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Thursday, 8 April 2010

foi ontem


Ontem foi o dia do jornalista e... (? - boa pergunta!)

Na boa, foi-se o tempo em que a profissão era prestigiada, que dizer possuir a graduação tinha seu valor, em que executar tal ofício trazia certo glamour até,.. MUITO penso nisso quando lembro de A Vida Como Ela É, de Nelson Rodrigues.

Hoje, como qualquer um pode ser considerado um colega, tudo mudou de figura. Perdeu-se o respeito. E não foi só culpa da Lei, aprovada ano passado, tirando a obrigatoriedade do diploma para exercício da função, mas o mercado em si.

Em poucas redações, assessorias, produtoras, emissoras inclusive, ganha-se o valor que declaram na carteira de trabalho – isso quando a assinam(!), horas extras, trabalha-se somente as cinco horas previstas, e se tem, corretamente, outros tantos benefícios e responsabilidades aferidas.

Quem não perde o tesão? Quem não se vende por pouco hoje em dia, ainda sim sabendo que tem gente que quase faz de graça, sem mérito algum? Quem já não se esbarrou com promessas de grana zero para compor currículo? E por aí vai... mil questionamentos produtivos.

O que me motivou a seguir tal profissão: a possibilidade de mudar o mundo. Agora, infelizmente, vejo não nesse título, nem nas atividades executadas em geral, mas na capacidade pessoal de cada um, seu conhecimento, experiência - o canal para tanto.

Aliás, sinto que estou enxergando diferente a oportunidade de informar e, assim, de fazer as coisas acontecerem, como tem que ser. Vou mais fundo até, pois parece uma busca, um desejo pelo retrocesso (positivo), aonde tudo começou.

Engraçado, pois começo a perceber que, provavelmente, meu lugar não seja mais atrás das câmeras, por exemplo, onde estive por tanto tempo. Quem sabe não à frente, e de pessoas(!), e também de um monitor, transmitindo meu saber aos interessados?

Vejo-me, mais do que nunca, espelhada, inspirada num dos papéis mais lindos que podemos ter nesse mundo, nessa vida. De repente, cheguei no meu topo momentâneo e a hora é de mudar, mais uma vez... e se preparar, claro. Sempre estamos em tempo.

Não que não me caiba mais, mas talvez EU não caiba mais nisso tudo. Que bom.

Sunday, 21 March 2010

escola


Como nunca havia assistido antes O Povo Brasileiro? Não me perdôo.

O mestre Darcy Ribeiro publicou dois anos antes de falecer a obra que deu nome, depois, ao excelente documentário produzido que citei (indignada comigo mesma). Aliás, se é para me culpar, agora é meu fim: nem o livro li ainda! Podem me apedrejar, sou ré confessa.

Também não concebo o fato de não termos fácil (e obrigatório curricularmente) acesso a esse tipo de material na escola e na academia. Fiz cadeiras de antropologia na universidade e não fui apresentada a esse título, por exemplo. Uma CRUELDADE com os estudantes esse distanciamento com nossas raízes, de forma geral.

Se João Goulart não tivesse sofrido o Golpe em 64, se Darcy tivesse sido governador do Rio em 86, ou se o seu projeto dos Cieps com Brizola tivesse de fato dado certo, teríamos hoje uma realidade completamente diferente e mais rica em termos de educação. Lamento essa falta de oportunidade, de visão, patriotismo, civilidade, noção.

Bom, sempre estamos em tempo de mudar... Então, para quem ainda não conhece, que mergulhe nesse mundo tão fascinante que é a NOSSA história. Direito, obrigação e conhecimento básico a qualquer habitante desse vasto território saber mais sobre nossas origens e cultura. Uma breve pesquisa no Google já ajuda.

Temos uma visão limitada de nós mesmos. Infelizmente, nossa dominação eurocêntrica fez com que não nos identifiquemos como deveríamos, não nos conheçamos por inteiro, porque as tradições indígenas e africanas não sobreviveram fortes ao massacre ocidental a nós imposto.

E, diferente do passado, hoje seguimos o modelo de sociedade norte-americana, cujos ideais capitalistas sobressaem a valores humanos e naturais. Ou seja, é com pesar que afirmo nunca ter havido de fato um olhar interior, como propunha Darcy em sua trajetória antropológica.

Em meio a tantos erros relacionados ao ensino, fico feliz em saber que nas escolas do MST os alunos aprendem seus conceitos e trabalham no método do educador Paulo Freire. Esses sim, terão contato com nossa verdadeira face, pois os objetivos são outros – como o conhecimento e o respeito para com a terra-mãe, por exemplo.

Àqueles que querem saber mais sobre O Povo Brasileiro, segue um link da TV Cultura:
http://www.tvcultura.com.br/aloescola/estudosbrasileiros/povobrasileiro/. No site do Youtube, o documentário pode ser visto dividido em diversas partes. Assistam, interem-se, conheçam-nos... prazer!

Darcy fez Escola, com letra maíuscula. Assim, quero ser estudante SEMPRE (no sentido mais longo e permanente que a palavra possa ter) . O próximo livro a ser lido, e um filme a ser sempre revisto será esse, o NOSSO: O Povo Brasileiro.

Tuesday, 27 October 2009

ao mestre com carinho


Ouvir que você foi a melhor aluna de um professor é um elogio que devemos levar conosco pelo resto da vida. Ganha-se o dia. Sinto-me uma vencedora com tamanha honra. E a única coisa que tenho a dizer é ‘obrigada’. Aprendi MUITO, principalmente a questionar – e acho que só por isso já vale, sendo que tem mais...

Fico orgulhosa, mas sei que poderia ter sido melhor sempre, e não como acabou sendo na minha pós, por exemplo, quando o trabalho interferiu de maneira tórrida e não me permitiu doar-me por inteiro como antes. Na faculdade, antes mesmo, já foi assim – tanto pelos estágios, quanto pela imaturidade da pouca idade.

Se voltasse atrás, óbvio que me dedicaria mais. Estudaria mais. Nunca fui muito de estudar, porque gosto de prestar a atenção e acabo captando a mensagem durante as aulas e não acredito que uma prova seja a melhor forma de avaliação. Estuda-se um dia antes, fica-se com tudo fresquinho, acerta-se as questões embora não se tenha aprendido de fato.

As melhores lições são as da vida, do contato, do exemplo. Tornei-me jornalista por causa da Eleara Manfredi, minha profe(ssora) querida. Além de lecionar, de ter me dado aulas de História (e Geografia em algum ano) da 5ª à 8ª séries, ela era formada em comunicação e isso me inspirou em muito. Pensava que com o poder da palavra poderia mudar o mundo. E posso, dentro das possibilidades.

Hoje, já vou além e vejo o quanto um palco, um quadro, podem também transformar localmente, intensamente. E esse poder ninguém tira dos heróis responsáveis pela educação. Espelharia-me ainda mais nessa guerreira se pudesse transmitir todo meu conhecimento a algumas pessoas em sala de aula, e ficaria radiante se isso contribuísse para suas vidas, como aconteceu comigo.

O bom é transcender isso e tê-la como amiga. Questiono-me por vezes se ela se orgulha de mim, pois sempre penso que poderia fazer mais e mais, que meu alcance é limitado e minha realidade em função das necessidades cotidianas está viciada, ofuscada, mas não meu caráter, minha formação, meus ideais. E gostaria que soubessem disso.
Esse post é ao meu mestre, com carinho (que é ela, na verdade).
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passatempo

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  • dê atenção às pessoas
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  • respeite a natureza e os mais velhos
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  • siga a sua intuição
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  • tire alguém para dançar
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  • viaje sempre
  • viva menos virtualmente

c'est fini!