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Wednesday, 10 August 2011

Friday, 29 October 2010

com a bruxa solta

 
Eu não duvido que elas existam. E sei que, em princípio, historicamente, qualquer mulher pode ser uma…

Na numerologia, dizem que a soma dos dias quando dá 11 é sinal de que algumas coisas podem não sair como o planejado… ou algo assim. Ou seja, nesse final de outubro, deveria ser hoje o Dia das Bruxas e não 31, quando se comemora (mas pergunto: quem e onde?).

Opa, essa questão de festejar essa data é bem controvérsa, sendo esta uma cultura e tradição dos Estados Unidos que está sendo encorporada, assim como outras tantas. Dói meu coração ver dezenas de crianças fantasiadas, pedindo doces, mais do que eu vi no Dia de São Cosme e Damião, por exemplo.

Pior é que o incentivo vem das escolas e das próprias famílias (tudo bem se forem as de inglês, ou as americanas - aí é compreensível). Se o problema é ser o dia dos santos das crianças um festejo religioso, indago sobre a origem do tal Halloween. Alguém sabe? Ou apenas incluiram a comemoração no calendário sem ao menos se questionarem por quê.

Num país tão tolerante como o Brasil nessa questão de adaptação ao diferente, não vejo problema a aceitação do novo, mas sim a maior valorização do que é externo, deixando de lado, em segundo plano, esquecido, por vezes, o que é nosso, próprio daqui. Viva São João, Cosme e Damião, São Jorge, Iemanjá, nosso carnaval, e ainda: Mônica e sua Turma, O Sítio do Pica Pau Amarelo, O Menino Maluquinho e tantos outros ícones nossos.

No mais, no que diz respeito às superstições, podemos lidar bem com as bruxas apenas quando temos a consciência de que elas existem e estão à solta. O resto, para nós, deveria ser só abobrinha! - sim, numa alusão ao símbolo maior da festinha yankee.

Monday, 17 August 2009

por trás de uma tradição


Gueixas são experts na arte da sedução. Elas se arrumam, maquiam-se, dançam, cantam, servem e adulam seus clientes. São caros e disputadíssimos seus serviços. Mas não se iludam, elas não são prostitutas, embora esse limite seja bastante tênue e de difícil compreensão na nossa cultura ocidental.

Uma coisa é fato: elas não trabalham diretamente com sexo. O governo do Japão lhes deu somente permissão para trabalharem como artistas. E como o proibido é muito mais atraente, é justamente isso que atrai diversos homens nessa milenar tradição japonesa. Existe toda uma preparação para uma mulher se tornar uma gueixa, e por isso essa condição é cercada de tanto status.

Lindas, anônimas e enigmáticas, são donas de um estilo de vida que inspirou livros e filmes, pois vivem num universo reservado, muito fechado. São um dos símbolos mais marcantes de seu país e já estiveram inclusive em melhor posição do que mulheres comuns, mas tiveram problemas na sociedade japonesa – isso antes do século 19. Não raro, meninas eram vendidas às casas de chá (hanamachi), para se tornarem maikos (aprendizes de gueixas).

Num mundo de romance, luxo e exclusividade, não muito diferente do que acontece aqui, ainda hoje, com as nossas profissionais do sexo, alguns homens ricos, chamados danna (patronos) pagavam muito dinheiro para ter a atenção pessoal de uma gueixa. Assim, elas não podiam se casar e dependiam financeiramente de seu danna para pagar suas despesas. E em alguns casos, outros homens pagavam muito dinheiro para tirar a virgindade das novas meninas (mizuaje).

A reputação dessas mulheres-artistas se elevou após a Segunda Guerra Mundial, quando leis importantes foram criadas, protegendo meninas de serem vendidas às casas de chá, ou terem suas virgindades leiloadas. Hoje, mulheres só se tornam gueixas por sua própria vontade. E essa realidade segue inacessível para a maioria dos mortais. É privilégio de poucos empresários ricos, políticos poderosos, renomados artistas e ou temidos yakuzas.

E levanto a mesma questão que fica no ar no filme de Spielberg (Memórias de uma Gueixa): pode uma gueixa amar? E as prostitutas? – com elas, é diferente? Seriam essas profissões um tanto ‘perpétuas’, que aprisionam as mulheres e as deixam fadadas ao mesmo destino? Ficam aí minhas dúvidas quanto a essas profissionais da sedução, que nunca podem discordar dos homens, falar de assuntos que os perturbem e vivem para agrada-los, e não a si mesmas.

Saturday, 4 April 2009

macaca


Assim sempre fui chamada. Todos somos, na verdade. Não tem jeito! Desde a infância, os gremistas insistem em nos apelidar desta maneira pejorativa. E isso acontece ainda hoje, mesmo com a (in?)consciência de ser esse um termo politicamente incorreto e infeliz.

Hoje é centenário do colorado campeão. Motivos temos de sobra para comemorar, para se orgulhar - dos anos de aperto aos momentos de glória. Confesso que não sou a torcedora mais fervorosa (nunca fui), mas fico chuleando sempre para meu time ganhar. Normal. Posso dizer que com a exceção do meu tio mais novo e de minha irmã, minha família toda é colorada. Meu pai é gremista, mas não é dele a minha referência de futebol.

Em minhas lembranças de menina tenho as ruas do Menino Deus tomadas por quem estava à caminho do Gigante da Beira-Rio, as torcidas organizadas que passavam em frente ao meu prédio e me faziam correr para a janela, o canto do bêbado do bairro que antecipava as partidas e só voltava a se ouvir (caso o Inter ganhasse) na terça feira - era o tempo de ele se recompor do trago e voltar à ativa feliz da vida *(fiquei curiosa agora para saber se ele ainda (r)existe... vou perguntar à minha mãe amanhã com certeza!), a memória do estádio dos Eucaliptos, uma maré vermelha e branca gritando "Ah, eu sou gaúcho!".

Não sei se tive uniforme quando bebê, então creio que minha primeira camiseta do Inter tenha sido a que eu ganhei do Fedê quando eu tinha uns 12 anos, e que tenho até hoje. É uma relíquia dos anos 80, que tem meu número da sorte estampado nas costas, oito. Ganhei a segunda do meu padrasto nesse verão (a prova de que nunca fui muito ligada nisso) - uma regatinha bem transada que é um híbrido moderna-retrô. Tive alguns acessórios nesse meio tempo, claro - meias, ímãs e chaveirinhos com o mascote do time (o simpático saci), etc.

Todas as minhas casas sempre tiveram símbolos indicando que ali morava uma colorada feliz. Hoje tenho em cada cômodo pelo menos um brasão do timão. Para minha surpresa (e alegria da família), ando bem a fim de investir mais num guarda-roupa colorado e em outros souvenirs.

A rivalidade entre Grêmio e Inter é uma das maiores do mundo. Para se ter idéia, Porto Alegre é o único lugar do país onde se vêem bandeirinhas azuis do PT em época de eleição, símbolo do Banrisul em vermelho e da Coca-Cola em azul. Ninguém entra de azul no Beira-Rio e de vermelho no Olímpico. Recordo dos nostálgicos "conflitos" moquenses entre as fámílias Freitas (gremista) e Lima (colorada) em dias de Grenal que ecoavam pela vizinhança.

Hoje, minha nova família aqui no Rio é composta por uma maioria de gaúchos, e adivinhem?! São todos super fanáticos por futebol! - o que faz com que nunca se percam os laços, a paixão e a implicância com o Grêmio. Tem coisas que são culturais e difíceis de compreender. Uma delas é justamente essa bipolaridade da tradição gaúcha. Lá é 08 ou 80, Chimango ou Maragato, PT ou Anti-PT, Inter X Grêmio.

As pessoas aqui no Rio não entendem... acham que a rixa entre o Flamengo e qualquer um dos outros três grandes times daqui se compara ao que acontece no Rio Grande. Sem noção. Acho engraçado quando às vezes me perguntam para qual time carioca eu torço. "Sou colorada", retruco. Garanto que a resposta seria a mesma tratando-se de um gremista. Podemos até simpatizar com algum time local, mas não tem essa de trocar de time ao se mudar de cidade/estado/país/planeta. E não teria como ser diferente: meu time é 'internacional' MESMO, ganhou todos os compeonatos possíveis para um time brasileiro.

Podem gastar o quanto quiserem por aí em cartões de crédito, mas ser um colorado feliz e orgulhoso, não tem preço!
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c'est fini!