Portuguese French Spain Italian Dutch Chinese Simplified Arabic Russian
Showing posts with label teatro. Show all posts
Showing posts with label teatro. Show all posts

Thursday, 30 August 2012

the pornographic angel

Under this nickname, the most renowned Brazilian playwright of the 20th century would turn 100 years-old on the last 23th August. However, Nelson Rodrigues doesn't age, or even is dead.

He's immortal, once he survives through all his popular chronicles, unmatched plays and shocking romance novels. Particularly, I appreciate in special way his dark side, the erotic appeal of his work (so what else is new!).

"A vida como ela é” (Life as it is), "Toda Nudez Será Castigada" (All Nudity Shall Be Punished), "Perdoa-me por me traíres" (Forgive me for Cuckolding me), "O Beijo no Asfalto" (The Asphalt Kiss), among many others, revolutionized, marking an epoch. Most part of his texts have a sinning content - for the Brazilian 40s, 50s and 60s society, and even today is a little bit heavy for some.

Famous quotes of him as "Nem todas mulheres gostam de apanhar, só as normais" (Not all women like a beating, just the normal one), scandalized. Below, other I like (always 'immoral'):

"Sem alma não se chupa nem um chicabon” (Without soul, we can not suck nor a popsicle) 

"Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém" (If everyone knew the sexual intimacy of each other, no one would greet anyone)

"A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira" (The prostitute get crazy only  exceptionally. The honest woman, yes, devoured by scruples, she is always on the edge, in the unforgiving border)

"Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo” (Nowadays, it is very difficult not to be bastard. All pressures work to our collective and personal vilification)

"O dinheiro compra até o amor verdadeiro" (Money buys even true love)

___________________________________________________________ 

My ultimate homage to him, gotten into his mood (as other I cited, it's something I believe in...):

"Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível" (Or woman is cold, or she bites. Without bite, there is no possible love).

Happy wives know that good sex is without decency. 
___________________________________________________________ 

Here, a special publication, taking occasion of the date. There, it's possible get to know his whole talent, even bigger than just this little sexual part I showed, intentionally.

Sunday, 20 March 2011

the real worth for each one


Mutual? - I used to say that the love and the others good feelings SHOULD be like that… After all, why not?

What kind of magic happens and makes us like somebody and not the person beside.  Further: Why not be interested by who likes us? - at least, it’ll be easier (for both). However, doesn’t works like that and, probably, we are going to fall in love for who doesn’t care about us…

Amsterdam (ALWAYS Amsterdam… after all, I love it!) - It was there where both friends David and Matt met Christina, a fake French prostitute. Where she could be there as a whore? Red Light District, of course. Unfortunately, I lost this part… I arrived late in theatre, owing to have been invited almost at time. I saw since the moment they already are at they room talking, smoking, knowing each other.

Inverno da Luz Vermelha, brought me this thought. With Marjorie Estiano, André Frateschi and Rafael Primot, this play presents a unfortunate love bizarre triangle. Despite of both actors being unknown (for me - I believe they are from São Paulo’s theatre), they are very good. Nevertheless, I’m not going to deny that I’ve preferred the ‘Matt’ one. She is also pretty well as this role, displaying a sculptural slim body while teasing with sensual acts.

Written by Adam Rapp, the production is easy-going due to attractive appeals such as the music and the sensuality (Marjorie sings and dance in a “private” pocket show for the guys - the masculine audience has got sweaty at this moment). Moreover, prostitution and AIDS - not only interesting (and also still existing), but popular issues gave more seriousness for the text.

Matt loves Ana (actually, this is her real name), Ana loves David, and this last simply doesn’t care. The importance of what occurred in the past for Matt is, in another tone, the same of Ana’s for his best friend. It is unexplainable the way we conduce our feelings - for one, everything; for the other, in the same time (even lived the same thing), means nothing.

Predicted (I’ve studied and written scripts, so… ), when she said she was HIV positive and the phone rung, it was not difficult to guess what would happen between Ana and David! Even though, the scene was heavy - an anal sex, never seen on TV,  with Marjorie (until now, a fragile actress, a quite paltry singer) as a protagonist.

I enjoyed it! Mainly as a consequence of abstracted loves (not reciprocal), the hybrid of intelligence and ingenuousness of Matt, his no prejudice too. Even Amsterdam being in a second plan, and the story have transferred to São Paulo’s reality - a stupid mean to became this plot closer of us. Not necessary, in my opinion.     
  
I give my regards about. It is until April, 11th Fridays and Saturdays (9 pm) and Sundays (6 pm) at Glaucio Gil Theatre - Cardeal Arco Verde, s/n - Copacabana. I don’t know prices…


respect is a good medicine for age!

(more about Amsterdam… I simply can’t avoid. It is stronger than me!)

I admit one thing that Brazil is better than Europe (at least in both countries I’ve been - Holland and France): third age people is more respect in our metro. Ok, here, many individuals simply don’t give in their place for olders to seat. However, there are laws about it - and also both special attending and places - which usually work. There, once, I offered my place for a lady and she was very surprise with my act, telling me that had never happened before [what????].  So, I was astonished because I thought that there these things happen through a different way.

Then, since I came back, I’ve wondering myself about the reasons which make them don’t give the attention necessary for this mature adults. Firstly, I believe that it is because they are a Old Continent - that means they population is constituted chiefly by old people. Thus, once they are majority, they don’t have priority. Finally, they (unfortunately) don’t  have this behaviour of offering they places to seniors.  I’m not sure, these are only speculations about it. Nevertheless, it isn’t a complete absurd according my good sense.

Tuesday, 9 November 2010

caio


Mulheres de Caio - Também sou uma, definitivamente. Já o conhecia, origens em comum, popularidade entre os meus, entre as mulheres... Ontem, hoje e sempre. É como escrevi num email: "Caio Fernando Abreu não sai de moda”.

Ele bem poderia ser o compositor daquelas músicas que ‘cabem como uma luva‘, descrevendo nossa vida, relacionamentos. De forma intensa e informal, coloca os pontos nos ‘i’s. Simples, direto.

Sou fã. Não teria como ser diferente, tendo ele esses pensamentos, deixado seu vasto legado, suas verdades que me vestem, sendo ele assim... tão meu (e dos outros - muitos amantes...).

Ele fala por mim:

"Faz um bom tempo que a vontade de escrever e de poetizar se resume a você."

“É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes.
Chame do que quiser. Mas venha.
Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates...
Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe?
Quero acabar com as leis da física, dois corpos ocuparem o mesmo lugar!
Não nego. Tenho um grande medo de ser sozinha.
Não sou pedaço. Mas não me basto.”

“Ele me desperta sentimentos i-na-cre-di-ta-vel-men-te ternos.”

“Não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha à mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...”

“Desculpa, digo, mas se eu não tocar você agora vou perder toda a naturalidade,
não conseguirei dizer mais nada,
não tenho culpa,
estou apenas me sentindo sem controle,
não me entenda mal,
não me entenda bem,
é só esta vontade quase simples
de estender o braço para tocar você...”

"E vamos levando. Se ficar heavy metal demais, dou o fora."

“Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você.”

“Uma alegria que era o avesso daquela que tinham me treinado para sentir."

“Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo; aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo tudo o que planejei, abrindo todas as janelas para um mundo deserto. É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias,me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor por onde passo todos os dias.”

"Finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio."

"Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Eu gosto de gostos, eu gosto de pele, de cheiro, de amor verdadeiro."

"Vamos fazer assim: você não existe que eu não te desejo."

"(...) depois partiu sozinho. Não fizeram planos.
Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."

“Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo.”

" - Você sabe que de alguma maneira a coisa esteve ali, bem próxima. Que você podia tê-la tocado. Você podia tê-la apanhado. No ar, que nem uma fruta. Aí volta o soco. E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim: mas de quem foi o erro?"

E por fim (embora as possibilidades não se esgotem aqui...):

“Você é de Virgem, não? é o signo regido por Mercúrio, o planeta da inteligência, as pessoas de Virgem sempre conseguem o que querem embora no começo pareça tudo muito difícil...”

Caio, mas me levanto. Sigo, não desisto, embora desiluda... Há algo maior em mim - que me empurra, que quer me fazer feliz.
______________________________________________________________________

Às avessas

Acredito no Príncipe Sapo, tal qual a Teresa, do conto homônimo de Caio Fernando Abreu. O feio e/ou estranho por vezes me parece atraente. Não só porque me resta. Controvérsia... Há quem me entenda. O fácil não me agrada, uma vez que é gratuito. Prefiro aquilo que, na sua excentricidade, me é próprio, exclusivo, particular.

Entendo que os Contos de Fadas possam não acontecer pela expectativa boba daqueles que sonham. Quando se vive, eles vem às avessas. Aceito. Abaixo os playboys e almofadinhas! Viva os sapos revolucionários que não se vem na obrigação de serem príncipes. Chico era assim... (mas também não precisava ser incapaz!)

Fico um pouco mais aliviada sabendo que perfeição não existe, e que busco a melhor imperfeição para mim, que isso me realizaria, assim será. Tudo bem: mas quero sexo! - que fique claro.

Meu momento é esse.

______________________________________________________________________

Mulheres de Caio - a peça

Elas, oito atrizes, estão em cartaz no Teatro do Ibam, no Humaitá, aqui no Rio de Janeiro. Em cerca de 70 minutos abordam assuntos femininos trabalhados em quatro contos dele - o mesmo Caio que nos inspira: Fernando Abreu.

“O Príncipe Sapo“, “Creme de Alface“, “Os Sobreviventes” e “Dama da Noite” - trechos desses textos compõe a peça, conduzem o público a uma cumplicidade com as personagens. Seu tom confessional intima... intimida talvez; aproxima, aliás.

Quem nunca se viu numa daquelas situações? Amargurada, sozinha, enlouquecida, traída, bêbada, feliz... o que seja! Elas caem, mas se levantam. Mulheres à beira de um ataque de nervos... Opa, mas isso já é Almodóvar. Caio é mais nosso, tão bom quanto, talvez melhor até...

Para quem gosta do autor gaúcho (a maioria, que eu saiba), ou não o conhece ainda, fica a dica, num lead (serviço) básico:

O que: Mulheres de Caio
Quem: com

Bruna Spínola (Afinal, o que querem as mulheres? De Luis Fernando Carvalho)
Carol Fazu (Peça Zapeando)

Joana Gervais (Peça C.L.A.M.)
Linn Jardim (Tititi)
Patrícia Elizardo (SOS Emergência)
Paula Guimarães (Viver a Vida)
Rhavine Chrispim (As Pegadoras)

Larissa Sarmento (curta Mas na Verdade Uma História Só, de Francisco Crasmeyer e pelo qual ganhou o Prêmio de Melhor Atriz Mostra Digital, no Festival de Cinema de Brasília de 2009)

Quando: quintas, sextas e sábados de novembro, às 21h
Onde: Teatro do Ibam - Largo do Ibam, no Humaitá
Como: R$ 20 inteira e R$ 10 meia-entrada (estacionamento gratuito)
Por quê:

Texto de Caio Fernando Abreu

Adaptação e Direção de Delson Antunes
Direção de Movimento de Ana Bevilaqua.
Cenário de Teka Fichinski

Figurino de Ianara Elisa
Direção Musical de Gustavo MM & Lincoln
Iluminação de Luiz Paulo Neném

Produção de Chico Paschoal - Black Ninja
Assessoria minha
______________________________________________________________________

Caio na Rampa - a festa

Uma boa desculpa para de divertir, e por uma boa causa... cair na gandaia! (além de ajudar a produção do espetáculo inspirado em Caio, claro - justo ele, que também gostava de um agito...). Gente bonita, lugar inspirador, som bom, cerveja barata - ingredientes para uma noite ‘daquelas‘! - agradável, quiçá inesquecível.

Depois de duas edições badaladíssimas, o evento volta para comemorar o sucesso do primeiro mês de temporada das meninas, com casa cheia. Venha cair na festa você também! - sábado, 13 de novembro, a partir das 23h, no Bar da Rampa (dentro do Clube Guanabara), em Botafogo.

Sunday, 17 October 2010

acorda!


Homens que não querem crescer... acontece. Conheço alguns. De Peter Pan a Pequeno Príncipe, andei me envolvendo com algumas figuras do tipo nos últimos tempos.

Não seria ruim se não tivessem, por vezes, sentimentos, e, em outros casos, assuntos profissionais e de seriedade extrema envolvidos, em cabeças e corações imaturos, egoístas, ou nas mãos de meninos irresponsáveis que não sabem o real valor que as coisas tem. Seja porque vivem fechados em seu mundo (irreal - a La ‘Terra do Nunca’), ou porque sempre tiveram tudo e a vida ainda não os mostrou sua cruel faceta de necessidade, não importa. Respeito é bom e todo mundo gosta. Consideração é o mínimo que qualquer história entre pessoas exige, seja ela um ‘Conto de Fadas‘, ou não.

E a lenda dessas criaturas continua... Ainda mais em semana tão festiva, ligada a crianças. Na ficção, assisti a uma peça sobre o pequeno líder, amigo de Sininho (e, nessa história, vi que estou mais pra Wendy...) Adoro! - mas é hora de acordar pra vida.

Monday, 16 November 2009

a descoberta


A adolescência é uma fase maravilhosa, repleta de sentimentos, dúvidas, vontades, anseios, questionamentos, curiosidade. É quando passamos a descobrir, pouco a pouco, e conscientemente, as delícias desse mundo – o sexo, o prazer. E o melhor: QUEREMOS descobrir.

Na verdade, DEVERIA ser tratado com naturalidade tal desfrute. O ideal seria se tudo fosse esclarecido para que os jovens soubessem o que estão fazendo, o que está acontecendo – porque sim, VAI acontecer. Inevitavelmente. O corpo pede. Não adianta proibir, mentir, negar. É até pior.

Sobre isso que é ‘O Despertar da Primavera’, aclamado como o mais ousado espetáculo da Broadway. O musical, aqui no Brasil com direção autoral de Charles Möeller e Claudio Botelho, aborda o florescer juvenil para essas questões tão vitais.

Educação e orientação sexual, suicídio, estupro, incesto, masturbação, gravidez e aborto são alguns dos temas tratados. Fiquei surpresa com a sutileza na abordagem que não enfraqueceu a riqueza de detalhes de uma realidade tão dura e cruel vivida por esses personagens no final do século XIX.

A época era de religião castradora, ensino rígido, desinformação, moralismo, hipocrisia e sofrimento. A rebeldia e o romantismo andavam de mãos dadas. Claro que os jovens sonhavam, mas a eles faltava saber – por isso eram heróis, porque desconheciam a felicidade. Era um tempo em que se morria por amores platônicos, desamores...

Sou suspeita para opinar a respeito, porque não sou fã de musicais. Acho que no bom da história eles ridicularizam os temas ao passo (e ritmo) que o elenco conduz a história cantando. Assuntos sérios com gazelas saltitantes no palco não me agrada. Mas isso sou EU. Tem gente que adora. Eu mesma já me vi empolgada, mas só com as cabeleiras de Hair e Hairspray.

Achei boa a proposta para os adolescentes, como ‘Confissões de Adolescentes’ foi para mim nos anos 90. Vi aquilo e me espelhei naquelas meninas, quis saber mais, vi que eu era normal etc. Superválido. Gostei da montagem, no final das contas. Vamos fazer matéria a respeito, porque pais e filhos assistem ao programa.

Tuesday, 4 August 2009

o bem amado


O título é de outra obra, mas é perfeito para o personagem em questão. "Ele é o queridinho de Antunes Filho" (ou algo parecido) – foi assim que eu o conheci. Fui atrás de mais informações a respeito daquele novo fenômeno da interpretação ali descrito na revista e tão elogiado em outros tantos veículos. Um tempo depois, consegui a desejada entrevista de Lee Thalor para o Zona Quente, embora nesse papel ele não se sentisse tão à vontade, e eu ainda não tivesse noção de sua intensidade no palco, e vida. A curiosidade sobre o tablado foi enfim saciada esta noite com ‘Foi Carmen’. E já bastou para eu admirar ainda mais a intérprete, o artista e seu mentor.

A fama do consagrado diretor teatral brasileiiro é de durão, rígido. Beirando os 80 anos, segue apaixonado por sua arte, e é desse sentimento que brotam seu método de improvisação e de oportunidade a novos talentos, suas exigências quanto à disciplina no trabalho dos atores e a todos os aspectos de suas montagens, e é justamente daí também que nascem desempenhos brilhantes e diferenciados de elencos imersos no universo de suas peças. Nesse contexto promissor, Lee reina absoluto como senhor daquela história e impressiona com seu gingado, olhar, poder, expressão, barangandã, borogodó.

Impossível não se apaixonar por aquele malandro bem-apessoado, um tanto carioca, de voz grave, fala mansa interidiomática, globalizada. Arrasou quando calçou em cena aquelas sandálias espalhafatosas a la Carmen Miranda (vide foto) - lembrei-me das drags que a imitam, dos fetiches crossdressers, da curiosidade infantil por sapatos infinitamente maiores que os pés de criança. Por sinal, difícil ignorar o passar do tempo contado pela menina que quer ser (como) ela. E a dança póstuma da bailarina oriental, tão ousada em movimentos sinuosos, é perfeita. Tudo instiga, singularmente.

Cada ícone, cada gesto, todos detalhes, por mais subjetivos que pareçam, são importantes para compor o complexo panorama do imaginário popular sobre o mito. A passista, o confete, os discos, o discurso incompreensível de Lee, as bananas, a citação dos anos, os souvenirs, as homenagens ao dançarino japonês Kazuo Ohno e à bailarina argentina Antonia Mercê y Luque - tudo conduz perfeitamente a narrativa quase calada, se não fosse pela trilha da cantora mais bem paga por Hollywood até hoje. Os poréns desse capítulo norte-americano em sua carreira por bem não tiveram destaque (e nem mereciam, pois por sua real intenção, para mim poderiam não ter sequer existido).

Antunes trabalha paradigmas nesse espetáculo. Ele mescla oriente e ocidente, passado e futuro, samba e butoh, silêncio e música, tradição e vanguarda. É uma bela comemoração de tantos centenários. E em meio a esse poema cult de antagonismos culturais, um tanto kitsch até, Lee mostra porque é tão bem amado, e nada efêmero. Quero mais dos três. E a voz ritmada de Carmen não me sai da cabeça: “Quando você se requebrar caia por cima de mim, caia por cima de mim, caia por cima de mim”. O que é que... tem? Obrigada Dedé pela boa cia sempre e desculpa Beto por ter sequestrado o gato. Amo vocês.

*A entrevista dele já foi ao ar no programa, mas o potencial do bom moço pode ser conferido às terças-feiras, 21h, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação - Rua Doutor Vila Nova, n. 245 - Vila Buarque, em São Paulo. Foi Carmen fica em cartaz até 12 de agosto - a confirmar. E em breve ele reestréia a peça A Falecida, de Nelson Rodrigues, também sob a direção de Antunes Filho. Bravo!

Saturday, 11 July 2009

ar superficial


Fiquei surpresa ao assistir ao filme Hairspray (versão com o John Travolta) e constatar que o roteiro vai muito além de laquê, dança e juventude transviada, alienada dos anos sessenta. A trama me surpreendeu por ser engajada em causas como preconceito e segregação racial. Fiquei louca para ver o musical da Broadway que estreou ontem aqui no Rio. E adorei!

A história mostra vida de Tracy, uma adolescente gordinha, que deseja ser famosa participando de um programa de dança na TV. Surge uma oportunidade e ela vai atrás de seu sonho. Mesmo não correspondendo ao perfil de garotas que entram para o Corny Collins Show, ela é escolhida devido a sua persistência, coragem e talento com o chacoalhar de seus quadris.

A naturalidade como a protagonista se mostra aberta e interessada na integração com os jovens negros, até então limitados a dançarem em um único dia no mês, intitulado ‘O Dia do Negro’, sensibiliza. E irrita a produtora do programa, Velma, mãe de Amber, o exemplo de ‘garota popular’ norte-americana – loira e linda, mas fútil e má. Aliás, Velma é pior ainda.

A ex Miss-Caranguejão faz de tudo para que Tracy saia do programa e não seja concorrente de Amber no concurso Miss Haispray 1962. Ela joga sujo, inclusive, usando como armas sua beleza e sensualidade, crueldade e desrespeito às diferenças. O filme e o musical evidenciam com poucas divergências na adaptação que o amor e o sucesso vão muito além de padrões estéticos e cor de pele.

No final, o bem prevalece e Tracy conquista o público e o coração de Link, o bonitão do programa, antigo affair de Amber. E sua amiga Penny, subverte o comportamento racista da época e dança com Seaweed na televisão pela primeira vez. A única coisa que preferi no Blockbuster foi o fato de Inez ter podido participar da disputa e assim ter dado um resultado diferente às expectativas já preparadas para o óbvio.

Para conhecer mais todos esses personagens e essa história envolvente sugiro que assistam a Hairspray no Oi Casa Grande, no Shopping Leblon, ou em casa, no DVD, enquanto o espetáculo não chega a sua cidade. O elenco brasileiro está dez! - Simone Gutierrez e Jonatas Faro arrasaram em seus papéis. São praticamente duas horas de muita música e coreografias que vão ficar na sua memória por muito tempo.

O laquê é só o pano de fundo para o que realmente importa, o que não é supérfluo, nem superficial. O conteúdo vale muito mais sempre - é o que fica, mesmo depois de lavados os cabelos... (falando em ficar, em homenagem à ruivinha, uma pérola: "Depois que provei o chocolate, não mudo nem a pau!" - excelente). Assistam, é para toda a família. “Oh, Baltimore...”

Wednesday, 3 June 2009

licor de papaya


Esse post poderia ter outro nome... talvez 'iogurte de morango', como já vi definida a GRANDE (e pequena) amiga, mas a fase é outra – très chic!

Interessante as coincidências. Já tinha um motivo imbatível para escrever sobre ruivos hoje, afinal, é o aniversário da pimentinha mais charmosa de Porto Alegre ao Rio, passando por São Paulo, Paris e Bruxelas. Não bastasse ser o dia da Maria Fernanda, ontem, antes de dormir (na verdade, hoje – já passava da meia noite), vi no Jô uma entrevista sobre eles.

Pedro Monteiro (um legítimo espécime) escreveu e atua na peça de teatro que acabou se tornando um movimento pró-ruivos, “Os Ruivos” – ou seria o contrário, e a peça foi escrita já nesse intuito? Não interessa. Segundo ele, há cada vez menos pessoas de cabelos cor de fogo no mundo. E confessou ao gordo ter sido essa uma tentativa de combater sua extinção.

Não se pode negar: ter os fios de cabelo coloridos num tom de ferrugem, a pele branquinha, e sardas É UM CHARME! Existem várias pessoas que fantasiam a respeito, homens e mulheres. Esse fetiche colabora, inclusive, para a preservação da espécie - minoria entre a população, como acredita o ‘a(u)tor’. Pedro já pode dormir mais aliviado então.

A curiosidade acerca dessas pessoas exóticas é muita e atiça o desejo sexual, além de movimentar a atmosfera de sedução de quem se interessa pelo tema. A dúvida se a cor do “carpete” combina com a “cortina” é imbatível, por exemplo. Criatividade, pelo menos, não falta a quem tem essa tara.

Se as pessoas tem ou não os cabelos (e os pentelhos) de um vermelho natural, não importa muito na verdade. Necessário é ter estilo, parecer ser um ruivo legítimo ao menos. E confesso que não costuma faltar essa qualidade a eles. NÃO MESMO. Pense no Axl Rose, Nando Reis, Rita Lee... Nanda também se sobressai na multidão. É linda - uma francesinha, mas com 'faca na bota'!

Aderi ao movimento. Não teria como ser diferente. Mas, ao contrário do idealizador desse projeto, penso que poderia ser o ‘Dia do Ruivo’ hoje e não em novembro, como ele sugere. Um brinde a eles então, à “dindinha” principalmente! - e de licor de papaya (como já a denominei numa foto).

Viva os ruivos! Happy 'dinds'! "Tim-tim".

*A peça está em cartaz no Teatro Miguel Falabella, no Norte Shopping, aqui no Rio. E teremos o Pedro Monteiro como entrevistado do Zona Quente provavelmente num programa de agosto (não resisti e o convidei!). Mais infos sobre a peça, movimento e afins no link do blog 'Os Ruivos na listinha ao lado (en la misma dirección).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

passatempo

  • abrace seus amigos
  • acredite em si mesmo
  • ande mais com os pés descalços
  • antene-se
  • aplique o que você prega
  • assuma seus erros
  • beba mais água
  • beije na boca com vontade
  • conheça novas culturas
  • cuide-se com carinho
  • dance sem vergonha
  • diga mais 'sim' do que 'não'
  • durma bem
  • dê atenção às pessoas
  • entregue-se ao que ama
  • escreva cartas à mão
  • estude outras línguas
  • exerça a tolerância
  • exercite-se
  • fale e ouça mais 'obrigado'
  • faça muito amor
  • goze mais e melhor
  • leia mais livros
  • movimente-se
  • não limite seus sonhos
  • ouça musicas que te façam dançar
  • ouse
  • pense positivamente
  • permita-se
  • peça bis quando é bom
  • pratique o bem
  • prove diferentes sabores
  • renove-se
  • respeite a natureza e os mais velhos
  • reveja velhos conceitos
  • se beber, não ligue!
  • seja fiel, sincero e verdadeiro
  • siga a sua intuição
  • sinta o novo
  • sorria sempre que possível
  • subverta vez que outra
  • tenha calma
  • tire alguém para dançar
  • trabalhe com dedicação
  • use camisinha
  • vá mais ao cinema
  • viaje sempre
  • viva menos virtualmente

c'est fini!