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Friday, 7 December 2012

a breath of air

The time comes, even for those who we have thought be immortal.

Oscar Niemeyer, one of the last communists, died leaving much more than his architectural curves, embellishing cities (as the Contemporary Art Museum in Niterói, the Copan Building in São Paulo, the French Communist Party Headquarters,  in Paris, the
Mondadori headquarters in Milan, among other postcards...), or "simply" being an entire one, in the case of Brasília. These concrete symbols have another implicit message, that life must be enjoyed, even if it is not fair.

This is exactly what he did during his almost 105 years in this world.

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More about his life, in the documentary A Vida é um Sopro, or on his website.


Monday, 2 August 2010

(m)ismos


Os anos passaram e o “perigo” continua... Antes chamavam de comunismo; hoje, o bicho-papão tem outro nome: terrorismo. Esse pânico, criado e cultivado desde (e principalmente depois d)os ataques de 11 de setembro, nos Estados Unidos, alimenta a cultura bélica e armamentista yankee, fortalecida com as duas grandes guerras, e amadurecida com a Guerra Fria, todas ocorridas no século passado.

Os fins maquiavélicos capitalistas-imperialistas norte-americanos são justificados pelos meios duvidosos aplicados em busca de seus objetivos. Coloco o dedo na ferida aqui, mas também não concordo com o histórico cruel e sangrento de chineses e soviéticos para obtenção de poder no bloco socialista. Foram esses últimos, inclusive, que começaram a era de “terror” no Afeganistão, em 1979, invadindo o país, dando fim à onda pacifista da Hippie Trail, que por lá passava no auge dos anos 60 e 70.

Tais assuntos foram primorosamente abordados no programas que mais gosto atualmente em nossa televisão – “Sem Fronteiras” da Globonews e “Não Conta Lá em Casa” do Multishow, respectivamente, em suas sondagens: terrorismo e Afeganistão. O fato é que desculpas infundadas (como a de segurança) tem sido utilizadas para mascarar reais interesses de supremacia econômica e política, passando por cima de pessoas e meio ambiente, governos e direitos civis. Indeed, they really don’t care.

Acredito que é difícil vencer sem algumas atitudes extremistas. Por vezes, é necessário o tal do iron fist (ou seria ‘fist fucking our ass’?) para conseguir chegar aonde se quer. Alguém sempre vai sair prejudicado nessa triste constatação. Ser ponderado, entretanto, é uma conduta que deveria se trabalhar mais e melhor, a longo prazo – já que, nos imediatismos administrativos e diplomáticos, na maioria das vezes, é inviável "perda de tempo" com negociações e maior tolerância.
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sem escolha

No ensejo, exponho que, apesar de me agradar o fenótipo, depois que soube pelo Fantástico das repetidas ocorrências de casos aqui no Brasil de pais libaneses que sequestram seus filhos, levando-os para o país de origem, longe das mães, passo a ver esses homens com outros olhos. Preocupante. A questão da diferença cultural, já conhecida por mim, agora me assusta mais do que nunca.

Lamento o oriente ser um local tão perigoso para as mulheres, uma vez que outros tantos fatores e valores oriundos de lá me fascinam. Jamais poderia, por exemplo, fazer um reality como o de viagens incomuns, citado acima (que adoro!), porque alguém do sexo feminino, mesmo uma profissional, não tem a mesma liberdade que um homem para transitar livremente nos destinos visitados pelo grupo de amigos.

Contraponho-me ao machismo e à submissão a que as cidadãs (será que posso chamá-las assim, considerando a situação em que vivem?) são submetidas em territórios islâmicos. Seria o profeta Maomé tão injusto, ferrenho e radical com elas? – afinal, relacionou-se e casou com várias (não se conhece o número exato; mais de dez com certeza!), teve filhas... presenciou então um universo feminino amplo, embora pouco tenha convivido com sua mãe, que faleceu quando ainda era criança.

Não questiono aqui nem a poligamia, que seria um problema, alvo de críticas por várias pessoas. Não vejo nisso uma desvalorização nossa, dada a realidade dessas esposas em tradições cujo melhor destino é este, quase sempre o único a ser traçado. Também não me oponho se pudéssemos, nós, ter vários maridos nessa "liberalidade" quanto aos votos matrimoniais para os padrões cristãos a que estamos acostumados. O que me chama a atenção é o posicionamento da mulher como ser humano – o que não acontece por lá na nossa visão ocidental.

Também já fomos tratadas com inferioridade aqui mesmo nos primórdios, na civilização greco-romana. Até pouco tempo, aliás, não votávamos, sofríamos violências e preconceito, mas esse comportamento mudou nas últimas décadas e, hoje, é inadmissível para nós algo como o uso da burca, por exemplo. Não poder falar, estudar, trabalhar... a falta dessa civilidade é recriminada por todo o resto do mundo não-muçulmano, assim como a mutilação dos órgãos genitais de meninas realizada por tribos da África – uma barbaridade! (outro motivo para a mula rugir... aguardem)

Ser mulher é um desafio que muitos homens jamais compreenderão. Atualmente, grande parte  deles infelizmente ainda não nos vê como deveriam. A pretensão não é ser igual, pois jamais o seremos (porque somos biologicamente diferentes), mas termos liberdade (de escolha), condições e oportunidades, além de os mesmos direitos e deveres, cada um (com sua natureza) contribuindo do seu jeito para um mundo melhor. Básico, sem extravagâncias.

Saturday, 19 June 2010

ilustre mau caminho


Considero-me uma herege por não ter lido ainda o Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. Era para tê-lo feito em 2003, quando trabalhei com o tema em meu projeto de conclusão em fotografia, no final da faculdade. Felizmente, não estou tão à margem no que se refere ao maior autor de língua portuguesa até a atualidade, pois assisti (boqueaberta, e mais de uma vez) a adaptação teatral de O Evangelho Segundo Jesus Cristo.

Inúmeras polêmicas relacionadas a suas obras e seus comentários sempre me chamaram bastante a atenção e me fizeram admira-lo cada vez mais. Seu ponto de vista sobre assuntos relacionados à Igreja, sua versão sobre a Bíblia, Jesus e Maria Madalena, sua crítica a Israel e a Joseph Ratzinger (o atual Papa Bento XVI)... TUDO me soa como poesia aos ouvidos, uma vez que entendo e concordo com seus conceitos.

Engraçado perceber que, ainda hoje (e logo agora, em razão de sua morte), a primeira coisa que seus oponentes falam a seu respeito, numa tentativa de difamá-lo (ou, nesse caso, caluniá-lo – uma vez que a visão religiosa e política é outra), é que ele era comunista. Mesmo sendo conceituadíssimo por seu inquestionável talento literário, digno de um Prêmio Nobel, é esse título preconceituoso que importa para aqueles que não aceitam uma outra forma de ver os fatos.

A cara a tapa e o dedo na ferida me agradam. Tanto, que essa é uma homenagem póstuma ao português que enfrentou não só sua nação, mas o mundo em nome de seus ideais. Para ilustrá-lo, não poderia escolher outra imagem senão esta que remete à Madalena levando Jesus para o “mau” caminho, como assim o fez para o lusitano (bem como para esta mula que vos ruge sobre). E eu, reconheço que seguirei desvirtuada até que leia seus livros, enfim.

Saturday, 27 March 2010

antes que seja tarde


(1h da manhã)
- Alô? Estou te ligando pelo seguinte: temos que ir a Cuba URGENTE. É sério, amiga. Daqui a pouco não vai mais ser como é hoje. A hora é agora, Grazi!

Não lembro ao certo, mas a prosa com a companheira  historiadora tomou esse rumo. O álcool entra, a verdade sai: a cada dia que passa, fico mais preocupada em não conhecermos in loco o mundo comunista como ele ainda (r)existe. E, no caso exepcional de Cuba, o reflexo de 50 anos de bloqueio econômico e um isolamento político nas Américas.

Temos que nos apressar, antes que percamos essa oportunidade. Acho que vale o esforço de tentar incluir nos planos desse ano. Depois, pode ser tarde... Fidel está pela bola oito e não é bom arriscar. Nem gosto de pensar no fim que se aproxima, mas é inevitável.

Já perdemos Praga, que seria excelente exemplo do que foi um dia a União Soviética – outro destino que tomarei em outra ocasião, numa próxima viagem à Europa (por que não?!), e Berlim Oriental. A exemplo da capital tcheca, hoje, o que podemos conhecer são essas cidades do Leste Europeu se adaptando aos moldes capitalistas, ocidentais.

Agora que comecei, quero ganhar o mundo, adquirir conhecimento, poder ver com meus próprios olhos aquilo que assisto pela TV, que leio nos livros. Meu objetivo é conhecer gente, falar, perguntar, trocar, e ter nessa aventura a melhor companhia e parceria possível.

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Aproveito a pauta cubana, para relembrar os 50 anos da famosa foto de Che Guevara. No dia 05 deste mês fez meio século que o fotógrafo cubano Alberto Díaz, mais conhecido como ‘Korda’, imortalizou com sua Laika o líder revolucionário.

A imagem, posteriormente reproduzida pelo artista plástico Jim Fitzpatrick no que seria os primórdios do copyleft, popularizou o busto do mito. A imagem de Che é a segunda mais conhecida mundialmente (só perdendo para outro barbudo: Jesus Cristo).

Já falei sobre isso em um post antigo, mas vou repetir: isso, numa época sem internet, de ainda quase nenhuma globalização... E consideremos ainda o fato de Che ser de esquerda, um contraventor, guerrilheiro, “criminoso”... Obama, por exemplo, teria que rebolar MUITO para obter tamanha popularidade e simpatia universal.

O Guerrillero Heroico, nome do retrato, não acompanhou a reportagem do jornal Revolución, para a qual havia sido feito, e ficou pendurado no estúdio do fotógrafo, junto a um do poeta chileno Pablo Neruda. Esse ‘anonimato’ durou até 1968, quando o italiano Giangiacomo Feltrinelli criou posters com a foto para divulgar o livro The Bolivian Diary.

*Viva la revolución:

Vocês sabiam que Korda não foi pago por este trabalho? Ele queria disseminar os ideais revolucionários do companheiro e preferiu não receber.

Thursday, 4 March 2010

a pressa


Sacre Coeur, Notre Dame, D’orsay, Pompidou, Panthéon, Place de la Bastille, Invalides, Sainte-Chapelle, Hôtel de Ville... é TANTA coisa, bastante informação, banho de cultura e História - da alienação religiosa, aos preceitos comunistas, passando pela finesse da nobreza francesa, à arte moderna e arquitetura high-tech contemporânea.

Definitivamente: três dias é MUITO pouco tempo para se conhecer Paris. O que não rolar agora, vai ficar para a próxima viagem... com certeza. Voltaremos (e com mais dinheiro, porque a capital francesa est trop cher!).

Ces't la vie.

Monday, 4 January 2010

pelas barbas do profeta!


Esses dias, escrevi sobre barbudos (que adoro) e, mencionei rapidamente A Culpa é do Fidel, porque eles fazem mega parte do contexto do filme. Assistindo depois, novamente, lembrei-me de mais um ícone dos homens com pelos no rosto: Papai Noel.

Como não havia me lembrado dele? (em época tão propícia, inclusive) O bom velhinho deve ser o terceiro na lista dos ‘mais mais’ da barba. Sem chapéu ou seu trenó, ele não se descaracteriza, mas sem seus longos fios brancos da face, ele não seria o mesmo – nem reconheceriam-no, aliás.

Interessantíssimo! Embora seja um símbolo do capitalismo, ele (por ironia) usa barba e é colorado! E mais: DISTRUIBUI presentes.
Recordei disso pelo drama político francês de Julie Gavras, em que o pequeno François cita o uso de Napalm em putschs e corrige a irmã mais velha, Anna, que faz uma confusão ideológica entre polícia, barbudos vermelhos e guerra nuclear. Para o caçula, segundo as descrições dela, tudo isso diz respeito ao 'Père Noël'. Associações incríveis!

Pelas barbas do profeta... Marx se reviraria na tumba!

Sunday, 27 December 2009

em ação


Atitudes valem por mil palavras.

Isso é fato. Uma amiga minha sempre dizia que os homens são aquilo que fazem e não o que dizem. Nunca duvidei disso. Passei então a avaliar como estavam agindo para comigo, nos relacionamentos, para saber se estavam MESMO afim.

Triste quando a gente comprova que toda a empolgação é da boca pra fora, porque seus atos não condizem com seu discurso. Bom é que a gente logo identifica a peça e corta o mal pela raiz , ou vai empurrando com a barriga, se for conveniente.

No âmbito social, político e histórico, digo que sou orgulhosa que existam pessoas que tomam a frente da situação e se expõem defendendo seus ideais. Foi isso que vimos há 20 anos, no dia cinco de junho, com o imortalizado ‘tank man’.

A premiada foto de Jeff Widener, da Associated Press, conhecida como "O Rebelde Desconhecido de Tiananmen", registrou o exato momento em que um jovem desarmado invade a Praça da Paz Celestial e se coloca à frente de uma fileira de tanques de guerra, impedindo que eles avançassem.

O momento do país era crítico. Estudantes estavam se manifestando há três meses, quando então foi intensificada a repressão com o uso da força. O governo enviou os tanques à praça de Tiananmen para dissolver os rebeldes. Estima-se que três mil pessoas foram mortas e mais de sete mil ficaram feridas.

Seu protesto na Praça Celestial de Pequim, em 1989, demonstrou ao mundo a insatisfação de um povo contra o Partido Comunista Chinês. Aquele homem solitário, jamais identificado, foi apontado pela revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do século 20.

Para mim, um herói. Que em 2010, e daqui para frente, vejamos mais gente assim, em ação. Infelizmente, não foi o que vimos em Copenhagen esse mês. O que faltou? Justamente aquilo que o mundo precisa: atitudes. E eu também. Queria um homem desses em minha vida.

Wednesday, 18 November 2009

o encontro


O que eu me lembro daquelas eleições de 89 é o brizolismo forte no Rio Grande do Sul. No resto do país, a esquerda era petista, estava com Lula. O resto, bom, o resto e a Globo elegeram o Collor. E o final da história todos conhecem.

Triste lembrar que foi por pouco que no início de nossa democratização poderíamos já ter tido um rumo diferente, mais próximo àqueles ideais perdidos com o Golpe de 64 que tirou do poder João Goulart.

Nessa história lá estava ele de novo: Brizola liderou a campanha da legalidade, para consolidar a posse de Jango, a qual os militares se opunham. Jango era o então vice-presidente de Jânio Quadros, que renunciou, e legalmente, era seu sucessor.

Minha família no final dos anos 80 tinha se mudado para Maceió, terra do Collor. O que vimos lá era uma massa paupérrima que idolatrava o candidato do PRN, pois o mesmo distribuía a ela réguas, lápis, caneta, bonés e outros brindes em troca de simpatia e votos.

Nos famosos debates da televisão, era evidente a tendência da grande emissora em apoio ao ‘jovem’ candidato. E esse era seu slogan: ‘Collor, um novo tempo vai começar’. Lembro comentários da época em apoio a ele por ele ser bonito e novo. Por favor...

Disputando com o ‘collorido’ que tem aquilo roxo, estavam os não tão belos Brizola e Lula, com um passado conhecido, engajado. Não eram novidades, traziam uma bagagem que incomodava. E por isso não foram eleitos.

O ano de 1989 foi super importante e a prova de que o sonho acabou. A posse de George W. Bush pai nos EUA, os protestos e o massacre de estudantes na Praça da Paz Celestial na China, a queda do Muro de Berlim na Alemanha, a perda das eleições presidenciais no Brasil, a Revolução Romena... Preciso dizer mais?

Mil fatores e uma dura realidade. Foi o fim e/ou o ínicio de outra era.

Friday, 9 October 2009

na mira


Ele teria hoje 81 anos se não tivesse sido capturado e executado em La Higuera, na Bolívia, há exatos 42 anos. De repente, e bem provavelmente até, não passaria mesmo dos 39. Nossos ídolos morrem cedo, não vivem tanto para críticas, para o esquecimento.

Ernesto Guevara de la Serna, o eterno Che, é um mito revolucionário. Depois de Jesus Cristo, é o rosto mais conhecido mundialmente – isso, numa época sem internet, de ainda quase nenhuma globalização.

Duvido que Obama ganhe um dia em tanta popularidade. Seria uma comparação como a do sucesso de vendas de discos de Michael Jackson em tempos de MP3. Jamais haverá ícone político como ele, assim como nenhum outro artista venderá mais que Michael.

Che cairia em desgosto profundo ao saber que virou grife na sociedade de consumo, contra a qual sempre lutou. Culpa do fotógrafo Alberto Korda que o imortalizou como El Guerrillero Heroico antes de sua morte, ou do artista plástico Jim Fitzpatrick que disponibilizou sua imagem para reprodução no que seria os primórdios do copyleft?

Seria uma injustiça a Korda, que nunca ganhou um centavo pela foto. É a carência por heróis num mundo tão cruel e injusto que propicia isso. A falta de valores e ideais nos deixam saudosistas, e por isso o apego a sua figura de mártir. Necessitamos de inspiração para manter a esperança de dias melhores.

E por falar em futuro, a grande dúvida é Cuba. A ilhota caribenha, largada economicamente 50 anos atrás, sobrevive há meio século a um embargo econômico que limita seu crescimento, sua sustentabilidade.

Apesar disso, se mantém como exemplo em diversos quesitos. Foi o primeiro país do mundo a erradicar o analfabetismo e lidera, segundo a Unesco, em qualidade de ensino. Fora a educação, a saúde também é bastante forte. Vê-se tal benefício no sorriso bonito de sua gente. Os dentes caem junto às máscaras.

As sanções mundiais contra Cuba tendem a diminuir, apesar dos pedidos contra dos Estados Unidos. Raul Castro, que substituiu Fidel em 24 de fevereiro do ano passado no governo de Cuba, promete eliminar proibições, após o mandato de 49 anos de seu irmão mais velho no poder.

Gostaria de conhecer a ilhota antes da morte de Fidel, que infelizmente se aproxima a cada dia. Se o sistema não aconteceu de maneira ideal por lá foi em função dos bloqueios que sofreu. Não se pode ser feliz sozinho, ainda mais em questões políticas.

Che segue na moda, e Fidel está na mira. Sorte a Raul!

Wednesday, 7 October 2009

com-paixão


Ok, estou uma semana atrasada... Dia 01 desse mês a II Revolução Comunista Chinesa completou 60 anos. Hoje, a China mostra-se como a grande promessa econômica do século XXI, com seus mais de um 1,3 bilhões de habitantes, sua economia que já é a terceira do mundo, estando atrás somente do vizinho Japão e dos imponentes Estados Unidos. Apesar da crise desde o final do ano passado, só cresce economicamente. E ainda em 2009 já conseguiu superar as expectativas para o período.

Mas toda essa prosperidade deu-se em meio a uma conturbada política interna que por muito tempo massacrou E AINDA compromete a liberdade com sua ditadura – cultural e ideológica. Em 1949, o Exército Popular de Libertação funda a República Popular da China e Mao Tse Tung se torna presidente daquela nação gigante em dezembro daquele ano. O novo governo se deparou então com um país imenso, populoso, desorganizado e falido. A China pós-revolucionária era atrasado em aspectos como tecnologia, ciência e educação etc. Na construção de um sistema socialista, uma onda repressiva atingiu a todos, objetivando converter a sociedade em ‘soldados’ fiéis e obedientes ao Partido Comunista Chinês. Para tanto, Mao transferiu o controle da Revolução para as mãos da massa de camponeses e operários, sob coordenação do PCCh. E um vasto programa de educação política foi aplicado, sendo quaisquer resquícios de princípios capitalistas, burocratização e elitismo banidos da nova China.

A partir do outono de 1965, a revolução Cultural Chinesa, liderada por Jiang Qing, esposa do ditador, dominou a produção artística e intelectual por lá. Como o alvo eram os jovens, muitos cursos universitários foram fechados e diversos professores e fomentadores culturais foram banidos para o campo. Nessa doutrinação política, milhões de estudantes foram transformados em militantes de esquerda, a favor do governo de Mao. Esse poder todo designado a jovens despreparados provocou o caos e descontrole social e político. Ações da Guarda Vermelha acarretaram seu desmonte e a desmobilização e dispersão de 18 milhões de soldados. Não foi a primeira vez que o líder revolucionário se curvou às críticas e tomou a decisão certa. Cientistas, técnicos especializados, administradores e educadores foram tirados do exílio, pela necessidade de seu apoio e força ao Estado Chinês.

O estrategista não poupou, porém, o Tibete, país budista, pacifista, conhecido por seus picos nevados como o "teto do mundo". Em 1959, o regime comunista chinês invadiu a região, que foi então incorporada como província à República Popular da China. Foi cometido então um genocídio cultural, que expulsou o 14º Dalai Lama de lá. Com a realização ano passado das olimpíadas na China intensificaram-se os protestos pró-Tibete e o caso ganhou notoriedade novamente, após anos abafado e esquecido.

Interessante é a relação do local com certas datas terminadas em ‘9’. Fora 49 e 59, outros fatos relacionados à história chinesa ocorridos em finais de décadas foram: os primeiros conflitos com a Grã-Bretanha denominados como a Guerra do Ópio que começaram em 1839 e ocorreram até 1842, e depois de 1856 e 1860, e o massacre de estudantes no proteste pró-democracia na Praça Celestial da Paz, em Pequim em 1989 - mesmo ano em que o Dalai Lama, líder político e espiritual do Tibet ganhou o Prêmio Nobel da Paz.

Na história da China o que mais me chama a atenção é essa injustiça cometida, ainda sem solução. Eu, como budista, oro por mudanças e torço há anos pela libertação do pequeno pais independente. É ridículo e cruel o que se fez com aquele povo incapaz de se defender, com aquela cultura e filosofia ricas, milenares. Extermínios assim não poderiam mais ocorrer como se deu há séculos, e deveriam ser considerados crimes contra os direitos humanos. E a ironia disso tudo estaria na punição dos carrascos, que seriam desculpados pelos tibetanos. Vida que segue, afinal, oitenta por cento é perfeito.

Tuesday, 25 August 2009

retratos da ostentação


Mil coisas acontecendo e, eu, infelizmente, acabo por perder ‘cada uma’... Uma dessas, que pelo dedo de minha amiga Grazi, acabei saindo ganhando (mesmo que nos 47 prorrogados do segundo tempo), foi a “World Press Photo”. Consegui conferir a exposição que reuniu 196 imagens premiadas em 2008, registradas por fotojornalistas do mundo inteiro.

A maioria das fotos trazia alguma denúncia em sua mensagem calada, mas ‘gritante’. Eram aqueles belos instantes imortalizados, cheios de sentido, intenção, cor – quando não eram simplesmente elegantes em sua dualidade preta e branca. Sua intensidade não ameniza o desespero, a doença, a crueldade, a tristeza e o mal presentes ali naqueles retângulos.

Fatos que marcaram um ano “qualquer” - nada mais representam aquelas fotos do que isso. Pela problemática maior, algumas dessas que foram tiradas há pouco, bem poderiam ser captadas amanhã, mas a maioria não. O que as diferencia de tantas outras, e que as faz únicas e importantes, é justamente a questão do tempo, e da presença. Seu criador estava lá, e é através de seu olhar que podemos ver o que já foi e não volta mais.

Incrível que acontecimentos tão poucos inspiradores possam ter rendido tão magnífico material. Cheguei a chorar por entre as galerias. É emocionante, assim o são. Reproduzem momentos, sentimentos, situações. Informam, alertam, comunicam ao mundo o que ali mostram – muito além, na verdade. Fotojornalismo é um soco no estômago, porque diferente das pedras no sapato, são impactantes, mas não efêmeros.

Uma seqüência entre tantas outras me chamou a atenção. Eram fotos posadas, coloridas, vivas. Trazem pessoas de semblante satisfatório em acomodações que mais parecem cenários de filmes, vitrinas de lojas, casa de bonecas. E, se bem entendi a legenda, são isso mesmo – como um adereço. Aqueles lugares servem para mostrar de maneira ornamental o poder aquisitivo do modelo ali em foco.

Para compreender claramente o que estou falando - e o que estou QUERENDO dizer, faz-se necessário um ‘briefing(zinho)’ básico, um breve embasamento histórico (na exposição existe uma pequena legenda em casa foto):

Essas pessoas retratadas são romenas de origem cigana. E duas curiosidades a respeito desses povos explicam muita coisa, dão sentido ao contexto das fotografias tiradas . 1. A Romênia é um país que até há pouco tempo era comunista e que a recém entrou para a União Européia, 2. os ciganos são originalmente nômades.

Sabendo disso, não fica difícil agora perceber o porquê da valorização do lar, de sua decoração, da futilidade de se montar uma cozinha, por exemplo, só como enfeite, para mostrar aos outros que hoje se tem (o que ontem não se podia ter). Os tempos são outros e os dentes de ouro dão espaço a faqueiros e conjuntos de porcelana que jamais serão usados.

Os retratos do italiano Carlo Gianferro, para a Postcart, ficaram em primeiro lugar na categoria ‘Histórias’ da premiação. Veja as outras fotos da exposição em: http://www.worldpressphoto.org/index.php?option=com_photogallery&task=blogsection&id=19&Itemid=223&bandwidth=low

Thursday, 20 August 2009

três é demais... e a quarta?


Sempre quis saber mais sobre o trotskismo, essa doutrina comunista de oposição ao pensamento de Stalin, baseada nas teorias do político e revolucionário Leon Trotsky.

Passei a me interessar por isso porque tais fundamentos eram defendidos e comentados pelos companheiros de acampamento, do partido, jovens como eu, mais engajados, superantenados. Em meio a debates ouvi sobre a IV Internacional, um ideal ainda perseguido, mas que infelizmente não se conseguiu alcançar após sua morte.

Em 20 de agosto de 1940, há exatos 69 anos, Trotsky morreu vítima de um atentado. O homem era forte. Nem com o violento golpe de uma picareta na cabeça, entregou-se. Mesmo ferido, segurou o carrasco até seus guarda-costas chegarem, quando então ordenou que deixassem-no vivo, a fim de descobrir o mandante do crime.

Foi uma morte anunciada. Planejou-se sua execução ao longo de quatro anos. O objetivo era acabar com qualquer ligação das gerações mais jovens com os dirigentes da Revolução Russa de 1917. A preocupação era que fosse criada, naquele momento em que o mundo se preparava para mais uma guerra mundial, uma alternativa revolucionária ao redor do velho bolchevique russo.

A partir da morte de Lenin, Trotsky lutou pela libertação do movimento operário internacional. Sua máxima era defender o marxismo e, foi justamente nesse contexto que a idéia de Revolução Permanente foi teorizada e trabalhada por ele. Manifestava sua divergia do stalinismo com relação à visão de expansionismo além fronteiras da revolução. O estadista defendia o fortalecimento interno da União Soviética.

Dedicou-se até o fim a uma luta prática e teórica contra a burocratização e a desastrosa política de dominação stalinista. Por saber que era impossível construir um socialismo limitado às fronteiras de um país economicamente atrasado como a Rússia, organizou a Oposição de Esquerda, radicalmente avessa à teoria em ascensão defendida por Stalin do “socialismo num só país”.

Trotsky deu respostas teóricas e políticas às questões de organização do partido revolucionário e construção do Estado pela classe operária. Ele não só foi um dos principais dirigentes da Revolução Russa como também organizou e protegeu o Exército Vermelho da crescente burocratização do partido e do Estado soviético, que ameaçava as conquistas de sua Revolução.

Expulso do partido em 1927, foi destituído de suas funções no Estado Soviético por intervir nos processos revolucionários e construir uma alternativa à política dos partidos comunistas. Em 1928 foi deportado e no ano seguinte foi banido da URSS, quando teve sua condição de cidadão soviético cassada. Peregrinou então pelo mundo em uma longa jornada de exílios e expulsões até 1937, quando chegou finalmente ao México, onde recebeu o apoio do casal de artistas Diego Rivera e Frida Khalo.

Nesse período, a caça às bruxas trotskista se intensificou com os famosos Processos de Moscou contra dirigentes bolcheviques colaboradores de Lênin, que foram atacados, assassinados, presos ou deportados. Seu alvo maior era quem estavam junto a Trotsky. O próprio Trotsky foi condenado à morte por ser um “agente sabotador do imperialismo”. Os stalinistas queriam suprimir toda oposição genuinamente socialista contra eles.

Às vésperas da fundação da IV, o secretário de organização da nova Internacional foi assassinado, e o projeto de estatutos foi roubado. A campanha de terror só conseguiu, finalmente, liquidar com o último dos grandes dirigentes bolcheviques da Revolução de Outubro na segunda tentativa. A primeira foi em 24 de maio de 1940, liderada pelo pintor David Siqueiros.

Com o objetivo de desarticular a recém-fundada IV Internacional, Stalin queria Trotsky morto. E para isso, mesmo sob a direção de um Estado e com toda a sua influência em partidos de massas de todo o mundo, foi obrigado a recorrer a um assassinato pelas costas de um velho de 61 anos. Ramon Mercader, seu assassino, ao de sair da prisão, em 1961, voltou à URSS, onde foi condecorado com a medalha de “Herói da União Soviética”. Acreditam? Pois é...

Absurdos à parte, o stalinismo NÃO conseguiu suprimir o seu legado teórico e político. Pertencente a uma geração de revolucionários sem precedentes na História, Trotsky acreditava que a Revolução Russa era só o princípio da revolução socialista mundial. Em seus últimos anos de vida, dedicou-se a construir o que em sua própria opinião foi seu projeto mais importante: da IV Internacional.Suas obras constituem uma extraordinária contribuição para a teoria marxista, e a IV é a prova maior de sua luta em defesa do socialismo.

Hoje vemos que seu pedido final foi atendido: “Estou certo... da vitória da IV Internacional... continuem”. Ela sobreviveu e está sendo reconstruída. É o ideal, companheiros.
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c'est fini!