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Tuesday, 26 March 2013

hey...

Today, is the 241st anniversary of Porto Alegre, my birthplace.

I miss it a lot - because of my family and friends, and also by virtue of its singular charm. I'm very proud to be originally from there, to can say I'm 'Gaúcha' even before considering me a Brazilian (deep roots we never lose, despite the fact of moving far away).

What is more, I would like to show all you guys from where nice people like me come... that's why I chose this encyclopedic pic besides writing a long introduction in English, which is more universal.

Well, here it is: my homage! Poa, I love you ♥
 

Thursday, 20 September 2012

bah!

I suggest to read this post listening this song: Vento Negro - It shakes me in emotion... while missing my origins. After all:

"Quem vai embora tem que saber
É viração"


(or Renato Borghetti's Milonga para as Missões - doesn't matter... I love both!)
 
Today, celebrating our "national" hoIiday, I just can say I'm 'gaúcha'. Proudly! (before being a Brazilian citizen, inclusively)

Many people may don't understand why... Unfortunately, our roots haven't passed all frontiers yet - literally. Otherwise, thankfully, our literature succeeded. So it's possible got to know us by reading O Tempo e o Vento (one of my favorites!).

Basicaly, I can introduce us affirming we (generally) drink chimarrão, eat churrasco, love campfires and horses, have strong  ties with the countryside, speak portunhol and carry a Rio Grande do Sul flag anywhere (with another of Inter or Grêmio too!). However, what defines us better is the fact we do all these things having so much pride of being as that!

Actually, it's more than just drink a hot (yerba) mate... it is "matear"! (yes, there is a specific verb for that!) Furthermore, it's also beyond the barbecue... it's the event happening itself - maybe dancing fandango, chula, or xote. With our own dialect, music, tradition, customs, festivals and clothes, we easily distinguish ourselves of the others in Brazil. The rest isn't as us... definitely.

By the way, we are (predominantly) separatists too. There is an evident provincialism, although we accept the neighbors. And we are not alone... as we can verify in Los Hermanos, by Mercedes Sosa : 

"Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
Y una hermana muy hermosa
Que se llama libertad"

That's it! - as beautiful as anyone can be, since a child.

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"É o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce, o que mais floresce é o amor"

Wednesday, 12 September 2012

we are not alone

Separatism issue is trendier than ever.

The "Catalunya nou estat d'Europa" manifestation, yesterday, in Barcelona, proved that the Catalan nationalism is strongly alive in their minds, hearts and wishes. The current crisis in Europe, affecting directly Spain and other countries, increased their intentions of a political autonomy or full independence of Catalonia.

One and a half million people were on the streets protesting, according policy report. This is something! Pictures are weighty.

The solution? We'll see...

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There are other things happening in the world beyond 11th September attacks in USA news... It's important to know, to decentralize information and worldwide attention. 

Please! - after all, eleven years have passed since then...  

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Au Québec, cette tendance (souverainiste) est aussi forte... Puis, le Parti Québécois est maintenant, de nouveau, au pouvoir, en rapportant cet ancien (mais pas oublié, pantoute!) dessein de indépendance.
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In Rio Grande do Sul, we had a(n unsuccessful) revolution against the Empire: Guerra dos Farrapos

Despite losses (and the idiom in common), both Gaucho identity and separatism ideas resists until now.  
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More at:

- Decenas de miles de personas se manifiestan por el centro de Barcelona en apoyo del Estatuto catalán 
Nacionalismo catalán: éxito de la manifestación independentista en Barcelona 
- Multitud lanza impulso independentista en Barcelona
- Amaiur defiende que los ciudadanos catalanes puedan decidir sobre la independencia
- La opinión de la prensa española sobre la Diada

Wednesday, 27 July 2011

as a child


Happy - after all, who doesn’t like to gain gifts? As a little girl, I confess I was astonished when my father gave me his own poncho - something I know that it is special for him due to its gaucho's tradition, our culture.

Even surprised, I couldn’t deny… It will be more worth for me. Essential - it’s possible to say, owing to the severe cold weather. Now, I can’t stop thinking in other types which I might ask “mom” or “dad” later!

By the way, it is really in right now. Simply perfect!

Wednesday, 24 November 2010

- Hein?!


O que acontece?

Gaúcha como sou, antes e acima de ser brasileira (justificável historicamente e compreensível por aqueles tantos povos que foram obrigados a permanecer ligados a uma república ilegítima, da qual foram obrigados a fazer parte por questões políticas e de interesse central e não por afinidades, culturalmente), entendo a fábula do 'Balde de Siri' que assombra os gaúchos em sua realidade, "impedindo-os" de deixar o pago, a querência amada.

Compreendo a esranheza e a zoação do resto do país, uma vez que a eles falta esse sentimento, laços maiores que em outro lugar qualquer, assim como respeito a decisão afetiva dos nossos. Não concordo totalmente, entretanto, pois meus horizontes vão além sul - tanto, que desgarrei. Fui conquistar outros terrenos, meu espaço, pé na estrada, de coração aberto. E me apaixonei pelo Rio.

Demorei para me acostumar com o novo jeito de ser informal. Não foi de uma hora para outra para me sentir de fato "em casa". Sentia saudade. E, por anos lamentei o fato de artistas e bandas como a Ultramen, por exemplo, não virem para cá e serem sucesso nacional. Talento tem para tanto, o que falta é coragem de ultrapassar fronteiras, cortar o corsdão umbilical e enfrentar a ponte-aérea Rio-São Paulo. Exterior então, fora Argentina e Uruguai, é outro planeta!

Nei Lisboa sempre me pareceu um caso de auto-omissão, de preferência pelo anonimato brazuca, opção pelo reconhecimento local. Enquanto isso, seus súditos despatriados aguardavam ansiosos uma visita musical sua (vide Vitor Ramil), o aconchego saudosista de ouvir sua voz doce em lindas canções que falam nossa língua, sobre a terrinha, de um tempo que vivemos por lá - "Berlim, Bomfim", ou aqueles "Verdes Anos" e por aí vai... Outra época, que não volta mais (e também outras belas letras que nos lembram o amor).

Não é uma questão de dar as costas para o que importa, de esquecer o passado, as raízes, patriotismo, bairrismo, de perder o orgulho de ser gaúcho (ou seja como for... tchê), e sim de AGREGAR. Só é este um comportamento próprio nosso, questionável e criticável, mas defendido por muitos que optaram por lá ficarem para sempre, puxando uns aos outros para dentro do balde novamente, sem deixar nenhum siri escapar. Vai que, saindo, dá certo...

Pra mim deu. Ganhei o mundo e não perdi a essência.
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Fã assumida, cantei ontem, entusiasmada, todas as músicas no seu primeiro show em turnê no Rio de Janeiro. Foi no Rival, num climinha bem dentro de sua proposta intimista de ser. Em 2005, fui ao festival Brasil dos Gaúchos só para assisti-lo. Boa apresentação, mas não completa como esta foi... Opa! NEM tanto: ele não cantou nenhuma do Hi-Fi. Mas ok, ganhei um CD autografado e rimos lembrando da lancheria - tomar vinho e ver a bunda das pessoas a passar. Tá valendo (sempre!).

E para encerrar, uma meia "Confissão":

...
E eu vejo a vida vindo ao meu encontro
E vejo agora o que amanhã chegar
Eu tenho os olhos sobre o teu encanto
E tudo a desvendar


Os quatro cantos desse mundo
Eu tenho a febre feita de alcançar
E tenho a força bruta das palavras
Ditas para amar


...
E eu tenho o sol guiando meu caminho
E tenho as senhas pra te conquistar
Eu tenho o norte sob o fio da espada
E cada dia a me esperar


Nos quatro cantos desse mundo
E tantos quantos tenha de alcançar
Eu tenho a sorte de viver cantando
E o céu a me ajudar

Wednesday, 17 March 2010

orgulho ferido


Essa discussão toda sobre os royalties do petróleo do Pré-Sal fez meu pensamento voltar no tempo. Vendo o deputado federal Ibsen Pinheiro - PMDB/RS questionar o conceito de estado produtor dessa riqueza, lembrei (descompensada) pelo o que tantos gaúchos lutaram no passado. Talvez falte memória a ele, mas segue um refresco:

Como farroupilhas, fizemos uma revolução pois queríamos um estado com maior autonomia às províncias. Lutamos contra o governo federal, cujo modelo, imposto pela constituição do então imperador Don Pedro I, tinha caráter unitário. A Guerra dos Farrapos, que durou de 1835 e 1845, aconteceu por um descontentamento poítico e econômico.

Diferente da mineiração, cana-de-acúcar e cafeicultura, voltadas para a exportação, na Província de São Pedro, atendíamos exclusivamente o mercado interno, com charque para a alimentação dos trabalhadores escravos. Com o câmbio supervalorizado, sobretaxas e benefícios tarifários, o produto dos vizinhos Argentina e Uruguai eram mais em conta, o que causou uma competitividade desleal.

Não haviam medidas do poder central para defender o mercado interno de produtos importados mais baratos, uma proteção à produção nacional. O descontentamento era grande na ragião sul, onde as elites pecuaristas acabaram se revoltando com o governo imperialista, contra essa política fiscal.

Nossa revolução republicana não tinha originalmente um caráter separatista, mas, a exemplo da Província Cisplatina, a independência acabou sendo melhor caminho para que encontrassemos a paz e a prosperidade desejadas. E, inspirados pelos preceitos da Revolução Francesa de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, influenciamos outros ocorridos em diferentes províncias do país.

A questão é: não se o pré-sal estivesse localizado no litoral do Rio Grande do Sul e tivéssemos a infra-estrutura para explorarmos esses recursos, consideraríamos isso uma propriedade nacional? Não sejamos hipócritas e deixemos os beneficiados ple natureza gozar de sua sorte. E mais: que os estados não produtores de petróleo sejam os compensados pela União pelo suporto prejuízo que temos por não estarmos nós em cima da faixa do ouro negro.

Podia ser qualquer um, menos um gaúcho o cabeça desse levante! Que cidadão é ele? Ok, é um infeliz representante nosso (e colorado ainda...), mas não responde pelo todo, MESMO. Pensei muito em nossa história, no que aprendemos, pelo o que sempre lutamos... e admito que fiquei com vergonha dessa situação, desse esquecimento de nossas origens e ideais.

Não fui hoje à manifestação proposta por Sérgio Cabral, mas quero deixar claro que sou CONTRA essa covardia que é dividir o dinheiro alheiro, oriundo de uma produção que não nos pertence. Considerando a necessidade atual do estado do Rio de Janeiro dessa arrecadação anual de R$ 5 bi que perderia com a aprovação dessa emenda polêmica, fica ainda mais feia a situação.

Bye bye Copa, Olimpíadas... moral, orgulho gaúcho.

Wednesday, 17 February 2010

tudo dominado


Para os cariocas que acham que no Rio Grande do Sul só existem mulheres loiras, como Gisele Bündchen, Natália ex BBB, Xuxa, Ana Hickman etc, e mais: para todos que duvidam que gaúchos tem samba no pé, fica o convite: não percam o desfile da Banda da Saldanha no Carnaval daqui ano que vem.

SIM: temos espaço no Carnaval do Rio. Esse foi a terceira vez que participamos do calendário oficial dos blocos da Cidade Maravilhosa. E, a cada edição, mais gente chega junto na maior alegria! O desfile é na terça-feira, por volta das 17h nas mediações da pracinha da Siqueira Campos, em Copacabana.

Muito bom se sentir em casa, escutar nosso sotaque, poder comer churrasco gaudério na rua, ver e sentir toda a paixão colorada (e também gremista - para quem gosta, claro). Em plena Barata Ribeiro, quando tocou o samba do Flamengo, o que se ouvia no refrão da música de Neguinho da Beija-Flor, era “Inter” ou “Grêmio”. Vibrei.

A mistura que essa festa permite é positiva, prova mais uma vês que podemos estar presentes em qualquer canto do mundo, seja como for, E estamos - em CTGs espalhados pelos quatro cantos. Mais até: soltos por aí, batalhando (pois esse é o lema!), provando que sempre podemos superar as expectativas alheias.

Ninguém poderia supor que um grupo de gaúchos, na maioria negros (pasmem), bota pra ferver o bairro mais famoso e animado do planeta em tempos tão festivos - opa, é a 'Festa da Carne', faz sentido até... Cosmopolita é pouco. Tá tudo dominado! Para saber mais sobre essa iniciativa, visite: http://bandasaldanha.blogspot.com/. E, aos que moram no Rio Grande, compareçam aos agitos na Av.
Padre Cacique, em Porto Alegre.

Tuesday, 26 January 2010

vira, vira, vira...


Tem coisas que são difíceis de acreditar:

Estou eu, dia desses, assistindo TV e o que eu vejo? A atriz Sheron Menezes numa campanha global do Campeonato Carioca com a camiseta do tricolor daqui. Não entendi nada, mas admito que doeu na alma essa cena. O orgulho riograndense foi ferido.

A causa pode ser nobre: a paz no futebol - ok, mas virar a casaca é difícil de engolir. Ainda bem que a menina é gremista! – pelo o que constava, ANTES (agora já não se sabe mais...). Bah, imagina se ela fosse colorada, que infelicidade.

Isso seria admissível vindo de uma nordestina, capixaba, e até tabacuda – como é o caso da Fernanda Machado (embora Curitiba tenha times significativos até). A tendência nesses lugares com futebol de menor expressão é adotar outro time mesmo.

Agora, uma GAÚCHA fazer isso... do berço que veio, onde tem dois dos melhores times mundiais! E o pior: o site do Globo Esporte está divulgando que as belas que participaram dessa propaganda estão com as camisetas de sua 'equipe do coração'. Ui!

Quantas outras famosinhas não torcem pelo Flu(minense), de verdade? Precisava dar esse desgosto aos conterrâneos? Seria BEM melhor se ela falasse pros seus, participando dessa campanha no sul, de azul, - se assim gostasse, de fato, claro.

Mas não foi o que vimos... O dinheiro falou mais alto ou foi falta de noção mesmo, de fidelidade e amor pelo time da Azenha. Resolvi desabafar isso porque não consigo me ver em seu lugar, vestindo outro manto (eu e toda a torcida Jovem, né?!).

Sou radical, não nego – faca na bota (como todas nascidas e criadas lá ‘deveríamos’ ser). Fico indignada e tal, mas sou de paz e em prol dela nos estádios, onde for – como todo torcedor TEM que ser, e é esse o objetivo de qualquer boa campanha, independente de quem e como a façam.

*como é de praxe, iria colocar outra imagem diferente para ilustrar a publicação, mas preferi a foto original - para que ninguém duvide (pois é BEM provável que não seja veiculada no RS),e muitos não verão tamanha heresia.

Thursday, 22 October 2009

o X da questão


Há dias só penso numa coisa: em comer X coração - com x mesmo, embora também se escreva popularmente 'xis'. A letra se refira ao som da palavra cheese (queijo, em inglês). Chego a sonhar com isso, tamanha vontade e a expectativa de chegar a hora. Sou apaixonada, não nego. Suculento, giga, bem gordo... salivo só de pensar! Dedico a ele esse texto de hoje.

Infelizmente, não existe a cultura do coraçãozinho no Rio, tampouco a do X. Na verdade, até tem uma lanchonete no Catete (Tchê Lanches) que vende o ‘veneno’, e a um preço ótimo. Vale pela iniciativa, mas não é a mesma coisa que os clássicos gaudérios. Meus preferidos são os da Lancheria do Parque e também o do Cavanhas. Mas encaro qualquer um na boa - aqui, em Porto, onde for. Sempre arrisco.
Para quem não é gaúcho, acostumado a essas big excentricidades de nossa fat gastronomia, vou explicar mais sobre esse que é meu sonho de consumo estando longe da querência, uma das coisas que mais me fazem falta aqui hoje e que me deixam com saudades do sul. É bem simples, na verdade... e uma delícia!

Ingredientes:

Pão


Tem que ser específico, grande, do tamanho de um prato lanche. Eu prefiro pão cervejinha, porque fica mais crocante, mas pode ser ‘massinha’ também.

Recheio




- coração de galinha (VÁRIOS, espalhados por toda a superfície do pão)
- maionese
- tomate picado (pode ser em rodelas também, mas para comer na mão o sanduíche é melhor que venha em cubinhos)
- alface
- milho verde
- ervilha
- ovo frito (pode pedir sem também)
- queijo (mussarela ou prato/lanche)
- catchup e mostarda a gosto (no meu caso, só o vermelho... e olhe lá!)

Frita-se o ovo e, assim que pronto, coloca-se uma ou duas fatias de queijo em cima. Enquanto isso, os corações também são preparados na chapa quente. Corta-se o pão na metade, e na parte de baixo, passa-se MUITA maionese. Depois, coloca-se uma ou duas folhas de alface, tomate cortadinho, milho, ervilha e o coração - que ficará por cima de tudo, preenchendo toda a área do pão. Por cima do coração, vem então o ovo e o queijo. Tapa-se o monstro e pronto: chapa nele!

Pode parecer péssimo, mas é uma iguaria. Amo. Há ainda os X “baleia” mais calóricos, como os que tem bacon ou calabresa, lombo de porco ou pernil, ou tudo junto misturado (num ‘X tudo’ MEGA). Já comi muitos... Hoje, não dou conta nem da metade, confesso. Mas admito que uns pedacinhos de bacon dão um tchan todo especial ao sabor do coração (o que é um peido para quem tá cagado, não é mesmo?!).

Como a maioria dos sanduíches apreciados no Rio Grande, esse prato (sim, porque o X Coração é tão grande que vale por uma refeição MESMO) é feito na chapa. Vem prensado – o que é ótimo porque evita que todos os milhos, ervilhas e afins caiam para todos os lados enquanto comemos segurando-o com as mãos. Os tímidos que preferirem, podem come-lo no prato, com auxílio dos talheres.

Hoje é dia de me esbaldar e acabar o que estava me matando... a saudade! Depois desse chute no estômago, uma Polar estupidamente gelada para brindar com os conterrâneos o que o sul tem de melhor. Adoro esse ritual. Desde que desgarrei, sigo o protocolo direitinho em todas visitas que faço. Facchini e Ildo que aguardem a mim e à ‘(Gram)Polinha’ na Lanchera logo mais, à noite! Culpa dele.

Hasta!

*para poder visualizar melhor o X em questão, olhem as fotos das diversas opções de X (mas contemplo o de minha preferência, claro) no site de uma lanchonete do Menino Deus, o  Agápio Lanches.

Sunday, 20 September 2009

ventos desgarrados


Hoje é feriado na querência amada. Dia para se comemorar a Revolução Farroupilha, motivo de orgulho no pago. As bailantas já começaram faz tempo no Parque Harmonia, em Porto Alegre, pois é em uma semana inteira que festejam os farrapos.

Há muito que não sou mais a gaúcha que sempre fui, patriota, bairrista... o sotaque, então, há tempos não carrego nos 's' e o 'tu' agora nem sempre sai com tanta naturalidade. Claro que nunca irei deixar de ser colorada, de soltar um 'bah' que outro, ou até um 'tchê' de indignação, mas a frequêcia com que isso acontece vai diminuindo proporcionalmente ao meu tempo de estrangeira.

Hoje mesmo, no almoço, falamos sobre esse comportamento tão nobre, ao meu ver, de trazer consigo, aonde quer que se vá, o amor pela terra, sua tradição. Nós, gaúchos, temos isso mais forte que qualquer paulista, carioca, baiano ou mineiro. Não adianta. É uma cultura que está enraizada, que nos é passada na infância querida e que exercemos com o passar dos anos no núcleo familiar, na escola, trabalho e até nas mesas de bar.

Vejo feliz as incontáveis bandeirinhas do Rio Grande coladas nos carros, espalhadas pelo Brasil. Para ser BEM sincera, desconheço a de qualquer outro estado, e aposto que as próprias pessoas naturais deles também. Outro exemplo disso é o hino. Nunca cantei o hino nacional sem na sequência vir o nosso. Aposto com quem quer que seja que pelo menos uma estrofe do Hino Rio Grandense qualquer gaúcho lembra. E o do Rio de Janeiro, que já foi capital nacional, alguém conhece?

Essa é a diferença, eu acho. A disciplina, a educação, o rigor em se trasmitir o que é nosso, socializar as tradições, imortalizá-las, de pai pra filho. O que o meu me ensinou? A gostar de tango, de música em castelhano, de cavalos, de jogatinas, da liberdade de sentir o vento no rosto e ganhar a vida pelos campos, estradas.

Muitos não sabem de nossa história, mas o verdadeiro gaúcho é aquele que desgarra. E os ventos os levam para onde for, pelos pampas afora. Tem CTG em tudo o que é lugar do mundo para não me deixar mentir. E nossa tragetória pode ser melhor compreendida pelas palavras de Érico Veríssimo no inesquecível (e insuperável) romance O Tempo e o Vento, um marco de nossa literatura nacional, uma paixão pessoal, que me inspira até hoje.

Sempre vi um certo capitão Rodrigo em meu pai e sei que tem um quê de Ana Terra em mim. Amo, e ninguém me tira isso. São os ventos desgarrados que sopram, carregados de saudades, e que por isso não nos deixam esquecer... Já dizia Barbará: viram copos, viram mundos, mas o que foi, nunca mais será. Nunca mais. Hoje minha realidade é outra: sou QUASE uma carioca já.

Wednesday, 1 April 2009

ela é carioca


Se eu já sou uma carioca? Quase isso. Ouvi esses dias que Ruy Castro escreveu em Carnaval no Fogo que somos todos cariocas, só que alguns nasceram longe de casa. E é por aí mesmo! Impossível não se apaixonar e adotar esta cidade maravilhosa, que te recebe tão bem, como lar. Mas trata-se de uma transição lenta, considerando que trouxe comigo uma bagagem de mais de duas décadas de uma cultura muito forte (tchê!), e da qual me orgulho.

Hoje, já são cinco anos e alguns meses de praia. Passou rápido. Uma das primeiras coisas que eu reparei ao me mudar para cá, é uma besteira, mas me marcou muito e me fez analisar todo um jeito de ser 'carioca': aqui as pessoas dizem que vão ligar e não ligam. Foi a primeira impressão que ficou. Hoje eu já absorvi esse comportamento e nem percebo mais quando isso acontece, e pode até ser que eu dê o 'perdido' vez que outra em alguém também, sem querer.

Mas o fato é que no começo me incomodava e eu não entendia o porquê dessa dificuldade em dizer a verdade, um não, ou somente não dizer nada numa despedida, por exemplo - apenas 'tchau'. Aos poucos aprendi que o "eu te ligo" daqui é como um "até". E para um típico carioca, dizer isso não significa em absoluto uma obrigação (ou vontade) de entrar em contato com o outro depois. No mínimo interessante, né?!

O que já entendo hoje é que o carioca é extremamente cordial e uso justamente esse adjetivo não por acaso, mas referindo-me ao texto de Sérgio Buarque de Hollanda, que versa sobre essa característica do povo brasileiro. O Rio foi a capital do Brasil até 20 de abril de 1960. Foram muitos anos como a cidade mais importante do país, cenário de acontecimentos históricos. Trata-se de tempos marcantes, que influenciaram inclusive o comportamento daqueles que aqui viviam e criaram o conhecido 'jeitinho' para driblar problemas, dificuldades, e manter a política da boa vizinhança para não se dar mal. E foi aí que acho que essa mania louca de informalidade, de "deixar no vácuo", nasceu.

Os gaúchos são os mais europeus dos brasileiros e, por isso, mais radicais, mais secos. Dizemos (e ouvimos) mais 'não'. De onde eu vim, se alguém diz que vai fazer alguma coisa é porque vai e quer fazê-lo (por mais que demore), se não, não diria nada. Por isso não consigo entender como alguém diz que vai ligar e simplesmente não liga. Não estou aqui entrando no mérito de julgar o que é certo e errado, quem é melhor, ou mesmo apontar defeitos. O objetivo é discursar sobre diferenças e qualidades que se destacam, que me atentam.

Um fator determinante para mim nessa nova vida é o calor. Aqui as pessoas se encontram na rua, na praia, não precisam marcar de se ver porque se encontram 'por aí'. Com o frio a tendência é de se entocar. Ninguém fica perambulando a quatro graus sem saber se vai ou não encontrar os amigos, por isso combinam, marcam de se ver e assim as pessoas acabam indo mais uma na casa das outras.

Outra curiosidade ligada a fatos históricos descritos por Gilberto Freyre em Casa-Grande & Senzala é que no sul (como todos aqui chamam qualquer lugar de São Paulo para baixo) não se tem a cultura de algumas profissões que vemos com frequência no cotidiano carioca - babás, motoristas, porteiros, personal dogs, etc. Pode ser que a segmentação da 'porta de serviço' venha da grotesca diferença social existente, resquício do Império (mais ainda... de um período colonial desleal e desumano).

No Rio, é comum esse costume de se ter empregados, de querer se manter aparências e, portanto, se casar, além de se evitar dizer não para que portas não se fechem. Deixo claro que 'manter aparências' nada tem a ver com uma mania provinciana porto-alegrense típica de se julgar as pessoas pelo o que vestem, ou algo do gênero. Aqui no Rio se vai de calça jeans em casamento e se anda de ônibus em trajes de banho. As pessoas não se arrumam muito para nada simplesmente porque suam, porque uma torção de pé em pedrinhas portuguesas num salto altíssimo significa fratura exposta, porque aqui é tão cosmopolita, são tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que o glamour acaba ganhando outro charme - o da naturalidade, sem deslumbres.

Quantas celebridades podem comparecer a uma festa, ser vistas no shopping, estar na praia, de noite no baixo, ser seu vizinho, amigo, colega de trabalho, amante, afim? Quando me mudei pude ver, sentir e viver na vida pessoal e, profissionalmente, como a terra de política, esporte, teatro, estúdios de rádio, cinema e televisão, valoriza as pessoas.


É um rio de possibilidades, não me canso de dizer orgulhosa. Sempre quando fico triste, com saudades, lembro logo que aqui as coisas acontecem facilmente, que a natureza está à nossa volta e o passado nas ruas de um 'Rio Antigo'. Sou muito sortuda mesmo, afinal "da janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo!". Eu? Quero a vida sempre assim.
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c'est fini!