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Thursday, 29 December 2011

the end

Final de ano, sabe como é... Festas, votos, resoluções, sentimentos - tudo junto misturado! 

E, nesse clima, a gente acaba arriscando, querendo saber do futuro, o que nos aguarda, o que vem pela frente. Normal.

Confesso que nunca quis saber desta data, mas o motivo sempre me interessou. Quando e do que eu vou morrer?

Numa dessa brincadeiras virtuais, veio o resultado (ali, na imagem que ilustra este post).

O ano nao poderia ser outro: 69! Fiquei satisfeita... Vou morrer velhinha: 87 anos de praia(!), feliz da vida, curtindo até o final, com certeza - com meus netinhos! (no trem fantasma, como diz meu epitáfio).

Confira a sua lápide aqui.


Saturday, 27 November 2010

presente


É (o) agora. Right now...

Um piscar de olhos, aperto no peito, grito desesperado, tomada de fôlego, suspiro aliviado, lágrima que escorre. Um, dois... passou. Já foi. Saudade só vem depois.

Momento - a chance da decisão acertada, da atitude correta, da iniciativa tomada, ideal para reconhecer os erros, consertá-los, mudar o futuro, realizar os sonhos, fazer o que gosta, permitir-se, ser feliz.

Oportunidade - de avaliar, falar a verdade, fazer as pazes, dizer que ama, de dar aquele abraço apertado, iniciar ou concluir um projeto, recusar o que desagrada, começar uma dieta, a malhar; e recomeçar tudo o que (e se) for necessário.

Presente é dádiva, é para aproveitar. As chances são muitas. O ideal é fazer hoje o melhor amanhã - assim, a gente sempre ganha.

O que será que vem por aí? Qual seria perfeito para mim? - pra cima, com certeza.

Curiosa... detesto esperar!

Sunday, 19 September 2010

o estranho mundo de látex


Esse bem poderia ser o nome de um filme qualquer, mas não: trata-se da vida real. Embora essa realidade seja impenetrável (ui...) para muitos, a mim é um tanto próximo, mesmo que ainda tenha  diversas coisas a aprender sobre, pois minha experiência (baunilha) é apenas profissional.

Sempre tive vontade de ir a festas fetichistas na Europa, onde o povo tem mais experiência no assunto. Indo a uma, trabalhando, fiquei positivamente surpresa com o que vi: um povo style demais. E não só por isso... ambiente nada pesado, embora as vestimentas e o comportamento, para quem não está acostumado, assustem um bocado.

Muito látex, ou quase nada – salvo pelo calçado... cada um na sua, curtindo suas fantasias. Num evento assim, no mínimo, vê-se performances chocantes e se conhece pessoas interessantes, cheias de histórias diferentes do comum para contar. Fico feliz que tenham se encontrado, mesmo num meio que poucos compreendem, mas que a muitos agradaria se pudessem matar a curiosidade tão pertinente e natural quanto a esse universo.

Fico só imaginando um evento assim na Alemanha, lugar que suponho ser incrível para quem gosta do babado. Será que ainda me surpreendo? O que será que me espera? Hummm, quem sabe numa próxima viagem...

Friday, 21 August 2009

como nossos pais


Esses tempos conheci a herdeira de um império conceitual do rock brasileiro: Vivi Seixas, a filha do Raul.

Estar na sua presença, colocou-me a pensar sobre quem era aquela figura querida, com quem de cara me dei bem. Fazermos um trabalho conjunto me oportunizou maior contato, papo mais profundo e o questionamento sobre o que de nossos pais carregamos em nós.

Fiquei a mira-la e procurar o ‘maluco beleza’ naquela menina-mulher forte e amável. Irreverência e talento a moça tem de sobra, é inegável. Mas, além disso, o que ela ainda traz nela do famoso Raulzito? Nessa busca não estaria eu sendo injusta com ela, esperando demais em transferir a ela uma responsabilidade que de repente não lhe cabe?

Foi mais forte do que eu. Não fiz por mal, juro. Ela nem sonha com isso, embora não seja segredo (mas jamais perguntaria também... prefiro ficar pensando a respeito, descobrindo a resposta aos poucos). Nem é sangria desatada tal curiosidade. Foi somente um pensamento tolo, mas intenso, que me assombrou em tempos tão propícios.

Hoje faz 20 anos da morte de Raul Seixas e, em meio a uma programação rica em sua homenagem, encontro-me num momento saudosista do nosso rei do rock. Hoje volto a refletir sobre suas músicas, comportamento, estilo de vida, filosofia, obra.

Raul deixou um legado. Seus fãs são xiitas e um tanto chatos por isso até (vão de jovens idealistas a velhos carrancudos). Vivi foi transgressora em optar pela música eletrônica como ferramenta de trabalho – ela é DJ. Se seguisse pelo rock, não haveria subversão.

Ta aí! Escrevendo esse textinho, organizando os pensamentos, já consegui ver nela algumas coisas de seu pai. E eu? O que eu tenho em mim do meu, fora a fisionomia? E de minha mãe? Essa eu já sei a resposta: a garra.

E viva as novas gerações e tudo aquilo que trazem de novo! É a evolução das espécies. Não estamos fazendo nada mais do que vivendo - como nossos pais (porque afinal “tudo acaba onde começou...”).

Para relembrá-lo em grande estilo, um pedido: Vivi, toca Raul! (no seu estilo, claro). Um novo clássico!

Friday, 22 May 2009

entre e fique à vontade


É normal ter curiosidade quando o assunto é sexo. TODO MUNDO tem alguma dúvida a respeito, alguma fantasia ou desejo (mesmo que mega reprimidos). Poder adentrar nesse universo pra lá de instigante é um privilégio.

Você já se imaginou trabalhando com isso, tendo contato, falando, vendo e aprendendo todos os dias um pouco mais? O que o sexo te traria? Provavelmente colegas de trabalho, conhecimento, naturalidade de abordagem, experiência, novos amigos talvez.

Agora pense num apartamento com mais de dez pessoas ligadas profissionalmente ao tema, cada uma do seu jeito. Duas garrafas de vinho e uns petisquetes ‘sugestivos’ para relaxar e criar um clima dão início à noite. O que rolou depois? Um inocente “Jogo da Verdade”. E só.

Fiquei impressionada com o clima de descontração e respeito que a brincadeira proporcionou. Provavelmente muita gente pensaria em sacanagem, em “pegação”... Normal. Seria o mais óbvio, o mais fácil ‘pré-conceito’ a ser gerado. Quem trabalha no meio sabe que isso infelizmente acontece - e muito! (mais do que deveria).

Interessante saber o que um ator pornô tem curiosidade de saber de outro, por exemplo. Descobri que muita coisa a gente nem supõe que aconteça da maneira que se dá - com menos ‘furor’, menos sex-appeal que gostaríamos, inclusive. Outras, surpreendem-me ainda.

Quantas vezes por semana um deles transa ‘à paisana’? Eu chutaria que quase todos os dias. A média deles se equivale a de qualquer solteiro ‘bem apessoado’ que esteja circulando solto por aí. Ou menos até. Nesse caso vale a máxima que “Em casa de ferreiro o espeto é de pau”.

Tome cuidado antes de fazer qualquer julgamento sem fundamentos, sem ter real noção da realidade. Somos passíveis de erro e por isso a importância de estarmos dispostos a entender um novo meio, novas pessoas, e uma realidade diferente da maioria das pessoas.

Lidar com sexo de uma maneira natural (afinal sexo É natural) é muito bom. O ser humano é que complica, implica, proíbe e atrapalha. Tenho certeza que se fosse abordado desde sempre de forma mais aberta, liberta e inteligente haveria menos gente infeliz no mundo.

Veja tudo com olhos de criança. Sinta-se à vontade.

Friday, 1 May 2009

ela só pensa naquilo!


Dia do Trabalho.

- Com o que tu trabalha?
- Com televisão. Sou jornalista.
- Mas o que tu faz?
- Produzo e dirijo as gravações proramas de TV (e faço uns freelas de assesoria de imprensa para amigos).
- Legal. Que programas?

Por que eu sempre estou certa que esse será o início de um longo diálogo sobre o meu ofício? Simples: Porque eu trabalho com sexo.

As pessoas têm muita curiosidade a respeito, embora algumas se mostrem logo ofendidas com o assunto. Não é raro alguém (principalmente mulheres - por que será?) serem ríspidas ao saberem o que eu faço - e olha que eu nem faço sexo por dinheiro, apenas coordeno quem faça e quem trabalha com isso. Sem muita questão de me explicações, não dou pano pra manga.

A reação dos homens é sempre mais interessada, e por vezes sacana. Já estou acostumada com uma primeira má impressão, mas em seguida dou uma brincada com a situação (quebrando o clima) e o papo flui descontraído. Engraçado que muitos me tiram para consultora sexual.

Certa vez o amigo de um conhecido, ao saber com o que eu trabalhava, pediu a minha ajuda para solucionar um problema com a sua esposa. Ele me perguntou o que ele deveria fazer para que ela parasse de lhe encher o saco, que ela andava muito chata, não afim de sexo etc. Pensei e respondi serena: "Um cartão de crédito ilimitado. Ela vai te amar assim. Ficará tão feliz que vai parar de te encher o saco e te dar feito louca!".

O que o cara esperava que eu dissesse? "Faça sexo oral nela" (ou sei lá)? Não sou sexóloga, tampouco uma especialista em sexo. Claro que eu aprendi muito nesses quatro anos - que completo em agosto - trabalhando nos programas do Sexy Hot, mas nada que me torne uma 'expert' no assunto, embora lide superbem (e goste) do esporte.

Trato com profissionais mais preparadas para apontar esse tipo de solução, como a personal sex trainer Fátima Mourah, a terapeuta sexual Izabela Berg, a sexóloga Kátia Valladares, ou a sex personal Rytah Rosttirola - todas do programa Boa de Cama. Não é o caso, mas para ter obtido uma resposta sexual, de repente ele deveria ter perguntado à Carol (Ferreira, apresentadora do Zona Quente). Ela é a cara do programa e está sempre disposta a colaborar, sem a menor cerimônia.

O que aprendi trabalhando com sexo? A respeitar o prazer alheio. Não me interessa julgar como os outros obtêm prazer. Se for consentido por todas as partes envolvidas - sejam duas, ménage ou suruba, está valendo! Além disso, quero que todo mundo transe MUITO. E se a maioria quiser dar entrevista e autorizar aparecer então... uma maravilha!

Sou bem objetiva, séria, e bem quista no meio porque trato todo mundo com respeito e dignidade. Faço malabarismo com fatos e interesses. Costumo parabenizar a Carol porque tiramos leite de pedra a cada gravação. Quem pensa que é fácil achar quem REALMENTE quer falar de sexo e aparecer - muitas vezes transando, nunca trabalhou com isso DE VERDADE.

No final das contas, só penso naquilo! (e ainda sou paga para isso!). E se meu chefe me pega vendo um site de sacanagem no expediente de trabalho ele pára e assiste comigo - isso quando não foi ele que me mandou... "Simples assim".

Sunday, 12 April 2009

homem primata


Eu tinha uns oito anos. Estava com minha mãe esperando um ônibus no terminal do mercado público. Vi um senhor me olhando. Era o pipoqueiro. Lá de sua barraquinha ele me fitava e isso me chamou a atenção. Eu olhei e, lá pelas tantas, ele colocou a língua para mim, mexendo-a de cima para baixo em movimentos repetitivos. Respondi mostrando a minha língua para ele. Não entendi o gesto dele, suas intenções, mas não senti uma energia positiva em seus olhos e comentei com minha mãe. Quando ela se virou, ele parou.

Não lembro por que estava chegando atrasada ao colégio. Tinha 13 anos. A rua estava deserta e um homem vinha na minha direção. Cruzamos no meio da quadra, a uns 30 metros da porta principal da escola. Quando ele estava passando bem ao meu lado, chamou minha atenção ao falar alguma coisa. Não parei de andar, mas olhei para ver o que era. Ele se movimentava como se estivesse sentindo alguma coisa ruim, sofrendo. Estendeu a mão na minha direção e na sequência já colocou a outra dentro das calças e começou a se masturbar ali mesmo. Saí correndo assustada e contei na secretaria o que tinha acontecido. O cara não estava mais lá.

Já faz um tempinho, cheguei no ponto de ônibus em frente ao Rio Sul. Eram 22h30min aproximadamente. Fiquei ali alguns instantes até perceber que duas adolescentes próximas a mim olhavam para dentro de um táxi estacionado no lugar onde os ônibus param para pegar os passageiros. Elas riam, incomodadas, mas continuavam ali. Meu olhar curioso seguiu o delas e o que vi foi a mão do motorista deslizando sobre seu pênis ereto dentro do carro. Não consegui ver o rosto do sujeito. Saí dali na hora e logo em seguida veio minha condução.

Fiquei me perguntando o que mantinha aquelas meninas ali - curiosidade, desejo, tesão? E o pior: constatei o quanto vulnerável podemos ser ao entrar num veículo desses, que presta serviço público. Um perigo! E o velho tarado da pipoca? Um nojento sem vergonha atiçando uma criança. O que leva os homens a agirem assim? Eles perdem a razão e nos invadirem com essa falta de controle de seus instintos sexuais. Desconheço tal poder no comportamento feminino, tal abuso.

Já vi mulheres em situações vulgares, feias, over (normalmente estimuladas por um alto teor alcoólico), mas nada se compara à capacidade masculina de abordagem sexual. Um exemplo: nós podemos até elogiar um homem bonito e gostoso que passa pela gente na rua, falar alguma gracinha, mas dificilmente vamos passar a mão na bunda dele! E, ao contrário dos homens, fazemos isso mais quando estamos em bando. Sozinha é muita ousadia.

Acho elogios sempre bem-vindos, mas com moderação. Não tem o que me enoje mais do que aquele homem que se aproxima de ti na rua e consegue fazer com que só tu escutes o absurdo que ele tem a te dizer: verbos intencionais e partes do corpo feminino no diminutivo. E quando olham com desejo para crianças inocentes? Vi esses tempos um cara flertando na Glória uma menina que, na boa, não tinha nem dez anos!

Um alerta para os pais: se liguem! Fiquem MUITO atentos com seus filhos. Não deixem ninguém ter contato muito íntimo com crianças. Elas são indefesas e não têm a maldade própria dos adultos. Se acontecer algo, pode ser que nem perceba o que está acontecendo e só vá saber o que aconteceu depois, quando crescer. Tarde demais, talvez, para poder se dar um corretivo num criminoso desses.

Criar cidadãos sagazes, espertos, contra esse tipo de comportamento animal é o objetivo e a solução. Melhor prevenir. Quando tiver meus filhos, vou ser a mais chata com isso. Não vou deixar se repetir episódios tristes como os que ocorrem por aí todos os dias, com muito mais gente do que se imagina.
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c'est fini!