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Friday, 5 October 2012

dicotomia

O Parque da Harmonia, estimado lugar que faz parte da tão primada tradição gaúcha, recebeu o nome do fundador da RBS em 1987. Faz tempo... (ou alguém esqueceu?)

Outra: hoje em dia, praticamente todos eventos culturais recebem o patrocínio de empresas privadas - mesmo o Acampamento Farroupilha. E a maioria deles só acontece graças a esse auxílio financeiro.
 
Oposições à parte, esse tipo de prática é recorrente em Porto Alegre, em diferentes níveis. Fato.

Reflexo de uma contemporaneidade corporativa mundialista, viral, forte e onipresente. Ou 'psicopata', como definiria o filme The Corporation.

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do local para o global 
(ou vice-versa)

O pior não é a imagem da Coca Cola massivamente em Porto Alegre, patrocinando reformas no Largo Glênio Peres, no Auditório Araújo Viana (wherever!), mas a ausência do Estado, sucateando bens públicos. Admitemos que, antes, esses espaços eram sujos, ruinosos... nojentos até(!), apesar de toda bagagem histórica cultural e política ligada a eles. Em tempos de preparação para a Copa (e campanha!), o prefeito da cidade (e candidato à reeleição!), José Fortunati, passou à diante a responsabilidade de um serviço de base. Esta questionável terceirização, por sua vez, proporcionou uma melhor estrutura em termos de limpeza, tecnologia, segurança etc. Mérito esse que foi incapaz de adquirir em seu mandato com os recursos devidos.

Mais lastimável que a ofensiva da Brigada Militar contra os manifestantes desgostosos com a "venda" da capital gaúcha à multinacional, é sua presença ostensiva em defesa de interesses exteriores aos da população em geral (ou a prioridade agora é interceder em prol do mascote tatu? - na verdade, 'TATUdo errado'!). É difícil ver tantos brigadianos reunidos, prontos, dispostos e incentivados a proteger o cidadão - de bandido, injustiça, violência, corrupção... Normalmente, falta polícia nas ruas, sobra insegurança.


Quando os papéis se invertem, é aí que mora o perigo...


Estar num local 'próprio', agradável, oferecido pela iniciativa privada (dessa marca), e ter a opção de beber outra, se e quando convier - a rival Pepsi, por exemplo (ou melhor: nenhuma das duas, mas um mate, respeitando as ra
ízes), parece-me melhor que deixar de frequentá-lo por falta de condições ideais, precariedade. Onde está a liberdade? - ou a privação dela. E ainda: sua  'privatização', nesse caso. Impostos foram pagos. Investimentos feitos onde? - essa é a questão. Pelo menos, parte do dinheiro de quem compra esse refrigerante, a gente conhece o destino.

Que fique claro: não sou a favor deles, muito menos dessa situação ridícula a que se chegou. Entretanto, convenhamos: atualmente, empresários capitalistas são mais competentes que nossos politicos nesse sentido. Infelizmente. Ou seja, NÃO é "culpa" exclusiva da Coca Cola, em si. Ela (apenas) desempenha super bem seu trabalho no sistema econômico (e selvagem!) em que vivemos. Cruel, mas é essa a realidade.

Fora SIM, mas (também) o(s) mau(s) governante(s) permissivos que estão no poder. São eles que oportunizam tudo isso.

A instisfação social é saudavel, coerente, bem-vinda. No entanto, a fúria do povo está mal focada. A grande arma de mudança é ainda o voto (frase de efeito - excelente em véspera de eleição!).

Viva a democracia! Afinal, é tudo uma questão de escolha. 

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 sem vestir a camisa

Admito que (ainda) bebo Coca-Cola, embora não me orgulhe, e evite. Porém, JAMAIS seria capaz de publicar (por livre e espontânea vontade, e em sã consciência) meu nome numa latinha deles e divulgá-la
na internet ou onde quer que seja(!) DE GRAÇA e (ainda por cima!) cheia de brios.

Bom, para aqueles que o fizeram (principalmente os porto-alegrenses que estão a reclamar agora, infelizes com essa invasão toda), meu recado:



Tuesday, 11 May 2010

I have a dream


Estamos sonhando, ou o Brasil vai mesmo ajudar a União Européia nessa crise, emprestando dinheiro à Grécia? E mais: Petrobrás engajada em auxiliar a empresa britânica BP na contenção do vazamento de petróleo que assola os EUA? É a globalização tupiniquim.

E Lula é o responsável. Mérito dele. A "Culpa" NÃO é do Fidel dessa vez, é de outro barbudo (talvez o quarto mais popular do mundo... e por que não o terceiro, em breve? Tomara!). *Ah, e do PT, claro! (“pra variar”... )


“Ele é O cara” – assim o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já o elogiou publicamente, e os jornais espanhol, El Pais, e francês, Le Monde Diplomatique, confirmaram, este último denominando-o 'l'homme de l'année', em 2009. Até a revista yankee Times se rendeu, elegendo-o como um dos governantes mais influentes do planeta. É inegável sua popularidade, portanto, e não gratuita.

Essa é a hora e a vez de Lula, que aqui conquistou 83% de aprovação no Nordeste, 70% no Sul e 67% no Sudeste. O "semi-analfabeto", como muitos de seus opositores (ainda) só assim conseguem enxergá-lo, superou quaisquer supostas limitações e chegou ao topo – posição que outros colegas acadêmicos jamais alcançaram.

O Brasil reflete a ÓTIMA fase. Trouxemos para cá eventos mundiais como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, quitamos nossa dívida com o FMI (agora somos credores, ELE é que nos deve!), estamos colaborando com outros países, criando laços nunca antes pensados...

Agradamos judeus e palestinos, norte-americanos e iranianos, gregos e turcos (descendentes contemporâneos dos antigos troianos). Surpreendente! Ele é UNANIMIDADE lá fora e, por aqui, até (o pré-candidato tucano à presidência) José Serra o elogia, reconhecendo que é bom para o Brasil... Na boa, quando e com quem isso seria possível?

Realmente, os tempos são OUTROS! Com nossa economia aquecida, hoje somos apontados internacionalmente como o 'país do futuro'. Condições foram dadas para tanto, à população. Os dois governos de Lula elevaram a renda per capta nacional, que cresce 5,3% ao ano.

Aliás, sua distribuição é a melhor desde a redemocratização. O número de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria caiu 43%. Além disso, foram criados 12,2 milhões de empregos formais, e o salário mínimo hoje compra 2,2 cestas básicas – mais que o dobro dos índices de 2003.

A situação só tá preta lá nos EUA (e no Mar Mediterrâneo)! Sinceramente, não sei do que tanto esses anti-petistas, que se opõem veemente a Lula, reclamam. Acho que é dor de cotovelo, ou seria pelo dedo no orgulho ferido, ou do braço torcido, língua mordida...

Acordem! Ficar se beliscando, não acreditando no que está diante dos olhos, provado pelos números e estatísticas confiáveis, é estupidez, ignorância, tortura... só vai fazer doer mais, dar dor de cabeça e de garganta também – porque, essa REALIDADE, querendo ou não, vão ter que engolir!

Sendo assim, em ano de eleição, sejamos coerentes e evitemos pesadelos, POR FAVOR!

*Parece ironia colocar esse título no texto, em inglês, inspirado no discurso inflamado e ideológico do ativista político estado-unidense Martin Luther King, mas o momento permite tal analogia e licença poética. Estou inspirada... Eu posso. E você? Também - Now... "Yes, we can".

Fontes: Folha Online 1, Folha Online 2 e Correio do Povo –  este pelo Grazazá.

Saturday, 25 July 2009

do luxo ao lixo


Inaceitável esse recebimento de lixo inglês em diferentes portos aqui no Brasil esta semana.

É muito bonito países ricos bancarem uma de bonzinhos dizendo defender o meio ambiente na mídia (o que está super in atualmente devido a problemas pertinentes como o aquecimento global, por exemplo), mas então se descobre que eles mandam para lugares mais pobres seu lixo doméstico, químico e industrial para ser queimado ou enterrado. Essa foi a crítica maior de nosso Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Atitudes que vão do luxo ao lixo, sem escalas.

A prática não é comum, porque há muita gente preocupada com o futuro do planeta, mas infelizmente acontece. E esta não foi a primeira vez que ocorreu por aqui. Já recebemos toneladas de lixo da Bélgica em 2004, contendo inclusive substâncias tóxicas perigosíssimas. E antes disso, em 1992 (ano da Eco 92, aqui no Rio), trabalhadores portuários já haviam sido contaminados com lixo químico vindo de outras nações.

A mercadoria, oriunda do porto inglês de Felixtowe, foi importada sob a fachada de plástico para reciclagem. Dentro dos 89 contêineres vieram seringas, camisinhas, banheiros químicos, lixo hospitalar, fraldas usadas, tecidos, cartelas vazias de remédios e pilhas, entre outros produtos – mais de 1.400 toneladas de lixo domiciliar e tóxico.

Brasil e Grã-Bretanha são dois dos 170 países signatários da Convenção da Basiléia, que proíbe o trânsito de resíduos sólidos e líquidos perigosos entre países, sem consentimento de quem os recebe. A situação do mercado é outra, entretanto. O alto valor de multas e os elevados preços da tonelada de lixo depositada em aterros nos países desenvolvidos leva companhias a exportar seus detritos ilegalmente. E o crime organizado (leia-se, máfia italiana) envolvido com esse mercado, colabora para seu envio ilícito a países africanos, na esmagadora maioria das vezes.

Embora empresas que atuem aqui possam importar materiais como sucata de papel, ferro, aço etc, teme-se que outro tipo de lixo seja também enviado para cá, o eletrônico (chamado e-waste) - altamente prejudicial ao meio-ambiente. Calcula-se que a atividade de exportação ilegal de lixo movimenta o equivalente a 10% do comércio mundial. É inegavelmente uma questão policial, política, diplomática, econômica e de segurança.

Empresas do mercado de reciclagem de plásticos como a Hills Waste Solutions, que já foi multada no Reino Unido por crimes ambientais, a Worldwide Biorecyclables e a UK Multiplas Recycling Ltd, essas duas do brasileiro Julio da Costa, devem ser severamente punidas nesses casos de crime ambiental. O Brasil está tomando todas as medidas cabíveis a fim de reapatriar esse lixo todo que veio parar em Santos, Rio Grande e Caxias do Sul.

Sinceramente, não sei como as pessoas que fazem isso com o planeta e humanidade conseguem colocar a cabeça no travesseiro à noite e dormir tranquilas. Tudo bem que provavelmente elas não estarão mais aqui quando toda esse merda (que é das grandes – a questão do lixo) feder. Mas eles não pensam em seus filhos e netos? Não, senão agiriam diferente, mais conscientes e com menos ambição.

É uma vergonha. E quanto a isso me refiro aos governos de diversos países subdesenvolvidos que facilitam a entrada do lixo 'desenvolvido'. Os empresários que, além de se aproveitarem da situação desvantajosa dessa gente que é obrigada a conviver com essa podre realidade, ainda prejudicam a todos nós, não ficam de fora dessa também - uma vez que as consequências desses atos impensados hoje, refletirão amanhã da pior maneira possível.

Um fato em meio a essa podridão me chamou a atenção: nossos jornais não divulgaram tal acontecimento com a merecida ênfase. Fora o tom criminoso da coisa (o que já daria importância ao ocorrido), trata-se ainda de um dos maiores problemas do mundo e nenhum dos grandes diários nacionais deu manchete de primeira página a essa história incabível. O Times de Londres, sim.

O meio ambiente já começa a reclamar dos maus-tratos de seus posseiros. Outro dia falarei sobre a ilha de lixo que existe no oceano que desconhecia e quando soube de sua existência fiquei da mesma forma chocada e triste por nós. Esses poréns sempre terão espaço e notoriedade aqui, enquanto a mula rugir.

Tuesday, 21 July 2009

questão de espaço


Quarta-feira, 20 de julho de 1969, no horário de Brasília: 23h56min20seg. Ontem fez 40 anos que supostamente o primeiro homem pisou na Lua. A pegada mais importante da História foi do pé esquerdo da bota azul tamanho 41 de Neil Armstrong, astronauta norte-americano hoje considerado herói (aliás, há quatro décadas já). Sua frase ficou marcada para sempre na vida de centenas de milhões de telespectadores que o acompanhavam naquele momento único pela tela de seus aparelhos televisivos: "Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade".

Não participo de qualquer teoria conspiratória anti-americana sobre a chegada do homem lá, mas sempre fico atenta a interesses e manipulação dos fatos quando se tem muito poder envolvido, dinheiro e soberania num mundo até então dividido em dois. O que mais me convence sobre a real presença do homem na Lua naquela ocasião foi a aceitação russa a respeito. A Guerra Fria seguia sob o comando de duas mega potências que disputavam até as últimas instâncias a Corrida Espacial que marcava esse período político mundial. O silêncio da principal rival dos Estados Unidos me conforta. Houve até certa censura por lá no que se refere ao sucesso americano na missão lunar.

O motivo? Recalque, provavelmente. Durante certo período, a então União Soviética esteve em vantagem. Em 1957, enviou ao espaço o Sputnik (‘Companheirinho’ em russo) e depois, no mesmo ano, foi a vez da cadelinha Laika. O feito espacial mais importante até então tinha sido deles: a primeira viagem de um ser humano fora da órbita terrestre, em 12 de abril de 1961. A bordo da Vostok I, o cosmonauta Yuri Gagarin ao avistar a superfície de nosso planeta deixou sua impressão para a posteridade: “A Terra é azul". No auge de seus 27 anos, o russo completa seus dizeres com um “Mas não há Deus” – a conclusão óbvia não poderia ser diferente vinda um jovem comunista. Perfeito.

Depois de superados essas três vezes pela URSS na exploração do Espaço, os Estados Unidos finalmente deram início a um dos sonhos mais antigos do homem no dia 16 de julho de 1969, quando foi lançada do Cabo Canaveral a Apollo 11, nave espacial que conduziu três tripulantes à missão que transformou em realidade a chegada do homem à Lua. Neil Armstrong e Michael Collins, hoje com 78 anos, e Edward “Buzz” Aldrin, 79, aterrissam em nosso satélite, mas só Armstrong e Aldrin deixam o módulo de comando e caminharam sob o solo lunar.

Num gesto tipicamente imperialista, uma bandeira dos EUA foi fixada na lua junto a uma placa, assinada pelos três astronautas e pelo então presidente norte-americano, Richard Nixon, com os dizeres: "Aqui homens do planeta Terra colocaram pela primeira vez o pé na Lua. Julho de 1969. Nós viemos em paz, em nome da humanidade". Foi um feito simbólico que serviu para estimular o orgulho patriótico ianque, mostrando ao mundo o respaldo deles, e entusiasmar a população mundial sob o slogan da superação de limites.

Muitos dos avanços tecnológicos que desfrutamos hoje foram criados naquela época, devido a pesquisas de aprimoramento das missões espaciais. Pode-se afirmar que o maior legado deixado à humanidade pela chegada do homem à Lua foi a globalização da informação. Essa conquista dos norte-americanos resultou mais em frentes como meteorologia, eletrônicos, plásticos, materiais sintéticos, telecomunicações - na comunicação mundial instantânea via satélite e no uso de computadores pessoais, e, claro, na astronomia também - em estudos sobre a composição geoquímica do Sistema Solar, por exemplo.

A promessa do ex presidente John Kennedy havia sido cumprida. Mais de um bilhão de pessoas puderam assistir ao vivo aquelas imagens, ainda em preto e branco, que sempre serão lembradas. Foi a primeira exibição televisiva em nível mundial, ao vivo para todo o planeta, diretamente do espaço. Um marco jornalístico, uma evolução em termos de transmissão e abrangência dos meios de comunicação. Hoje os veículos se reinventaram e novas mídias surgiram na inércia de toda essa movimentação e mobilização espacial. A internet nasceu em meio à Guerra Fria, inclusive, com o nome de ArphaNet.

O ideal hoje é usar e abusar deste recurso para não ficar alienado e alheio ao que está acontecendo por aí, compreender as entrelinhas de atos e medidas tomados na sua Família, Escola, Bairro, Cidade, Estado, País, Continente... no mundo inteiro! - e até fora dele. A internet é um canal mais livre para o conhecimento, mais democrático, mas a televisão segue com sua supremacia na influência das massas, com sua formalidade ao informar. É o veículo dominante ainda, mas até quando? Com essa convergência das mídias, não se sabe.

Estar no mundo da lua, talvez nem seja mais tão ‘fora da casa’ assim com essas coligações todas, essa interatividade e globalização. Tem que se ligar!
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A propósito:

A voz que anunciou a chegada do homem à Lua calou-se no 40º aniversário do feito histórico. A morte do jornalista e entusiasta do programa espacial dos EUA, Walter Cronkite, coincidiu com as comemorações de quatro décadas da missão. “Oh boy!” exclamou ele quando a Apolo 11 aterrissou. Aquelas imagens memoráveis, acompanhadas pela narração entusiástica de Cronkite, tem sido repetidas inúmeras vezes nos últimos dias. “Neil Armstrong, americano de 38 anos, está na superfície da Lua”, anunciava ele diante à imagem do astronauta dando seus passos para a eternidade. “Wow!”.

Sua cobertura do acontecimento entrou para a história da televisão e deu à CBS vitória significativa de audiência. Isso consolidou ainda mais o prestígio e a influência do âncora junto aos americanos do norte e fez dele o homem em que eles mais confiavam. Por cerca de 30 anos, mais precisamente entre 1962 e 1981 – período de soberania mundial ianque, ele entrou todos os dias na casa dos cidadãos norte-americanos dando as notícias do horário nobre. Ele era porta-voz da certeza dos EUA em comandar o planeta (e o espaço, a Lua, agora Marte... o universo inteiro). “And that’s the way it is”, como dizia ao final de cada jornal.

Saturday, 2 May 2009

a culpa é do porco


Em poucos dias tudo pode mudar. Essa é a prova que a força da natureza ainda é soberana aos interesses do homem. Em casos de doenças, porém, como a gripe suína (ou devo chamar de influenza A? - H1N1) que está acontecendo agora, questiono-me sobre possíveis teorias da conspiração.

O medo toma conta do mundo inteiro. O número de casos da doença confirmados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) praticamente duplicou nas últimas 24 horas e agora chega a 615, em 15 países, contabilizando 17 mortos. Essa representa o maior risco de uma pandemia em larga escala desde a gripe aviária que ressurgiu em 2003. E muita gente perde com isso, ainda mais em tempos de crise mundial. A economia é obviamente afetada, principalmente em setores como o turismo e exportação de carne de porco. No caso de diminuição das viagens e da atividade econômica, os preços do petróleo, já afetados pela recessão global, podem cair ainda mais.

Há um setor que prospera em tempos como esses de agora, entretanto. Mas quem poderia se beneficiar com tudo isso, eu pergunto? Companhias farmacêuticas e fabricantes de vacinas. A demanda pelo desenvolvimento de uma tratamento específico para a gripe suína é grande, embora os dados iniciais sugiram que as vacinas antigas podem fornecer alguma proteção contra o surto atual. Já as fabricantes do Tamiflu e do Relenza (antivirais utilizados contra a gripe aviária, eficazes contra o vírus H1N1) podem ter ganhos em vendas e na valorização das ações. Quem comercializa máscaras, que se tornaram acessório indispensável em todo o México, e fora de lá, também lucrou na inércia da gripe.

Há nove décadas o mundo se viu abalado com uma grande epidemia já globalizada, pois apesar de o vírus ter se espalhado a partir dos Estados Unidos, a gripe que matou milhões virou espanhola. A pior pandemia de todos os tempos deve seu nome, portanto, à censura dos tempos de guerra e não à sua origem, já que o primeiro caso foi registrado em Camp Funston (Kansas) em 4 de março de 1918. A imprensa dos países envolvidos na Grande Guerra não informavam sobre a doença para não desmoralizar as tropas, e as únicas notícias que chegavam eram da Espanha. Por consequência dessa falta de comunicação, em abril toda a América do Norte estava infectada, e o vírus já tinha chegado à Europa com as tropas norte-americanas.


Nesses casos alarmantes, preocupo-me principalmente com interesses maiores e (des)informação.
*O governo e mídia brasileira demoraram a orientar o povo brasileiro, recomendando que não viajasse para os países contaminados pela gripe suína. Outro ponto que critico aqui é a orientação geral sobre o consumo indiscriminado da carne de porco, que deve ser ingerida SOMENTE depois de fervida a pelo menos 70 graus, para que sejam eliminados quaisquer vírus que PODEM SIM estar nela. Com base nessa postura de nossos governantes e imprensa, sugiro que esses (maus) profissionais se utilizem das passagens grátis do recente escândalo e voem para Cancun, onde podem se deliciar com muita carne de porco mal passada.
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c'est fini!