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Tuesday, 5 March 2013

mi adorable demonio

Bom, para começar, sinto-me um pouco como 'um peixe fora d'água' aqui na América do Norte, onde a (má) influência de um filtro estadunidense sobre a mídia em geral faz ecoar uma fama diabólica de Hugo Chávez.

Muitos comemoram por aqui. Estavam só aguardando o pior... Para outros tantos americanos/latinos (muitos mais, de fato), porém, esse foi um triste episódio para a luta - que continua, companheiros.

Estou triste com sua morte SIM. Afinal, ele foi para Venezuela fundamental na tomada do poder pela massa. Um pouco como o que Lula fez no Brasil. Chávez, embora militar, foi um dos nossos.

Sendo assim, quanto a essa imagem demoníaca que ele possui, faço a pergunta: ele é ruim para quem mesmo? Porque, na moral, de bicho-papão só tem medo criancinha ingênua e desinformada (algo, inclusive, cada vez mais raro num momento tão informatizado).

Claro que ele não foi um presidente perfeito. Aliás, existe algum? Difícil agradar a todos... Tudo dependende quando visto pelos intere$$es. Na realidade, os reais monstros da sociedade capitalista são bem outros...


Ficam agora justamente as dúvidas quanto à sua sucessão, ao futuro da oposição ao império ainda liderado pelos yankees.

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Deixo aqui a minha homenagem ao homem que mudou o mundo, melhorando-o, como pode...

um governante solitário


socialista


entrou para a História


cagando para os Estados Unidos



Tuesday, 28 December 2010

south american way


Sinto-me extremamente culpada em não saber espanhol. Nunca é tarde, é verdade, e, mais do que nunca, percebo o quanto fui tola em (ainda) não ter aprendido o idioma. Pela proximidade, pelas raízes latinas que nos unem... o importante é manter os laços, valorizar o que é nosso, a cultura – nosso bem maior, aquilo que jamais nos roubarão.

Essa sensação veio à tona após eu assistir ao excelente documentário “South of the Borther”, de Oliver Stone. Um soco no estômago dos norte-americanos. O registro de uma América Latina de esquerda, forte, unida, feliz e DEMOCRÁTICA sim, apesar das especulações contrárias. Fica a dica para quem não viu e quer se inteirar sobre o esse processo histórico que está acontecendo agora por aqui.

É a primeira vez que temos um indígena, mulheres, um metalúrgico, um ex-bispo e um militar no comando de importantes países no cenário político mundial, uma vez que suas riquezas e seu mercado em potencial muito interessam os Estados Unidos, que controlam (mesmo que indiretamente) do FMI ao Conselho da ONU. Sobre essa liga, lamento o Chile ter dado um passo atrás e seu atual presidente não estar mais entre ‘nós’.

Antes, eram somente Cuba e Venezuela sozinhas nesta luta, isoladas e à mercê de tentativas de golpes. Agora, juntam-se Equador, Paraguai, Brasil, Argentina e a Bolívia. Nossos governantes sabem da importância e estão empenhados na manutenção dos laços estreitos, o mercado interno aquecido, e as empresas yankees afastadas para que se prospere e que nos fortaleçamos como um bloco respeitável e de valor.

Segundo Raul Castro, sucessor de Fidel e então presidente cubano, não há apadrinhamento. (Esses outros países que depois se juntaram aos ideais socialistas, bolivarianos e revolucionários) “Não são herdeiros de nossas sobras”, diz ele.  Foi a força dos cubanos, na sua liga explosiva de espanhóis com africanos, e o exemplo de Hugo Chávez que os inspiraram e os conduziram naturalmente para um movimento de aversão ao neoliberalismo imposto pelos Estados Unidos ao mundo.

“Poder absoluto é sempre ruim”, e essa frase do falecido ex presidente argentino Néstor Kirchner só reafirma a teoria de que boas alianças são o melhor caminho para um futuro político mais próspero. E, nesse sentido, segundo Lula, Barack Obama tem difíceis desafios pela frente (em seus próximos dois anos de mandato), entre eles aliviar o bloqueio a Cuba, trabalhar pela paz no Oriente Médio e aproximar-se mais amigavelmente de Chávez.

Tariq Ali, escritor e ativista paquistanês, um dos interlocutores do filme, enfatiza o fato de os hispânicos que vivem hoje em território estadounidense serem muitos. E, num momento utópico, não descarta a possibilidade de uma ponte com eles, e, no sentido contrário, um regresso a suas origens. “Eu morro, mas um dia voltarei como milhões”, sacramentou Tupac Katari ao ser brutalmente assassinado em defesa dos interesses de seu povo. Evo Morales citou a frase do (outro) líder boliviano para enfatizar que a hora chegou. Esse instante parece ser agora.

Pensei nessas palavras de Victor Hugo para o nosso agora, afirmando ser mais poderosa que todos os exércitos do mundo, a noção de que chegou a  hora. Vamo que vamo! A união faz a força. E mesmo com a oposição da mídia, que tenta, mas não consegue conter a vontade do povo. Em 95% dos casos, fez campanha contra a eleição dos esquerdistas sulamericanos – que, mesmo asism, acabaram chegando ao poder. Só dependem de nós as mudanças. “Com otimismo, fé e esperança um mundo melhor é possível, Oliver!” – faço das palavras de Chávez as minhas. 

Boa época. Presságios de um novo tempo.... e do nosso jeito. “Derrota tras derrota hasta la victoria final”. Aliás. Che estaria orgulhoso de ver o resultado desse processo iniciado também por ele. Valeu, Grazi!

E encerro, não com a música de nome gringo que entitula tal postagem, mas com as fortes palavras do poeta gaúcho Leonardo, respeitado compositor dos pagos. O trecho é da canção "América Coração", esta traduz bem meu pensamento, tudo o que sinto (e não estou sozinha - ainda bem!):

América do Sul querida
América do sol da vida
América do céu azul
América do Sul

Diga ao Tio que nos visita
que somos todos parentes
somos negros, índios, brancos
federais, inconfidentes
somos a força do mundo
arrastando uma corrente
se as vezes nos faltam armas
temos a força da mente
só Deus pode calar
a voz de um povo valente
mas diga, que antes de tudo
não temos cor, somos gente!

Friday, 10 December 2010

jesus!


“Um povo que não sabe ler e escrever é fácil de enganar”

Utilizo-me, aqui, das palavras de (outro barbudo, o segundo mais conhecido e respeitado da História) Che Guevara, para descrever o que aconteceu no crítico caso do deputado federal mais votado do país nas últimas eleições: Tiririca - o da "Clementina de Jesus".

'Clementino' não está ligado diretamente à clemência, mas deveria nesse caso...

Como defender interesses do povo sendo aliterado, sem condições de proteger a SI mesmo de uma maneira básica de sobrevivência: lendo? E, na boa, não basta só conhecer as letras, mas compreender o conteúdo daquilo que é expresso com elas. Caso contrário, é analfabetismo funcional. Não entender a própria língua, mesmo sabendo desenhar seu alfabeto, não adianta - por mais bem assessorada que a pessoa seja. Ler é o mínimo para exercer esse cargo político. Vamos combinnar? Necessário.

Por mais a favor das minorias que eu seja, nesse caso, não dá. Não é pró- mesmo. Vergonhoso. Palhaçada, literalmente! E a culpa é de todos, em diferentes âmbitos - Estado, TSE, dele e da sociedade em geral, que votou numa pessoa despreparada, elegendo-a. Mais um milhão de votos é muita coisa! Queria poder conhecer mais o perfil desses eleitores para tentar entender melhor o ocorrido. Mais: tudo isso poderia ter sido evitado se a dúvida e essas provas todas tivessem sido tiradas antes, na canditadura.


Independente da decisão das autoridades (in?)competentes, como já indica o prórpio slogan de Tiririca em sua campanha: "Pior que tá não fica"!

Saturday, 27 March 2010

antes que seja tarde


(1h da manhã)
- Alô? Estou te ligando pelo seguinte: temos que ir a Cuba URGENTE. É sério, amiga. Daqui a pouco não vai mais ser como é hoje. A hora é agora, Grazi!

Não lembro ao certo, mas a prosa com a companheira  historiadora tomou esse rumo. O álcool entra, a verdade sai: a cada dia que passa, fico mais preocupada em não conhecermos in loco o mundo comunista como ele ainda (r)existe. E, no caso exepcional de Cuba, o reflexo de 50 anos de bloqueio econômico e um isolamento político nas Américas.

Temos que nos apressar, antes que percamos essa oportunidade. Acho que vale o esforço de tentar incluir nos planos desse ano. Depois, pode ser tarde... Fidel está pela bola oito e não é bom arriscar. Nem gosto de pensar no fim que se aproxima, mas é inevitável.

Já perdemos Praga, que seria excelente exemplo do que foi um dia a União Soviética – outro destino que tomarei em outra ocasião, numa próxima viagem à Europa (por que não?!), e Berlim Oriental. A exemplo da capital tcheca, hoje, o que podemos conhecer são essas cidades do Leste Europeu se adaptando aos moldes capitalistas, ocidentais.

Agora que comecei, quero ganhar o mundo, adquirir conhecimento, poder ver com meus próprios olhos aquilo que assisto pela TV, que leio nos livros. Meu objetivo é conhecer gente, falar, perguntar, trocar, e ter nessa aventura a melhor companhia e parceria possível.

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Aproveito a pauta cubana, para relembrar os 50 anos da famosa foto de Che Guevara. No dia 05 deste mês fez meio século que o fotógrafo cubano Alberto Díaz, mais conhecido como ‘Korda’, imortalizou com sua Laika o líder revolucionário.

A imagem, posteriormente reproduzida pelo artista plástico Jim Fitzpatrick no que seria os primórdios do copyleft, popularizou o busto do mito. A imagem de Che é a segunda mais conhecida mundialmente (só perdendo para outro barbudo: Jesus Cristo).

Já falei sobre isso em um post antigo, mas vou repetir: isso, numa época sem internet, de ainda quase nenhuma globalização... E consideremos ainda o fato de Che ser de esquerda, um contraventor, guerrilheiro, “criminoso”... Obama, por exemplo, teria que rebolar MUITO para obter tamanha popularidade e simpatia universal.

O Guerrillero Heroico, nome do retrato, não acompanhou a reportagem do jornal Revolución, para a qual havia sido feito, e ficou pendurado no estúdio do fotógrafo, junto a um do poeta chileno Pablo Neruda. Esse ‘anonimato’ durou até 1968, quando o italiano Giangiacomo Feltrinelli criou posters com a foto para divulgar o livro The Bolivian Diary.

*Viva la revolución:

Vocês sabiam que Korda não foi pago por este trabalho? Ele queria disseminar os ideais revolucionários do companheiro e preferiu não receber.

Friday, 18 December 2009

bárbaros


Ontem pude comprovar minha predileção:

Os com carinha de bebê que me perdoem, mas barba num homem é fundamental! (e antes que se questionem: não, eu NÃO sou fã dos Los Hermanos, e por causa da Coca Cola, já deixei de acreditar em Papai Noel faz tempo! - que fique claro).

Gosto porque dá um toque todo másculo aos rapazes. Serve para nos atiçar, arranhar, incomodar... (no melhor sentido, certamente) E, por outro lado, reflete hoje ainda uma forma de protesto e abdicação aos padrões estabelecidos. PERFEITO.

Louco isso, pois a barba já foi símbolo de poder e status num passado não tão distante, vide os figurões de nossa História. E em outros tempos, também representou o terror - nos piratas, em contos infantis, e, ainda hoje, no mundo islâmico.

Acho que o mais famoso barbudo do mundo, Jesus Cristo, ao contrário de seu vice, Che Guevara, desconhecia tanto o glamour, o mistério, quanto a aversão política e social referida a ela. Outros tempos... muitos valores agregados (HoHoHo de novo...).

Esteriótipos à parte,
se "A culpa é do Fidel", não importa, eu gosto é dos barbudos! E quero toda essa barbárie em quem me envolve, na face que me beija. Por favor! Gosto que me enrosco. Abaixo as 'giletes' e barbeadores.


*Em breve (assim que eu assistir pela segunda vez), escreverei uma resenha sobre o filme cujo título parafraseei, e é ÓTIMO – francês, político, com barbudos e comunistas, dramático e sem efeitos especiais.

Friday, 9 October 2009

na mira


Ele teria hoje 81 anos se não tivesse sido capturado e executado em La Higuera, na Bolívia, há exatos 42 anos. De repente, e bem provavelmente até, não passaria mesmo dos 39. Nossos ídolos morrem cedo, não vivem tanto para críticas, para o esquecimento.

Ernesto Guevara de la Serna, o eterno Che, é um mito revolucionário. Depois de Jesus Cristo, é o rosto mais conhecido mundialmente – isso, numa época sem internet, de ainda quase nenhuma globalização.

Duvido que Obama ganhe um dia em tanta popularidade. Seria uma comparação como a do sucesso de vendas de discos de Michael Jackson em tempos de MP3. Jamais haverá ícone político como ele, assim como nenhum outro artista venderá mais que Michael.

Che cairia em desgosto profundo ao saber que virou grife na sociedade de consumo, contra a qual sempre lutou. Culpa do fotógrafo Alberto Korda que o imortalizou como El Guerrillero Heroico antes de sua morte, ou do artista plástico Jim Fitzpatrick que disponibilizou sua imagem para reprodução no que seria os primórdios do copyleft?

Seria uma injustiça a Korda, que nunca ganhou um centavo pela foto. É a carência por heróis num mundo tão cruel e injusto que propicia isso. A falta de valores e ideais nos deixam saudosistas, e por isso o apego a sua figura de mártir. Necessitamos de inspiração para manter a esperança de dias melhores.

E por falar em futuro, a grande dúvida é Cuba. A ilhota caribenha, largada economicamente 50 anos atrás, sobrevive há meio século a um embargo econômico que limita seu crescimento, sua sustentabilidade.

Apesar disso, se mantém como exemplo em diversos quesitos. Foi o primeiro país do mundo a erradicar o analfabetismo e lidera, segundo a Unesco, em qualidade de ensino. Fora a educação, a saúde também é bastante forte. Vê-se tal benefício no sorriso bonito de sua gente. Os dentes caem junto às máscaras.

As sanções mundiais contra Cuba tendem a diminuir, apesar dos pedidos contra dos Estados Unidos. Raul Castro, que substituiu Fidel em 24 de fevereiro do ano passado no governo de Cuba, promete eliminar proibições, após o mandato de 49 anos de seu irmão mais velho no poder.

Gostaria de conhecer a ilhota antes da morte de Fidel, que infelizmente se aproxima a cada dia. Se o sistema não aconteceu de maneira ideal por lá foi em função dos bloqueios que sofreu. Não se pode ser feliz sozinho, ainda mais em questões políticas.

Che segue na moda, e Fidel está na mira. Sorte a Raul!
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