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Thursday, 23 December 2010

brasil: um país de ratos


Final de ano, sentimento fraternal, de paz, esperança e um futuro melhor... quando as pessoas se desligam um pouco dos problemas em função das festas, viagens, férias, preocupadas com a família, presentes, etc. E é justamente esse período o mais perigoso no ano para ataque de verdadeiros ‘ratos’.

Uma onda de bandidagem tomou conta do país! Aproveitando a época propícia, em que o povo descansa, eles resolveram “trabalhar”.  Sem delongas, nossos governantes aumentaram absurdamente seus próprios salários – em níveis federal e estadual, entre 62% e 73% (enquanto discute-se se o salário mínimo aumentará R$ 30 ou R$ 50!).

Mais do que a eles, cuja atitude repudio, minha crítica vai ao povo brasileiro que se OMITE e NADA faz a respeito. Não soube de nenhuma passeata , boicote, ou qualquer manifestação pública que seja, EXCETO postagens em alguns blogs e a atitude louvável do amigo Tonho Crocco, que escreveu, gravou e divulgou no Youtube o vídeo “Gangue da Matriz”, em “homenagem” aos 36 deputados estaduais gaúchos que garantiram seu presente de natal com plus em seus bolsos todo final de mês fora as regalias próprias da "profissão".

Foram eles (lembrem seus nomes para NÃO votar neles depois):

PMDB - Alberto Oliveira
PMDB - Alceu Moreira
PMDB - Alexandre Postal
PMDB - Edson Brum
PMDB - Gilberto Capoani
PMDB - Luiz Fernando Záchia
PMDB - Márcio Biolchi
PMDB - Marco Alba
PMDB - Nelson Härter
PP - Adolfo Brito
PP - Francisco Appio
PP - Francisco Antunes
PP - João Fisher
PP - Pedro Westphalen
PP - Silvana Covatti
PSDB - Adilson Troca
PSDB - Paulo Brum
PSDB - Pedro Pereira
PSDB - Zilá Breitenbach
PDT - Adroaldo Loureiro
PDT - Ciro Simoni
PDT - Gerson Burmann
PDT - Gilmar Sossella
PDT - Kalil Sehbe
PTB - Abílio dos Santos
PTB - Aloísio Classmann
PTB - João Scopel
PPS - Berfran Rosado
PPS - Luciano Azevedo
PPS - Paulo Odone
PRB - Carlos Gomes
DEM - Francisco Pinho
DEM - Paulo Borges
PSB - Heitor Schuch
PSB - Miki Breier
PCdoB - Raul Carrion

*E sobre esse último, faço a clássica pergunta incrédula: "Até tu, Brutus"?

Ao contrário dos citados acima (e das diversas críticas partidárias perseguidoras ao PT bem comuns aqui pelo pago, ofertando-lhe a culpa de tudo), afirmo orgulhosa que TODOS se opuseram a essa barbaridade, tchê!). Foram eles:

PT - Adão Villaverde
PT - Daniel Bordgnon
PT - Dionilson
PT - Elvino Bohn Gass
PT - Fabiano Pereira
PT - Ivan Pavan
PT - Marisa Formolo
PT - Raul Pont
PT - Ronaldo Zülke
PT - Stela Farias
PTB - Cassiá Carpes

Gostei também da postura da Rádio Ipanema, que comprou a briga e fez da música o hit do verão, usada numa vinheta da estação. Curti.
_______________________________________________________________________

Para quem não lembra... A Gangue da Matriz, conhecida nos anos 80 em Porto Alegre, foi responsável pela morte do jovem Alex Thomas na praia de Capão da Canoa no verão de 86. Praticantes de artes marciais, os membros do bando eram como os ‘Pit boys’ atuais (mas de antigamente, quando nem existia a associação dos cachorros Pit Bull ao estilo de seus donos briguentos). Filhinhos de papai, eram de influentes famílias gaúchas e alguns saíram impunes do crime – outros ratos, aliás! (como o ‘Chinês’, que depois veio a ser ator e protagonizou uma novela global das oito no papel de um cigano inexpressivo – quem sabe, sabe!)

Tuesday, 23 November 2010

vaselina


Esse post poderia ser sobre a forma mais gostosa de sexo: molhado, besuntado, bem lubrificado; mas não... É sobre pessoas escorregadias.

O que no Rio chamam assim atualmente, no passado, Sérgio Buarque de Hollanda classificou em seu livro Raízes do Brasil como “O Homem Cordial”. Herança dos portugueses, esse comportamento do brasileiro oriundo de uma valorização do que é familiar, não é sinônimo de civilidade de polidez. Vem de cordes, coração. Prima por estar bem com todo mundo.

“É, talvez...”; “Vamos ver”; ao invés de falar “Tchau“, dizer “Eu te ligo” - essa carência, esse medo de ficar sozinho gera, porém, uma imparcialidade irritante e digno de dúvidas quanto ao caráter da pessoa. Gaúcha como sou, fui acostumada com pontos de vista bem definidos, e vejo nesse impasse um problema seríssimo de ordem moral. Falta de integridade. Detesto essas atitudes típicas dos cariocas.

Não sei o que é pior: mentir, omitir ou não se posicionar, fazendo papel de bonzinho com todo mundo. Em todos os casos tu não sabe com quem está lidando! Prefiro tratar com ma pessoa que peque por excesso, dizendo a que veio, àquela que não mostra quem é, o que quer. Meia boca pra mim é pouco, meio termo é insuficiente. Quero de corpo e alma, e de coração também. Por inteiro.

 Admiráveis são aqueles que lutam por seus ideais, enfrentando aqueles a quem se opõem. Nessa vida não dá para agradar a todos mesmo, nunca... Então não vestir a camisa quando mais é necessário é feio. Ficar em cima do muro é uma afronta àqueles da direita ou esquerda. Muito fácil se esconder atrás de uma falsa “camaradagem” a fim de se beneficiar depois, enquanto os outros estão dando sua cara a tapa. Covardia, fraqueza.

Na boa, aproveitando... se é vaselina, vai tomar no c*(!). Literalmente.
*Elas preferem, para manter a “honra”.

Monday, 19 April 2010

abaetê


No Dia do Índio, uma singela homenagem a eles...

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros, das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

(Refrão)

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

No finalzinho da bela canção de Caetano Veloso intitulada ‘Um Índio’, ele toca o dedo na ferida. Fica claro (pelo menos para mim), todo mal que se fez contra esse povo e que mal se discute a respeito, mas se sabe.

Fui privilegiada por ter estudado com material didático tão rico: ‘Brasil Vivo’, livro de Chico Alencar – outro que provoca. Aliás, esse AINDA continua inquieto, lutando - não se entregou aos encantos daquilo que no passado tanto se criticava, como o outro citado.

Vários foram os textos alertando sobre a perda significativa de nossa cultura indígena na colonização do Brasil pelos portugueses. Se bem que, se tivéssemos sido “descobertos” pelos vizinhos espanhóis haveria um genocídio da mesma forma, pois foi assim com os Incas, Maias e Astecas também, ou pior ainda.

Por toda a América do Sul essa visão eurocêntrica de dominação, de colocar os índios ao seu serviço por se sentir superior, fez do ‘branco’ um grande assassino. Esse comportamento foi alimentado pela Igreja, numa tentativa de catequizar esses homens, novos fiéis em potencial. Não sei quem tem mais culpa... sinceramente.

Num continente em que viviam milhões de nativos, restarem apenas poucas centenas de milhares hoje em dia é a maior prova do massacre cometido. E o pior, aos poucos, os índios sobreviventes foram ficando sem identidade. Diferente de outras culturas, a deles era transmitida pela fala, de pai pra filho. Então, como foram calados, perderam-se. Essa é a pior realidade, acredito.

Jamais poderemos recuperar o que ficou no passado. Tanto conhecimento foi morto junto àqueles que perderam suas vidas por simplesmente serem diferentes dos europeus e não concordarem com eles (convenhamos: eu também suspeitaria de quem não toma banho e tem vergonha do próprio corpo...).

Alguns tentaram resgatar nossas raízes, como fez Darcy Ribeiro, grande mestre (um apoena na língua indígena - aquele que enxerga longe), mas seu projeto educacional nunca foi implementado como deveria... para tanto. Atualmente, muitas crianças em assentamentos do MST estudam e tem mais contato com essa cultura que os pequenos urbanos, das grandes cidades - distantes quilômetros da floresta, centenas de anos de nossa (triste) real História.

Em bom tupi-guarani: chega de nhenhenhém. Deixo aqui o link de um site FANTÁSTICO sobre o tema, para que pesquisem, saibam mais:
http://pib.socioambiental.org/pt. E encerro com uma frase do ativista negro norte-americano Martin Luther King, com cujo pensamento concordo e lamento...

O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons
*Teríamos (e ainda podemos) aprender MUITO com essas pessoas de bem. Faça a sua parte não se omitindo.

Friday, 9 April 2010

o choro carioca


Opa! Mesmo passados alguns dias (mas não o caos e os danos) das fortes chuvas aqui no Rio, a mula não poderia deixar de rugir a respeito... até porque sofri para chegar em casa com água quase nos joelhos em Botafogo na noite em que tudo (re)"começou". Terrível.

O descaso de anos ficou, enfim, evidente aos olhos do mundo. E não adianta culpar São Pedro porque não foi ele que obrigou ninguém a morar onde não pode, a jogar lixo pelas ruas e entupir bueiros... Que bom que a mídia tem dado ênfase a essa questão, cobrando providências dos atuais governos, que terão que responder por décadas de omissão dos demais.

Mudanças, por favor! A hora é agora, se quisermos de fato poder estar nos parâmetros de primeiro mundo para poder sediar aqui jogos da Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Mais ainda: se quisermos continuar fazendo jus ao título de ‘cidade maravilhosa’, com nossos cartões-postais intactos, sem mais lágrimas e tanta dor...

Construções em morros – principais áreas de risco por aqui, sem o aval necessário, poderia dar nisso... (é óbvio, nem precisava ser um especialista para saber) e deu! Parece que, agora sim, irão investir em moradia pública decente para milhares de famílias que habitavam esses locais que deverão ser desocupados a curto prazo.

Sim, pois a previsão é de mais chuva, e o estado do RJ segue em alerta. Será que foram necessárias 179 mortes e cinco mil famílias desabrigadas, ATÉ o momento (e só DESTA vez, porque já houve outras enxurradas anteriores, mais brandas, mas que já alertavam os problemas escancarados agora), para concluírem que essas questões estão mal administradas?

Até segunda-feira, nossos políticos não viam as encostas sendo povoadas desordenadamente? - estavam cegos, ou o quê? Por outro lado, questiono-me se as pessoas vão continuar insistindo no erro também, porque político sozinho não faz milagre, e com essa loucura climática toda, muito menos santo do tempo.

O tempo está feio. É uma vergonha! Na verdade, é triste... MUITO.
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  • vá mais ao cinema
  • viaje sempre
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c'est fini!