que mostrou sua face (literalmente nua) por lá. A força da flor foi plantada no coração de um Estados Unidos dividido. O momento era de irritação, divergência entre gerações e protestos pela Guerra do Vietnã. Infelizmente estiveram ausentes o pessoal que estava servindo às forças armadas, negros e outras minorias raciais - jovens forçados a colher alface na Califórnia ou a trabalhar nas fábricas têxteis do sul rural do país.

Mesmo assim Woodstock é um mito. “Foi a realização de um sonho", como disse Michael Lang, seu organizador. Se hoje a nostalgia pelo festival soa comercial, com a intenção de a cada final de década se realizar mais algumas mega comemorações com resultados violentos, lamentavelmente é porque pouco restou de sua filosofia. Vou muito além e penso logo em recuperar e fazer ecoar os ideais que estiveram presentes na sua origem. Lembro-me dos acampamentos da juventude do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, onde vi que um Outro Mundo SERIA possível se houvesse forte, séria e intensa mobilização. Eu sei, estive lá.

Hoje, as críticas à nova e atual juventude são ácidas. Alegam que os valores antes engendrados nas manifestações culturais de ontem foram perdidos com o avanço do capital e da tecnologia (internet), que alterou seus valores. Os jovens agora estão mais indiferentes e sem compenetração humana, sem comunicação e contato pessoal. Até essência hippie soa datada, uma vez que a própria palavra remete mais ao subemprego do que à vida alternativa. E, ironicamente, o ritmo que há quarenta anos era taxado de ‘contracultura’, transformou-se em música popular mais cult, apreciada tanto por jovens quanto pelos adultos mais velhos.

Eram sonoras as bombas jogadas sob o campo colorido de LSD, maconha, batas e cabelos da juventude de Woodstock, que apontou o amor livre como saída viável ao colapso nervoso de uma América prepotente e belicista. Se o sonho acabou, pelo menos uma geração pode se orgulhar de dizer que, há 40 anos, sonhou (ou será que ainda sonha? Afinal, estudos comprovam que esses filhos do baby-boom continuam se drogando enquanto envelhecem, e que, devido aos estimulantes, ainda tem uma vida sexual ativíssima).

Sexo, drogas e rock n' roll seguem com tudo. Uhu!

Friday, 14 August 2009

o máximo


Infelizes são as mulheres que nunca tiveram orgasmos múltiplos. Esse é o máximo do prazer físico (?) que podemos ter, e o qual um homem nunca experimentará em toda a sua vida.

Ninguém disse que é fácil chegar ao topo. Muitas de nós, inclusive, não gozam nem uma vez ao menos em suas transas... quiçá duas ou três consecutivas! Mas com treino, auto-conhecimento, relaxamento e determinação, além de um bom parceiro, TUDO é possível.

Confesso que não sou uma ‘sexmachine’ como muitos poderiam supor (em função de meu knowhow sexual devido a meu ofício) e portanto, como a maioria das mulheres, demorei para me deliciar com essa dádiva. Mas estou me aperfeiçoando cada vez mais e acredito que a prática e a confiança me proporcionam mais facilidade hoje.

Conhecendo-me mais e com a devida (s)experiência, debutei no assunto e agora posso dizer que sei o que é felicidade, o que é prazer sem fim. Sinto o quanto vicia tal sensação e me questiono se é algo exclusivamente do corpo (e por isso a interrogação anterior), já que me parece algo que necessite de um envolvimento maior, mental e até com sentimentos envolvidos. Não há regras. Acontece...

Uma coisa é fato: quanto mais sensações sentirmos ao mesmo tempo, e mais excitadas estivermos, melhor! – vale tudo: beijos, toque, língua, dedos, palavras ao pé do ouvido, pênis, vagina, anus, ritmo, sintonia, satisfação. Somos um painel de controle um tanto complexo (sábio é aquele que se torna um especialista, aperfeiçondo-se em manuseá-lo, com delicadeza, vontade, tesão e respeito).

Deixo registrado com todas as letras que orgasmos múltiplos são O M-Á-X-I-M-O!

Thursday, 13 August 2009

o protocolo da felicidade


Mal cheguei (atrasada, 'para variar') na conversação de inglês e já me entubam a pergunta: “Do you believe in marriage?” Putz, calma. São muitos os fatores que cercam essa questão. Depois, veio outra bomba: “ How choose the right person to get married to?”. Piorou. Na aula, mal falei sobre o que realmente penso, e o que coloquei já chocou metade da turma.

Depois, em casa, liguei a tevê e começou um filme sobre uma mulher apaixonada pelo chefe, alucinada por casamentos e tal. De novo o tema me fazendo pensar a respeito. Chorei lá pelas tantas (manteiga derretida, né?! – ascendente em câncer... É foda!). Certas circunstâncias do enredo me tocaram e pensei em escrever sobre isso.

Vou abordar aqui alguns quês importantes dessa instituição para mim, uns sobre os quais nem consegui versar em outra língua devido a sua complexidade, e também falta de intimidade com aquelas pessoas, admito. Vou ordenar conforme for lembrando dos argumentos, mas sem me preocupar com sua maior ou menor relevância no meu contexto – diga-se de passagem.

Família – Constituir uma família é bacana. Esse é um dos motivos do casamento. E acredito que, levando-se em consideração isso, a religião desempenhou papel fundamental no sacramento e na organização da sociedade. Já imaginaram quantos filhos sem pai teriam por aí se não fosse a ‘obrigatoriedade’ de casar no caso de engravidar a moça?! Pois é. No passado isso ainda colava, mas hoje é um oba-oba sem fim. E existem milhões de filhos de *estrelinhas* Brasil afora.

Desgarrar – Quem casa quer casa (já dizia nossos avós). Sair da casa dos pais é tarefa árdua para muitos indivíduos e o casamento serve de pretexto para que esse passo seja dado, acreditam nisso?! Dizem por aí que isso ainda acontece. As oportunidades estão aí – sejam profissionais, de estudo etc. Na verdade, prefiro pensar que o propósito maior não seja esse e sim o amor (mas isso é OUTRO tópico já).

Amor – Eu acredito. Não incondicionalmente, porque sou uma romântica calejada pelos tropeços que já dei na vida, mas confesso que ainda assim confio nesse sentimento, nesse sentido, razão etc. Não consigo imaginar alguém sendo feliz sozinho até o fim dos dias. É inconcebível para mim. Durante um tempo, ok, mas é tão bom ter com quem dividir as alegrias e as tristezas, as contas, o cobertor. Não entendo como alguém com idade e condições suficientes não arrisca e experimenta viver com quem ama. Tudo bem que a rotina e o cotidiano desgastam qualquer relação, mas há fases e fases. Nem tudo são rosas, mas o amor mostra sua intensidade e veracidade justamente nesses momentos. Penso num casamento ‘aberto’ ser o ideal (como? - cada um morando na SUA casa, mas dormindo juntos SEMPRE – ou QUASE SEMPRE, mas sem traição - ao meu ver).

Filhos – Essa é uma questão delicada - para a mulher, pelo menos. Temos ‘prazo‘ para isso. Não podemos ficar num eterno casa-descasa, namora-não casa. Claro que temos a opção de termos filhos sozinhas, sem a presença constante de um pai, mas não vejo isso como bom para nenhum dos lados. Pensão não dá carinho nem afeto à criança. E afirmo isso mesmo sendo eu crédula na eficácia desse sistema quanto ao cumprimento das responsabilidades (financeiras – deixo bem claro) paternas, nos casos perdidos, ausentes, insensíveis. Sou filha desse sistema e só pude concluir minha faculdade, por exemplo, devido a esse auxílio extra. Não seria mais fácil se os casais levassem isso REALMENTE a sério, considerando a criação de seus filhos?! Com certeza seria melhor se brincassem menos de casinha, tendo maior tolerância com as diferenças e mais calma nos períodos ruins. Os cidadãos de amanhã agradeceriam muito. De verdade. Não vejo, no entanto, a obrigação do casamento como solução no caso de uma gravidez indesejada. Não é isso. Aliás, sou radical e daria fim à situação, pelo bem de todos. Não enxergo futuro num enlace nessas circunstâncias. Golpe da barriga não cola também, só cai quem quer. A glória seria se todos usassem camisinha, não é?! E encerro o tópico aqui.

Solidão – Nossa, foi dito isso por alguém... Medo de ficar para titia, encalhar? Esse fantasma assombra mais as mulheres. Mas se há em todos um receio de envelhecer e ficar sozinho? E COMO! É bem certo que a maturidade (socialmente e contemporaneamente falando) cai melhor aos homens e isso vale mais justamente para quem já atingiu certa faixa etária, e por infelicidade não encontrou, desencontrou ou perdeu seu ‘certo alguém’. Acontece. Em meio a isso tudo ainda há diversas almas soltas por aí que não se bastam e só vêem no outro a possibilidade de serem felizes. Ou seja, não conseguem conviver consigo mesmas e precisam do outro ao seu lado para se completarem. Quando isso acontece, só torço para que esses seres não sejam tão imediatistas a ponto de, sem critérios, pegarem qualquer um por aí, achando que este é a última bolacha do pacote. Também não é para tanto! – em meio à crise no mercado, ainda é possível dar uma selecionada nos pretendentes. Só não pode ser MUITO exigente, porque se não, acaba-se sozinho MESMO. Para ser sincera, não vejo como saudável esse grau de carência, mas cada um na sua. Tem louco pra tudo.

Celebridades – Esses vivem num mundo à parte quanto ao casamento. Casam e descasam com a maior facilidade. Alguns por conveniência ou marketing, outros por questões morais – afinal, é feio para um artista consagrado (que tem zilhões de pessoas dando em cima, afim, humilhando-se e pagando pra levar) ficar pegando geral por aí, descaradamente. O público age com hipocrisia suficiente para apontar e discriminar aqueles cujo comportamento não condiga com os padrões ‘éticos’ impostos por sua sociedade. Não que ninguém rejeite a idéia de um harém, mas viver essa realidade é bem diferente. É mais fácil casar, fazer a coisa certinha, como manda o protocolo, e depois se separar e partir para outra. Essa conduta não ferra ninguém, mas a fama pega, ah, se pega...

O outro – Peça elementar em qualquer relação. E como este deve ser para que possa viver contigo, em princípio, o resto da vida? Sincero, companheiro, gentil, fiel (no sentido mais amplo da palavra, ou seria leal?), admirável, carinhoso, batalhador, honesto, bom de cama (não sei por que causa alvoroço tal revelação! Gente, é para valer, para se viver junto, em harmonia, e eu acho IMPORTANTÍSSIMO SIM que a transa seja boa entre as partes – assim como o beijo). Se a pessoa vai ser ‘o pai dos meus filhos’, já é OUTRA história. Não nego: gostaria que fosse. Bom se essa história fosse vivida em partes, curtindo cada etapa... primeiro o namoro, o casamento, depois os filhos e por fim os herdeiros disso tudo – netos, bisnetos etc. Quero muito ser vó (mas antes preciso ser mãe e antes de tudo ainda preciso arranjar alguém que cuide de mim). Acho essencial para o casal que, antes dos filhos, o casamento seja curtido – viagens, festas, casa, amigos, liberdade, sonhos. Depois, a realidade. Se eu pudesse escolher, optaria por alguém que me ame mais do que eu a ele, uma pessoa que me ligue e que ligue para mim (verbos distintos em seu significado), que me respeite como a mulher que sou, que estiveja disposto a tentar comigo uma vida, e não um conto de fadas. Convicção para mim é fundamental.

Divórcio – Hoje, infelizmente, já não são mais feitos casamentos como os de antigamente. Já se casa pensando-se no fim. Existem vários tipos de ‘contratos’, ou melhor, acordos pré-nupciais estipulando como será quando romperem. Já se antecipa a tragédia. Entendo que em muitos casos seja REALMENTE necessário, porque os golpistas estão aí de plantão esperando darem bobeira, mas isso atinge finíssima fatia da população. Os amantes estão mais desacreditados no amor e intolerantes. Já falei sobre isso, mas repito. Seria ideal se as pessoas confiassem mais em seus sentimentos e nos outros, e investissem mais em suas relações, dando o melhor de si a elas, ao outro, a si mesmas.

Oficialização – Essa é a parte boa. Quem nunca pensou em poder comemorar devidamente uma união feliz e estável? Não tem coisa melhor que poder fazer isso dando à pessoa que está do seu lado todos os direitos que a ela cabem como sua companheira. Junto, vem os deveres, claro, mas eles estão no pacote. Fazer uma cerimônia justa, dar uma festa de arromba anima qualquer um. As mulheres, então, ADORAM essa possibilidade. Alguns apaixonados (na maioria apaixonadAs) preferem ainda trocar seu sobrenome e assumir o nome do cônjuge como seu. Não acho isso errado, mas complicado em termos burocráticos – aliás, digam-me o que não é enrolado nesse país! Não sonho com isso para mim, mas acho bonito, digno e pensando bem viveria isso numa boa - já passei por um noivado formal e encararia outra vez toda formalidade, protocolo. É um rito de passagem como tantos outros que já vivemos, ou nos quais ainda vamos (nos) presenciar. Acho válido aproveitar isso se possível. Para mim nada mais é que uma prova de amor como qualquer outra, é um investimento a mais que se faz na relação a dois. Tem festa de tudo o que é valor, cerimônias diversas para gostos e bolsos diferentes. Aqui junto vem toda o "circo" de vestido, buquê, bufê, alianças, lista de presentes, de convidados, aluguel de salão, equipe de foto e filmagem, igreja. carro para arrastar muitas latinhas por aí, e também a lua-de-mel... (ah, a lua-de-mel... !) Que bom se todos pudessem viajar para Fernando de Noronha, Bali, Veneza ou Paris. Ficaríamos todos mais satisfeitos ao dizer o ‘sim’, e ter em algum lugar espetacular como esses que citei, os primeiros dias do resto de nossas vidas. Esse é um sonho que pode ser vivido.

É óbvio: questiono-me sempre se isso se faz necessário em nossas vidas. Não sei, só acho que, como tudo, merece ser vivido sem culpas, com vontade (se assim o for), intensamente, honestamente. O protocolo permite hoje arrependimentos, a volta atrás, novas chances. Que sejam felizes para sempre, então - na eternidade que durar a felicidade. Sarava, Vinícius!

Wednesday, 12 August 2009

nem vem que não tem!


Ontem tive o privilégio de prestigiar uma noite de muito swing e simpatia. Era um show de homenagem a Wilson Simonal, com a gravação de um DVD. Essas apresentações são sempre um tanto cansativas em função de repetições e tal, mas dessa vez gostei da logística com que fluiu: tocavam duas vezes, uma seguida da outra. Rolou naturalmente o bis de cada canção, como um replay.

Músicas ótimas, convidados excelentes, mestres de cerimônia herdeiros de um talento infinito, de um approach ideal - Simoninha e Max de Castro, amigos na pista, gente bonita dançando... foi perfeito! Simonal enriqueceu muito nossa música com seu ritmo, sua batida envolventes. Emociono-me ao ouvir Sá Marina e me recordo da infância com Meu Limão Meu Limoeiro. Isso, sem citar os hits que me embalam na pista desde a adolescência.

Dúvidas políticas e sociais à parte, sua maestria como artista é incontestável. Caso seja realmente inocente, sua acusação de delator nos tempos da ditadura militar brasileira foi um crime irreparável, que gerou um ostracismo, como nunca antes cometido com um artista - cidadão e homem. Alguém se lembra que Simonal, no auge de sua carreira nos anos 60, igualava-se a Roberto Carlos? Pois é, não era à toa. E tudo foi perdido, menos sua lembrança, seu legado.

Ainda não assisti ao documentário de Micael Langer “Simonal – Ninguém sabe o duro que eu dei”, mas quero MUITO. Tudo a respeito, sobre esse período, interessa-me, instiga-me. Comentarei mais a respeito quando conferir. Por hora, deixo aqui minha impressão de que vivi aquela época, que estava às ruas, nos festivais, teatros, universidade, clandestinidade talvez. O tesouro cultural da época brota, mas também bate de frente justamente com sua fase histórica.

Muito pano pra manga... (em breve, aqui, mais sobre o caso). Meus sinceros cumprimentos, de qualquer modo, às duas iniciativas. Então, merecidamente, vamos voltar à pilantragem:

Nem Vem Que Não Tem!
Nem vem de escada
Que o incêndio é no porão
Tira o tamanco
Tem sinteco no chão
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!
Nem Vem...
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...

Tuesday, 11 August 2009

fidelidade


Demorei a assistir O Jardineiro Fiel, mas me apaixonei! O filme, baseado no livro do inglês John Le Carré, é do jeito que eu gosto: calmo, dramático, político e romântico.

Um conto de fadas seria a vida de Tessa Quayle, se ela abandonasse seus ideais, e não fosse uma ativista. A esposa do diplomata do governo britânico Justin Quayle, interpretado pelo elegante Ralph Fiennes, inicia uma investigação sobre uma indústria farmacêutica que estaria fazendo testes em humanos para provar a validade de uma nova droga contra a tuberculose.

Num país já assolado pela Aids e também pela corrupção do governo local, a determinação da moça e de seu amigo-médico Arnold Bluhm pelas causas humanitárias passa a incomodar e a ameaçar os ricos e poderosos envolvidos com a KDH, o grupo ‘Três Abelhas’, o laboratório do remédio Dipraxa, as autoridades Quenianas e também o alto comissariado britânico. A militante e seu cúmplice são brutalmente assassinados.

O diretor Fernando Meirelles estréia em Hollywood com o pé direito. De maneira leve, o roteiro evidencia um problema real existente naquele continente paupérrimo, faminto. Lindas imagens mostram um contexto triste, como nos ensaios de Sebastião Salgado. A fotografia é do uruguaio César Charlone.

A história serve de denúncia e chama a atenção para esses programas humanitários que fazem dos povos de continentes pobres verdadeiras cobaias para testes de medicamentos de grandes laboratórios europeus. Infelizmente fica claro que as questões financeiras acabam com qualquer caráter abalável, mas não com verdadeiros casos de amor - esse é o lado bom (e é nisso que acredito).

Uma obra-prima. E salve a fidelidade!

Monday, 10 August 2009

primavera-verão


Foi aberta ontem uma nova temporada.

Não há coisa melhor que pegar um solzinho e dar um mergulho no mar quando há tempos não se faz isso. Tira-se o mofo, pegar solzinho e por tabela uma cor, é bom para reenergizar... O corpo e a mente agradecem.

A praia tem um social também. Ponto de encontro de amigos, motivo para se esbaldar de tanto tomar chimarrão, conversar, ver gente bonita. Importante se inspirar desde já para as estações quentes, pensar em cuidar do corpitcho daqui pra frente (e sempre).

Não foi o caso dessa vez, mas amo dormir na praia, embaixo da barraca (leia-se guarda-sol). Fico ouvindo a voz das pessoas ao longe, não interessada no papo delas, mas no ‘movimento’ que vai me acalmando, acalmando... e só o óculos de sol nos salva nessas horas (salve, salve). Acordo toda errada, é bem verdade, que nem um kibe, mas nem aí. Adoro!

Vou ver se passo a ir à praia de manhã, em dias de semana mesmo, cedinho, de bicicleta quem sabe no cantinho do Leme - que é mais pertinho. De repente até rola um voleizinho básico. Só bem vai me fazer bem.

Agora nem tanto mais, mas ainda quando entro no mar no inverno, como agora, fico pensando que é uma época super atípica, que tá um frio de rachar em Porto Alegre, e que somos muito sortudos mesmo por morar numa cidade maravilhosa! Tem que aproveitar, não deixar de curtir, relaxar e ficar em casa. No "carioca's way of life" o lance é sair de casa.

No clima, tirei 'do armário' ontem os apetrechos básicos: biquini, sandálias (leia-se chinelos), canga, protetor de sol, bolsão, térmica, creme para o cabelo.... Coisa boa! Foi dada a largada. Partiu.

Sunday, 9 August 2009

como se não bastasse...


Não basta ser pai, tem que participar.

Um dia, assistindo a um programa feminista da tevê, em dado momento as âncoras se questionaram sobre qual a primeira coisa que fariam se fossem homens. Eu pensei, pensei e pensei cá com os meus botões e cheguei à conclusão que eu iria... (tchan tchan tchan... TCHAN!) entender como podem pais abandonar seus filhos, ignorando sua existência.

A resposta poderia ser bem mais fácil, como por exemplo fazer xixi em pé ou ser chupado e gozar na boca de uma mulher (o que deve ser ótimo! - e possivelmente seria a segunda coisa a fazer no meu estado masculino), mas preferi ser menos rasa e também egoísta em meu objetivo. Essa questão é fato intrigante, habita meus pensamentos, minha vida, e já foi comentada diversas vezes em mesas de bar e papinhos filosóficos sobre a essência do homem.

Esse comportamento é masculino. Até acontece com espécimes fêmeas, mas é infinitamente maior o número de indivíduos homens que agem assim. Como conseguem? Meu pai não fez isso comigo, felizmente, mas só na minha geração de pais existem pelo menos uns dois ou três covardes. Desapareceram, depois de saíram um belo dia para comprar cigarros. Nunca mais voltaram para casa, deixando para trás um lar, esposa e filhos.

Como podem simplesmente bater a porta e esquecer uma vida inteira? Esposa e lar eu até entendo o desgaste do amor e o desapego, enfim. Mas e os filhos, aquelas criaturinhas inocentes, dependentes deles também? Acho estranho, apagar da memória momentos vividos, alegrias inclusive... NINGUÉM é infeliz por completo sempre. Será que não pensam em ligar somente para dizer um 'oi' ao filho, um 'feliz aniversário’, natal, ano novo...

Tenho uma teoria para isso - pessoal e empírica:

Os homens só amam seus filhos se as mães deles foram significativas em suas vidas. Se eles amaram-nas de verdade, serão fiéis e leais aos seus laços paternos.

Conheci grandes pais nessa vida e pude constatar que todos eles foram muito ligados às parideiras de suas crias. Esses são aqueles que abraçam a causa mesmo – trocam, dão banho, levam para escola, colocam para dormir, fazem e dão comida, lêem, levam no parque, à praia, ao circo e zoológico. Claro que deve ter exceções a esse pensamento meu, mas pelo que vejo, confesso que suponho esse índice ser baixo.

Não é um caso de se por alguma culpa, de se apontar o responsável por esse tipo de atitude infeliz e covarde, mas sim de repara-la. Nunca é tarde. Claro que o tempo passado é perdido, mas se existe futuro, tem-se uma possibilidade. Agarro-me a isso toda vez que vejo que não agi da melhor forma. E aceito que a outra parte atingida não me perdoe, mas acredito que só pelo fato de se tentar reparar os erros, já é grande avanço para todos, mesmo para quem não o aceita. Não custa nada tentar, ao menos.

Digo isso ao meu pai. O amo, incondicionalmente, mesmo com todos desacertos, contratempos – comigo e meus irmãos. Acho que aprendemos todos os dias, com todo mundo e com nós mesmos. Espero que ele siga assim, surpreendendo-se com as oportunidades que a vida nos oferece. São únicas e merecem atenção. Nada será como poderia ter sido, será como tem que ser. Há tempo para reparos e para um amanhã de mais união e de família reunida.

Hoje, no SEU dia, não pude estar por perto, abraça-lo, ou presenteá-lo, mas o homenageio com este texto. E, lamento por aqueles que preferiram a solidão, ou somente trocar de família esquecendo que havia outros ‘alguéns’ que os amavam e esperavam por eles. Lamento mesmo. Esses são infelizes por esta perda pessoal, essa incapacidade de ser amado e de dar amor por quem se é responsável.

Saturday, 8 August 2009

na torcida


Lamento por outros esportes não serem valorizados como o futebol é neste país. Acho injusto considerando que temos tantos talentos, mas se investe tão pouco neles. Poderíamos ser o país do vôlei (e já somos – desde a era Marcelo Negrão, Maurício, Tande, Giovane), da natação, judô, atletismo...

Semana passada César Cielo levou o ouro nos 100 metros livres no Mundial de Esportes Aquáticos, em Roma, quebrando o recorde com seus 46s91. Ele também foi o melhor nos 50m, fazendo o melhor tempo da prova - 21s21. Final de julho foi a vez de nossa seleção masculina de vôlei se consagrar como a maior vencedora da história da Liga Mundial com oito conquistas, ao lado da Itália. A equipe comandada pelo técnico Bernardinho derrotou a Sérvia, em casa, e levou a melhor

Nosso vôlei feminino, também merece reconhecimento, com seu favoritismo para o Grand Prix deste ano, no Japão. A turma, hoje sob os cuidados do técnico José Roberto Guimarães, já ganhou sete vezes esse campeonato. Será que seremos octa campeãs? Merecemos. Tem também o Mundial de Atletismo na Alemanha que começa em meados deste mês, e temos chances de medalha. Tô na torcida!

*E também pela recuperação de Felipe Massa, que infelizmente foi atingido no capacete por uma mola que se soltou da suspensão traseira do Brawn GP de Rubens Barrichello. O piloto brasileiro está bem e espero que volte logo às pistas!

Enfim, torço por mudanças, por melhoras. Sou brasileira, não desisto nunca ('péssimo' esse slogan, mas pegou!).

Friday, 7 August 2009

tits


Gosto dos meus peitos. Sempre gostei. Passei muito tempo sem usar sutiã, em outro momento usei obrigada e hoje aproveito para explorar esse novo acessório para seduzir e ousar, como poucas vezes fiz. Sou novata nessa arte, e estou adorando tantas possibilidades, lingeries maravilhosas, conjuntos 'pra que te quero'!

Já tive piercings nos mamilos. Passei um pouco mais de três anos sendo olhada não nos meus olhos, mas logo abaixo, onde apareciam não duas, mas quatro "bolinhas". Miravam-me eriçados, cochichando, analisando, perguntando-se “será que é?”. Sim, eram. Tirei porque me machucaram e havia perdido um pouco da sensibilidade natural da região, mas também porque amava, não a mim mesma.

Já pensei sim em colocar silicone, mas não agora. Quero colocar quando tiver filhos e os peitos caírem, naturalmente. Mas sem exageros: uma garrafinha de vidro de coca-cola em cada um já está ótimo, ou quase isso... menos até. É só para dar uma levantada, uma moral (na auto-estima). Nada demais, tudo de bom. Mas nem me imagino com, sinceramente não sei se serei mais feliz e satisfeita do com os meus naturais que tenho hoje, pequenos, mas ideais.

Hoje tudo voltou ao normal (lambidas e carícias provocam um bom efeito e) me amo tanto que me presenteei com mais peitos. Comprei alguns artigos nesse formato para mim. Já tenho alguns de bilau, mas não sei porque desta vez preferi outros mais femininos, mais macios. Não tenho fissura por peito de mulher, prefiro um "tapetinho" masculino, inclusive (ler a respeito em breve, num próximo post). Foi apenas oportunidade.

Nem me liguei nisso na hora, mas é uma pena não serem em formato de tacinha de champagne como os meus, como eram os de minha irmã, e estão eternizados os da Radical Chic – os mais bonitos de todos por aí, na minha opinião. Independente disso, estou cheia de tits agora! Eba.

Thursday, 6 August 2009

anti-rosa


Serão necessários 75 anos, de 1945 a 2020, para que o mundo esteja livre das armas nucleares? – essa é a proposta da organização Prefeitos pela Paz, presidida por Tadatoshi Akiba, atualmente à frente de Hiroshima, que há exatos 64 anos foi atingida pela primeira vez na História por uma bomba dessa potência, mortal. E quantas mortes foram necessárias até hoje para que se tenha certeza dos malefícios desses recursos?

Com certeza nem as 80 mil vítimas instantâneas, nem as mais de 188 mil que sucederam devido à radiação, aumentando drasricamente o número total, foram suficientes para que um basta fosse dado sobre o problema. E se formos esperar ainda pelo fim das mais de 235.500 vidas supérstites, que se mantem sob seqüelas incuráveis daquele fim de Guerra (ou seria melhor dizer início de outra - da Guerra Fria?)? Serão mais de meio milhão de almas perdidas numa única tomada de decisão, num apertar de botão.

Chega de culpar o general-brigadeiro Paul Warfield Tibbets Jr., comandante e piloto do bombardeiro B-29 Enola Gay, que lançou a bomba contra a cidade ao sul da Terra do Sol nascente. Esse, embora tenha dito que dormiu sem dor na consciência durante os 62 anos que viveu após ter perpetuado centenas de milhares de destinos com a morte, tem o peso do título de maior executor coletivo até hoje sobre ele.

Criticam e crucificam os governantes do Irã e da Coréia do Norte, por buscarem nesse tipo de armamento, poder de destruição suficiente para amedrontar a maior potência mundial, único país a utilizar tal recurso não uma, mas duas vezes consecutivas, e contra alvos civis. Supõe-se que nem Iossif Vissarionovitch Djugashvili, mais conhecido como Josef Stálin, o bicho-papão do comunismo pós-guerra, sob o regime de Partido Único, cometeu tal atrocidade num ato só.

O tiro saiu pela culatra! Se com os ataques às cidadezinhas japonesas o objetivo era o de intimidar a União Soviética, a missão fracassou. Ao invés disso, o que ocorreu foi a maior corrida armamentista da História, e o conflito entre duas potências como consequência. Mas a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética nunca aconteceu de fato, por isso seu nome, devido ao temor instaurado por cientistas quanto aos terríveis efeitos que uma guerra nuclear causaria ao planeta.

Hoje, o Japão pede ajuda aos Estados Unidos, seu carrasco no passado, numa tentativa de se fortalecer junto a essa chamada ‘Obamaioria’ – que nada mais é do que uma junta de poderes que conta com a participação de mais de três mil cidades de 134 países, 55 delas latino-americanas. Tais informações estavam no discurso de Akiba, 64º aniversário do lançamento da primeira bomba atômica, diante de milhares de pessoas reunidas hoje no Parque Memorial da Paz de Hiroshima.

É triste tratar de um assunto tão delicado, de uma página tão cruel de nossa História. Sempre quando me lembro desse fato, impossível não vir à mente a canção de Vinícius, cantada pelo Secos e Molhados, Rosa de Hiroshima – nome dado em alusão à grande bola de fogo criada nos céus em função da explosão da bomba:

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

No final das contas sempre quem sai perdendo em qualquer guerra é a população (civil), inocente, indefesa. Os poderosos sempre se entendem, mesmo em meio aos conflitos. A escolha de Hiroshima e Nagasaki, duas cidades sem instalações militares, obedeceu ao mesmo critério intimidador de matar pessoas que fazem parte da massa. Quanto mais inocentes forem as vítimas, melhor. E assim o mundo ‘ganha’. Que mundo? Mundo de quem? Quem ganha? Ganha o quê?

Não sei MESMO. Eu sou anti-rosa.

Wednesday, 5 August 2009

nas nuvens

O que a cama de hotel tem que a nossa cama, em casa, não tem? É o colchão, os lençóis, as cobertas, os travesseiros... tudo?

Como pode ser tão mais gostoso, tão envolvente, tão macio e confortável? Uma pena estarmos sempre de passagem, na correria, com hora para acordar, não perder o café da manhã e não poder se deliciar mais e melhor nesse aconchego todo que é esse leito. Um deleite.

Deve ser boa assim por ser impessoal, além de branca e limpíssima, cheirosa. Tem a árdua missão de receber as mais diferentes pessoas, agradar a gregos e troianos, relaxar os mais tensos e estressados empresários, produtores (como eu), artistas e quem mais for passar uma ou mais noites ali, ou lá, onde for. Não é popular. Infelizmente, poucos já provaram e sabem a que me refiro, mas deveriam (pelo menos uma vez na vida poder experimentar tal sensação, tanto alívio).

Quero deixar registrado que AMO cama de hotel. É um pedacinho do céu em 'dias-cão'. É como estar nas nuvens em meio a um inferno na terra. Exageros à parte, destensiona, faz-me sonhar mais gostoso, ir longe sem sair do lugar, inconscientemente.
 

Tuesday, 4 August 2009

o bem amado


O título é de outra obra, mas é perfeito para o personagem em questão. "Ele é o queridinho de Antunes Filho" (ou algo parecido) – foi assim que eu o conheci. Fui atrás de mais informações a respeito daquele novo fenômeno da interpretação ali descrito na revista e tão elogiado em outros tantos veículos. Um tempo depois, consegui a desejada entrevista de Lee Thalor para o Zona Quente, embora nesse papel ele não se sentisse tão à vontade, e eu ainda não tivesse noção de sua intensidade no palco, e vida. A curiosidade sobre o tablado foi enfim saciada esta noite com ‘Foi Carmen’. E já bastou para eu admirar ainda mais a intérprete, o artista e seu mentor.

A fama do consagrado diretor teatral brasileiiro é de durão, rígido. Beirando os 80 anos, segue apaixonado por sua arte, e é desse sentimento que brotam seu método de improvisação e de oportunidade a novos talentos, suas exigências quanto à disciplina no trabalho dos atores e a todos os aspectos de suas montagens, e é justamente daí também que nascem desempenhos brilhantes e diferenciados de elencos imersos no universo de suas peças. Nesse contexto promissor, Lee reina absoluto como senhor daquela história e impressiona com seu gingado, olhar, poder, expressão, barangandã, borogodó.

Impossível não se apaixonar por aquele malandro bem-apessoado, um tanto carioca, de voz grave, fala mansa interidiomática, globalizada. Arrasou quando calçou em cena aquelas sandálias espalhafatosas a la Carmen Miranda (vide foto) - lembrei-me das drags que a imitam, dos fetiches crossdressers, da curiosidade infantil por sapatos infinitamente maiores que os pés de criança. Por sinal, difícil ignorar o passar do tempo contado pela menina que quer ser (como) ela. E a dança póstuma da bailarina oriental, tão ousada em movimentos sinuosos, é perfeita. Tudo instiga, singularmente.

Cada ícone, cada gesto, todos detalhes, por mais subjetivos que pareçam, são importantes para compor o complexo panorama do imaginário popular sobre o mito. A passista, o confete, os discos, o discurso incompreensível de Lee, as bananas, a citação dos anos, os souvenirs, as homenagens ao dançarino japonês Kazuo Ohno e à bailarina argentina Antonia Mercê y Luque - tudo conduz perfeitamente a narrativa quase calada, se não fosse pela trilha da cantora mais bem paga por Hollywood até hoje. Os poréns desse capítulo norte-americano em sua carreira por bem não tiveram destaque (e nem mereciam, pois por sua real intenção, para mim poderiam não ter sequer existido).

Antunes trabalha paradigmas nesse espetáculo. Ele mescla oriente e ocidente, passado e futuro, samba e butoh, silêncio e música, tradição e vanguarda. É uma bela comemoração de tantos centenários. E em meio a esse poema cult de antagonismos culturais, um tanto kitsch até, Lee mostra porque é tão bem amado, e nada efêmero. Quero mais dos três. E a voz ritmada de Carmen não me sai da cabeça: “Quando você se requebrar caia por cima de mim, caia por cima de mim, caia por cima de mim”. O que é que... tem? Obrigada Dedé pela boa cia sempre e desculpa Beto por ter sequestrado o gato. Amo vocês.

*A entrevista dele já foi ao ar no programa, mas o potencial do bom moço pode ser conferido às terças-feiras, 21h, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação - Rua Doutor Vila Nova, n. 245 - Vila Buarque, em São Paulo. Foi Carmen fica em cartaz até 12 de agosto - a confirmar. E em breve ele reestréia a peça A Falecida, de Nelson Rodrigues, também sob a direção de Antunes Filho. Bravo!

Monday, 3 August 2009

alguma coisa acontece no meu coração


As possibilidades são muitas. Milhares, milhões de pessoas cá estão à procura de... tanta coisa, batalhando sua vida. E eu também estou.

São Paulo pra mim hoje é sinônimo de trabalho, amigos e um sonho. Um sonho não realizado, inacabado, nem começado. Correria e diversão, mais e menos que gostaria, é fato.

A vida é louca, bandida. Mostra os melhores caminhos das piores formas. Sampa tem o melhor e o pior em si, nas suas ruas – do caminho para cegos ao trânsito caótico.

Alguma coisa acontece no meu coração, inegavelmente. Com certeza ele bate mais forte na esquina da Ipiranga com a Avenida São João. E assim será até... não sei quando.

Ainda em tempo: Caetano descreveu a (na época nem tanto) megalópole tão bem. Adoro sua canção, melodia, descrição. Ele tentou explicar o inexplicável - daquele jeito 'veloso', próprio, de ser.

Sunday, 2 August 2009

com que roupa...?


A clássica pergunta “Com que roupa eu vou?” cabe bem à questão do dresscode. E aqui não me refiro a um samba (para o qual seria fácil pensar um figurino básico, ideal). Para a luxúria, como você se vestiria? Este é o Projeto.

Sob o tema Arlechino, exuberantes e exóticas pessoas se inspiraram e compareceram ontem lindas e montadas à essa edição especial na Vila Madalena, saturday night. O anfitrião era o próprio personagem, coberto com muito vinil branco, taxinhas de metal e coturnos. Uma simpatia, um deslumbre.

O fetiche conduz a festa. A música embala a diversão e excita. Performances de tirar o fôlego chamam a atenção dos mais curiosos, tarados e perversos, subs e domis, switchers, crossdressers e outras figuras animadas (ou mais sombrias) em cenas quentes na pista, no bar, colorindo o salão.

“Sem limites” é o prazer permitido, contando que não haja sexo. Isso deve ser feito depois, em outro local mais adequado. Fora isso as fantasias podem tudo, mexem, atiçam a criatividade e os desejos alheios, próprios, pessoais, coletivos. São um convite ao que está por vir, ao que está por baixo, lá dentro, no fundo...

O que a sua roupa diz sobre você? Tudo. É o ingresso a esse mundo diferente, requintado, propício à satisfação, à realização de instintos, vontades, sentimentos. Ela grita, berra, geme, clama suas intenções - portanto, capriche no visual!

Nunca vá de jeans a um evento desses. Para uma noite glamourosa é extremamente inadequado. Operários usam-no em seu dia-a-dia e ninguém se difere. Inocente, cometi o pior dos pecados. Non sense. Felizmente não fui castigada, nem paguei caro por isso, mas poderia... Em outro contexto, tem gente que gosta de sofrer, e que desembolsa mais de 100 reais.

Respeite o dresscode, as diferenças e o prazer alheio. Roupa é comportamento, mesmo quando se está sem, pelado, ou só de botas. Amei. Prometo voltar, à paisana, de máscara, exteriorizando meu melhor, mistérios ocultos nessa mente e corpo cheios de vida, de idéias, libido. Oportunidade não falta mais.

Parabéns pelos três anos de sucesso. Felicidades. A proposta é ótima. O clima é intenso, rico e livre. Gostei MESMO (e ainda, por cima, eu acho que eu vi um gatinho! Inesperado.). Marcante. Um luxo! Obrigada, Heitor. Mais infos sobre o Luxúria em: www.projetoluxuria.com.br.

*O material que produzi vai ao ar entre outubro e novembro no Zona Quente do Sexy Hot, ainda sem data certa. Acredito que as
entrevistas e imagens devem ter rendido três matérias distintas, a confirmar.

Saturday, 1 August 2009

chez moi


Ter um lar é essencial. Chegar num lugar e se sentir ‘em casa’ só dá valor quem já teve e perdeu isso, não vive mais com essa sensação de segurança, de liberdade e conforto. Tem gente que não liga, é verdade, que lida sem problemas com as incertezas de não ter um abrigo, por exemplo, mas como típica “caprica” que sou, para viver feliz , PRECISO de um porto seguro .

A experiência de sair da barra da saia da mamãe é bem particular. Pra mim aconteceu tarde até. Demorei 22 anos para ter um cantinho que pudesse chamar de 'meu'. É bem certo que a evolução foi gradual, que já passei perrengues por aqui – do quartinho da empregada, dividindo apartamento com outras pessoas, morando junto (a dois) sem harmonia, a receber pouso amigo de socorro.

Hoje comemoro três anos de estabilidade, de felicidade, de um encontro comigo mesmo, de um retorno a minha essência, meu eu interior. Vejo tudo isso refletido nos meus móveis, decoração, na maneira que disponho minhas coisas no meu quadrado. Suponho que tenham a minha 'cara'. Nossa casinha diz muito sobre a gente, é preciosa.

Para harmonizar o ambiente, boa música, incensos e a presença dos verdadeiros amigos, de visitas agradáveis, próximas, do bem. Como o santuário sagrado que é, o solar exige atenção, investimento, boas energias. Nada como construir, manter, cuidar e preservar o nosso ninho. Ele é a base para que se voe alto e longe.
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passatempo

  • abrace seus amigos
  • acredite em si mesmo
  • ande mais com os pés descalços
  • antene-se
  • aplique o que você prega
  • assuma seus erros
  • beba mais água
  • beije na boca com vontade
  • conheça novas culturas
  • cuide-se com carinho
  • dance sem vergonha
  • diga mais 'sim' do que 'não'
  • durma bem
  • dê atenção às pessoas
  • entregue-se ao que ama
  • escreva cartas à mão
  • estude outras línguas
  • exerça a tolerância
  • exercite-se
  • fale e ouça mais 'obrigado'
  • faça muito amor
  • goze mais e melhor
  • leia mais livros
  • movimente-se
  • não limite seus sonhos
  • ouça musicas que te façam dançar
  • ouse
  • pense positivamente
  • permita-se
  • peça bis quando é bom
  • pratique o bem
  • prove diferentes sabores
  • renove-se
  • respeite a natureza e os mais velhos
  • reveja velhos conceitos
  • se beber, não ligue!
  • seja fiel, sincero e verdadeiro
  • siga a sua intuição
  • sinta o novo
  • sorria sempre que possível
  • subverta vez que outra
  • tenha calma
  • tire alguém para dançar
  • trabalhe com dedicação
  • use camisinha
  • vá mais ao cinema
  • viaje sempre
  • viva menos virtualmente

c'est fini!