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Sunday, 14 November 2010

quanta diferança!


O que motiva os jovens hoje? Nos anos 60 era um sentimento de liberdade, de oposição à guerra, amor livre. Aqui no Brasil, um pouco diferente do que aconteceu nos Estados Unidos, foi a ditadura, pensamento e comportamento conservadores de nossa sociedade.

Muita coisa mudou, mas ainda atualmente o cabelo pode ser uma forma de manifestação. Não como antes, quando o simples fato de um homem deixá-lo crescer era considerado subversão... de afronta ao sistema, ao exército - que exigia dos jovens cabelos curtos. Agora seria muito mais agressivo uma menina raspar a cabeça, por exemplo, ou usá-lo de forma estranha, num colorido gritante.

De qualquer forma, um retorno a esse espírito hippie cultuado no passado é uma viagem interessante. Vale a pensa ver a mega produção "Hair", em cartaz no Oi Casa Grande, no Leblon - Rio de Janeiro. Músicas, figurino, cenografia, elenco... tudo de primeira! Como era de se esperar, gostei MUITO, mesmo tendo eles mudado um pouco o original. Muito mais que a questão da homossexualidade, compreensivelmente defendida pelos parceiros-diretores Charles Möeller & Claudio Botelho nessa versão brasileira, a na época mais abordada e igualmente criticada mistura de raças acabou ocultada de certo modo na minha opinião.

É, os tempos são outros, mas as bandeiras continuam levantadas - cada um defendendo a sua causa como pode. A proposta pode até ser a mesma, já os cabelos...

Tuesday, 29 June 2010

dona baratinha


Linda noite, duas pessoas... Esse poderia ser o mais corriqueiro dos encontros, se não fosse sua missão: capturar uma cockroach (aliás, uma cucaracha – considerando ter sido o Matias da loja homônima que nos apresentou). Inacreditavelmente, o papo, na verdade, o elo todo estava nessa que, para alguns, é a mais repugnante das criaturas. Mas não por isso o interesse e sua criação, e sim pela transformação que essa sofre enquanto objeto de arte.

Intervenção urbana pura. À procura da baratinha perfeita! Spray, cor e está pronta para seu destino: as mãos de alguém. Louco isso? Sim. É a ideia de um jovem artista plástico que pretende causar uma subversão e questionamento de valores quando douradinha a roach. Nem tudo que reluz é ouro, mas o inseto 'Highlander' é quase igualmente durável como o metal. Já pensou ter um bichinho expressionante desses de estimação?! (‘baratinha’ literalmente, uma vez que a “obra” já foi vendida a R$1 em sinais, ou é enviada gratuitamente a “sortudos” escolhidos a dedo). Reação de estranhamento, curiosidade, encanto ou repulsa até, enquanto nas ruas, normalmente, é somente negativa – desprezo, aversão, nojo e ódio.

Para conferir o trabalho de Fernando de La Rocque, basta visitar o
blog dele, ou, a partir do próximo dia oito de julho, visitar sua exposição no espaço Sérgio Porto, no Humaitá, aqui no Rio de Janeiro.

Saturday, 24 October 2009

poderosas

Ontem, adentrei um universo de ficção, erotismo, fetiche e poder feminino. Cobri um set do Queer Fiction, encabeçado pelo especialista em subversão sexual social, o pornógrafo Alexandre Medeiros. Foram 12 horas de gravação, muitas fantasias e política – e embora haja relação (tratando-se de sacanagem), isso em nada tem a ver com nossa situação mundial.

O projeto é uma forma de criticar os conceitos atuais (e passados) de estética e comportamento sexual, entre outros ‘poréns’. Nele, há uma transformação da figura feminina em agente e não somente objeto de dominação masculina. Em cenas com práticas de voyeurismo, bifeminino e femdom, com wax, clampers, máscara de gás, corsets, meias-calça, saltos agulha altíssimos e dildo o prazer é explorado por mulheres poderosas.

No elenco, pessoas incríveis, dispostas a exteriorizar sua verdade sexual. Nada é de mentira ali. Da teoria à prática, tudo é mostrado com realismo e objetivismo. Os conceitos de queer e kinky são trabalhados intensamente. E, então, vejo o quanto tenho que aprender MUITO mais sobre sexualidade. Gostei do que vi, e nem acreditava que, no Sul, se produzia algo assim! – com direito à exportação para Europa ainda(!) Tu vê....

Quero parabenizar todos os envolvidos, super profissionais.e atenciosos com minha equipe. E a nós, mulheres, fica aí a iniciativa de que os papéis (sociais e sexuais) sejam invertidos – nem que seja vez que outra, nos momentos mais íntimos – seja na cama, ou não. Vale tudo com consentimento. Não importa o que os outros pensam, pois sagrado é o que se sente e ponto final.

* As matérias sobre o projeto Queer Fiction feitas para o Zona Quente vão ao ar no Sexy Hot em janeiro de 2010.


Friday, 21 August 2009

como nossos pais


Esses tempos conheci a herdeira de um império conceitual do rock brasileiro: Vivi Seixas, a filha do Raul.

Estar na sua presença, colocou-me a pensar sobre quem era aquela figura querida, com quem de cara me dei bem. Fazermos um trabalho conjunto me oportunizou maior contato, papo mais profundo e o questionamento sobre o que de nossos pais carregamos em nós.

Fiquei a mira-la e procurar o ‘maluco beleza’ naquela menina-mulher forte e amável. Irreverência e talento a moça tem de sobra, é inegável. Mas, além disso, o que ela ainda traz nela do famoso Raulzito? Nessa busca não estaria eu sendo injusta com ela, esperando demais em transferir a ela uma responsabilidade que de repente não lhe cabe?

Foi mais forte do que eu. Não fiz por mal, juro. Ela nem sonha com isso, embora não seja segredo (mas jamais perguntaria também... prefiro ficar pensando a respeito, descobrindo a resposta aos poucos). Nem é sangria desatada tal curiosidade. Foi somente um pensamento tolo, mas intenso, que me assombrou em tempos tão propícios.

Hoje faz 20 anos da morte de Raul Seixas e, em meio a uma programação rica em sua homenagem, encontro-me num momento saudosista do nosso rei do rock. Hoje volto a refletir sobre suas músicas, comportamento, estilo de vida, filosofia, obra.

Raul deixou um legado. Seus fãs são xiitas e um tanto chatos por isso até (vão de jovens idealistas a velhos carrancudos). Vivi foi transgressora em optar pela música eletrônica como ferramenta de trabalho – ela é DJ. Se seguisse pelo rock, não haveria subversão.

Ta aí! Escrevendo esse textinho, organizando os pensamentos, já consegui ver nela algumas coisas de seu pai. E eu? O que eu tenho em mim do meu, fora a fisionomia? E de minha mãe? Essa eu já sei a resposta: a garra.

E viva as novas gerações e tudo aquilo que trazem de novo! É a evolução das espécies. Não estamos fazendo nada mais do que vivendo - como nossos pais (porque afinal “tudo acaba onde começou...”).

Para relembrá-lo em grande estilo, um pedido: Vivi, toca Raul! (no seu estilo, claro). Um novo clássico!

Saturday, 18 July 2009

pedacinhos de prazer


Olhando assim, de relance (ou de longe), não se enxerga muita coisa além de um Jesus Cristo na figura ao lado do jovem artista paranaense Anderson Thives. Mas olhando com olhos apurados (ou mais de pertinho), logo se percebe de que é feita tal imagem: sim, do sexo das pessoas - no caso, de caralhos alheios em cenas de punheta, boquete, de fodas etc. Incrível.

Gravamos com ele na quinta-feira passada uma matéria para o Zona Quente. Vi um lado do artista que ainda não conhecia, fui apresentada a um universo artístico singular, ousado e despretensioso – o que é o melhor. Adoro quando isso acontece, quando sou surpreendida por coisas boas quando menos espero.

O trabalho dele em muito lembra o do Vik (Muniz, igualmente brasileiro), que trabalha de outra forma, com outros materiais, e que conhecemos através de fotos da realização de suas obras. Diferente disso, o Thives apresenta seus originais, in natura, em colagem mesmo, exatamente como foram concebidos. E assim são vendidos a quem puder desembolsar uma nota por eles, merecidamente.

Ta aí uma coisa que eu gostaria de fazer: investir em arte. Arte não tem preço palpável e por isso acho tão fascinante. Vida de marchant deve ser uma loucura, bastante sublime, de conhecimento implícito e de uma sensibilidade de valores e qualidade tênue. Falta-me agora noção e tempo ($) para tal dedicação, mas vontade e disposição para uma imersão nesse mundo não. Quem sabe um dia...

Depois de outras temáticas trabalhadas anteriormente em outras exposições - como santos, personalidades hollywoodianas, obras de outros ícones da arte, Thives mostra nessa atual Pornô Poética cinco painéis com rostos de pessoas que expressam muito além de suas feições e dos pedacinhos de papel que os compõem. O bom gosto e a originalidade transcendem a pornografia subliminar de sua obra.

A intenção de fazer refletir a respeito é maior. E faz todo o sentido e diferença uma vez que mexe com toda uma questão moral, não só ética. Assusta de maneira construtiva, engrandece o sexo por ser ele apenas coadjuvante e obra-prima no conjunto do belo. A contemplação se dá de maneira grandiosa, inteligente e exoticamente sensual. O processo também surpreende e interage com o público – que colaborou na doação de material erótico para a finalização desses quadros.

*A matéria gravada para o Zona Quente vai ao ar no Sexy Hot em setembro, ainda sem definição de data. Aliás, a partir do mês nove, o horário do programa irá mudar das 22h para às 20h. Fiquem atentos.

Sunday, 21 June 2009

subversão é a solução


Essa semana, fiquei bastante contente com algumas notícias que li, vi, ouvi sobre o boicote de indústrias e redes varejistas a frigoríficos ilícitos, apontados pelo Ministério Público Federal como (co)responsáveis pelo desmatamento da Amazônia. Iniciativas como esta, que foi aderida inclusive pelo gigante Pão de Açúcar, maior grupo brasileiro do ramo, fazem a diferença.

O governo apoiou, e o comércio abraçou a causa. Foi então posta em xeque a origem de produtos e subprodutos de fazendas que criam gado em áreas suspeitas de terem tido a mata derrubada para o plantio de capim. O objetivo com essa ação é que fornecedores que cometem crimes ambientais, exploram trabalho escravo, invadem reservas indígenas e fazem grilagem de terras sejam banidos do mercado.

Eleita por ambientalistas como a atual inimiga número um da Amazônia, a pecuária naquela região está sob vistas grossas do Ministério da Agricultura, que discute o assunto com o setor produtivo há vários meses. Um monitoramento via satélite vai mapear as fazendas que criam gado de forma ilegal no Pará. E que se estenda depois a outros estados. Há muito ainda o que ser feito para desenfrear esses crimes ecológicos.

O principal fomentador da atividade pecuarista sempre foi o investimento de bancos públicos, mas o quadro está mudando. Como resposta a essa medida de ‘caça às bruxas’, o contrato de financiamento do frigorífico Bertin, o maior exportador de carne do Brasil e segunda maior empresa do setor no mundo, foi cancelado pelo Banco Mundial, o IFC (sigla em inglês para International Finance Corporation).

A solicitação por parte das empresas compradoras da entrega ao MPF de um plano de auditoria socioambiental que comprove a origem do gado a ser comercializado, juntamente ao Sistema de Licenciamento Ambiental de Propriedades Rurais (SLAPR), apresentam-se atualmente como as principais saídas para conter a devastação verde produzida pela pecuária.

O SLAPR é fundamentalmente um Código Florestal que pode servir para qualquer atividade, inclusive a soja. O sistema começou no Mato Grosso e depois avançou para o Pará, Rondônia e Tocantins, mas devido à sua efetividade, existe uma resistência enorme para sua total implementação. Ele funciona da seguinte forma: primeiro o OEMA - Órgão Estadual de Meio Ambiente, mapeia o estado inteiro e monta uma base de georreferência da área. Um projeto técnico de recuperação da área a ser desmatada é apresentado e, uma vez aceito e assinado pelas partes, vai pro Ministério Público que o monitora.

É necessário pressão para que sejam freados esses crimes ambientais. Sou super a favor de boicotes, quando esses são por causas dignas, de interesse público comum. Somando forças, conseguiremos alcançar nossos objetivos, mesmo que em parte. Mexer com o lado econômico da questão em si é sempre a melhor opção, pois traz efeitos rápidos e, nesse caso, positivos. Temos que nos unir mais em ações como essas - governo, iniciativa privada e o povo.

Subversão é a solução!
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c'est fini!