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Saturday, 6 July 2013

que uruca!

foto de João Mattos/JC
Deixo registradas aqui minhas sinceras lástimas pelo ocorrido hoje à noite no Mercado Público de Porto Alegre. E, tentando evitar teorias conspiratórias mais complexas  agora, exponho somente meu profundo repúdio à qualquer proposta de contrução diferente da ideia original de um prédio popular.

Que este cartão-postal da cidade seja logo reformado e entregue novamente ao seu povo, que hoje dormirá triste.


Friday, 17 December 2010

com a boca no trambone


Crítica nacional:

Parlamentares se auto-promovem e aprovam salário igualitário de R$ 26,7 para eles, ministros de Estado, presidente e o vice-presidente da República. Um acordo foi feito para a tomada desta decisão que os deputados classificaram como em “regime de urgência” para que fosse votada ainda esse ano. 

Inúmeras famílias passam fome no país inteiro, milhões de pessoas sofrem com a falta de recursos e estrutura na saúde pública nos quatro cantos do Brasil, outras tantas estão desempregadas, sem condições de exercer dignamente sua civilidade, isso sem contar que o salário mínimo atual é de APENAS R$ 510(!)... mas nada disso é TÃO importante para os nossos governantes quanto seus próprios focinhos e bem-estar.

Vergonhoso – é o mínimo que posso manifestar a respeito. Uma porque tal ajuste é DESNECESSÁRIO, sendo que todos eles já ganham benefícios como vale-combustível, passagens aéreas gratuitas, não pagam aluguel, tampouco declaram imposto de renda!  - entre outras regalias. Ou seja, para eles seus salários (todos já acima de R$ 10 mil mensais) saem limpos para eles, sem gastos comuns a todos outros cidadãos, que com os impostos, pagam seus salários.

O que mais me indigna, no entanto, é a ignorância do nosso povo, que simplesmente dá de ombros para isso, MESMO (e principalmente) aqueles que ganham tão pouco tendo que sustentar tanta gente. Se fosse na Europa, o povo estaria na rua, manifestando-se contra tudo isso – vide a insatisfação dos franceses com a reforma da previdência deles que aumentou de 60 para 62 anos a idade mínima para aposentadoria, e também, mais recentemente, em Londres, onde universitários atearam fogo em ônibus protestando contra os aumentos nas mensalidades das universidades.

Aqui, infelizmente, só seria gerado rebuliços como esses se proibissem o futebol, a cerveja e o samba de final de semana. Nem o ‘pão’ adianta cortar que ninguém reclama (a começar pelos preços abusivos dos alimentos nesse último ano). O que o povo quer mesmo é ‘circo’! Por que será? PALHAÇADA.
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a mula ruge...

Logo hoje, quando faz exatos quatro anos de nossa conquista no Mundial Interclubes de 2006 no Japão, registro outra indignação: a performance colorada na semifinal deste ano. Perdemos e deu zebra – africanos na final contra os italianos da Internazionale de Milão. Como aconteceu na Copa, torço por quem nos eliminou, e que, mais uma vez, nunca venceu a competição. Ao meu ver, assim como a Holanda (que lamentavelmente não ganhou mais uma vez), o Mazembe, do Congo, merece tal façanha por seu desempenho até agora.

Quanto a nós, teremos que pastar mais um pouquinho até conquistarmos outro título, afinal, não jogamos NADA nessa última partida. Faltou energia, vibração àquela equipe insossa, apática, sem moral. E o Celso Roth que baixe a crista e admita o fracasso do time sob seu comando (pelo menos nessa eliminação, decisiva).

Ficaria inconsolada, querendo ‘matar ou morrer’, se tivesse ido até lá, pagado uma fortuna, para ver o Inter dar vexame, como fez. Mesmo de ganharmos o próximo jogo e nos classificarmos como terceiro colocado no campeonato, voltaremos de Abu Dhabi ainda colorados, mas vermelhos de vergonha.

Friday, 23 April 2010

o buraco foi mais em cima


Anteontem comemoraram os 50 anos de Brasília. Eu não.

No "clima", vi na TV inúmeros programas especiais, reportagens e documentários a respeito, bastante interessantes até, mas admito ter um mega ranço quanto a assunto, e não me envergonho em assumí-lo – nem um pouco, e nem em tempos tão festivos. NINGUÉM me tira da cabeça que a (nem tão) nova capital do país foi a maior lavagem de dinheiro da História!

A intenção de levar o poder e vida (movimentação) para o ‘coração’ do Brasil foi boa, não nego, tampouco ignoro, mas a questão de tirar do centro – no caso, o Rio de Janeiro, o foco do que está acontecendo, do alcance do povo, é intrigante, relevante, questionável e sempre será motivo de críticas. As minhas, pelo menos, sempre serão colocadas sobre.

O projeto audacioso dos arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer também foi louvável, não posso ignorar sua vanguarda e ineditismo. O problema todo é o quê político da mudança. Brasília é um exemplo bem-sucedido, mas de SEGREGAÇÃO. Uma cidade que não foi feita para se andar a pé, para se conviver somente entre quadras (condomínios), em que tudo é divido por setores – não se misturando as pessoas e serviços, desculpa, mas não me agrada. Limita. Parece a Barra... Detesto!

Ok, ela foi feita para receber o poder central do Brasil, seus representantes etc., então tudo bem pensarmos ‘utopicamente’ que tudo se manteria como na ideia original, mas (como sempre!) esqueceram de uma “coisa”: do povo. Os candangos que construíram a cidade, oriundos de lugares paupérrimos, vendo ali a possibilidade de prosperar, JAMAIS iriam voltar às suas origens. Como poderiam ter ignoraram esse grandioso ‘detalhe’ (do comportamento humano, social e econômico de uma realidade como a nossa)? Mais uma vez deram condições para a marginalização de pessoas (ou acharam que só ficariam ali senadores, ministros, embaixadores, diplomatas, o presidente e suas famílias?). E, assim, foi criada por esses operários, logo após sua inauguração, uma periferia, fora do plano-piloto, pois para eles nada foi planejado...

Um fator importante para meu desgosto foi que esse passo para o progresso, como viam tal construção no auge dos “Anos Dourados”, foi a verdade um tiro no pé se pensarmos na dívida externa. Em plenos anos 50 – fase do “The Great American Celebration" norte-americanos, cruciais para determinar o futuro político e econômico mundiais, contrair um débito de ‘cinquenta anos em cinco’ (plano de metas do então presidente Juscelino Kubitschek, realizador da porr* toda), enfraqueceu quaisquer possibilidades de mais liberdade – muito necessária no período. Gerou maior dependência.

Os governos seguintes, de Jânio Quadros e João Goulart (o Jango), que pagaram o pato – este último tendo que, involuntariamente, entregar o poder nas mãos dos militares, subordinados à ideologia estadounidense. Uma pena, claro. Mal a cidade tinha sido erguida com um ideal, e por mais de duas décadas acabou hospedando não-civis. ‘Ironicamente', foi justamente quem mais está acostumado com divisão, em sua hierarquia de patentes, moral etc. Repulso a carreira – essas forças armadas (literalmente).

Bom, passado o tempo... e os ânimos contidos, pode-se dizer, enfim, que já existe um ciclo geracional completo por lá. Arriscaram até em dizer na televisão (pelo o que conta alguém escreveu uma tese, inclusive) que os brasilienses já possuem seu próprio sotaque, depois de anos de um híbrido de falas de procedências múltiplas, essa mistura parece que resultou numa forma própria linguítica. Na música, foram mais rápidos em criar uma nova leva de artistas, e de começar um rock de questionamentos sociais, mais engajado, que buscava uma identidade, razões de ser.

Só consigo me lembrar agora da memorável pergunta de Renato Russo: “Que país é esse?”. E termino por aqui, com possibilidades infelizes para tanto, e não satisfeita por cinqüentenário algum. Bodas de prata é o caralh*! Queria ver era terem direcionado o mesmo montante gasto no Planalto Central para construção de um complexo populacional para quem REALMENTE precisa... Gostaria, sim, de ter visto ISSO ter acontecido, saído do papel, e estar, orgulhosa, presenciando, agora, seu meio século de existência.

Uma ressalva: com tanta distância e dificuldades geográficas, minha SALVA DE PALMAS sim, relativo à Brasília, àqueles que (PODEM/CONSEGUEM e) se mobilizam, e se deslocam até lá para manifestações. Isso apaludo de pé.

Wednesday, 1 April 2009

ela é carioca


Se eu já sou uma carioca? Quase isso. Ouvi esses dias que Ruy Castro escreveu em Carnaval no Fogo que somos todos cariocas, só que alguns nasceram longe de casa. E é por aí mesmo! Impossível não se apaixonar e adotar esta cidade maravilhosa, que te recebe tão bem, como lar. Mas trata-se de uma transição lenta, considerando que trouxe comigo uma bagagem de mais de duas décadas de uma cultura muito forte (tchê!), e da qual me orgulho.

Hoje, já são cinco anos e alguns meses de praia. Passou rápido. Uma das primeiras coisas que eu reparei ao me mudar para cá, é uma besteira, mas me marcou muito e me fez analisar todo um jeito de ser 'carioca': aqui as pessoas dizem que vão ligar e não ligam. Foi a primeira impressão que ficou. Hoje eu já absorvi esse comportamento e nem percebo mais quando isso acontece, e pode até ser que eu dê o 'perdido' vez que outra em alguém também, sem querer.

Mas o fato é que no começo me incomodava e eu não entendia o porquê dessa dificuldade em dizer a verdade, um não, ou somente não dizer nada numa despedida, por exemplo - apenas 'tchau'. Aos poucos aprendi que o "eu te ligo" daqui é como um "até". E para um típico carioca, dizer isso não significa em absoluto uma obrigação (ou vontade) de entrar em contato com o outro depois. No mínimo interessante, né?!

O que já entendo hoje é que o carioca é extremamente cordial e uso justamente esse adjetivo não por acaso, mas referindo-me ao texto de Sérgio Buarque de Hollanda, que versa sobre essa característica do povo brasileiro. O Rio foi a capital do Brasil até 20 de abril de 1960. Foram muitos anos como a cidade mais importante do país, cenário de acontecimentos históricos. Trata-se de tempos marcantes, que influenciaram inclusive o comportamento daqueles que aqui viviam e criaram o conhecido 'jeitinho' para driblar problemas, dificuldades, e manter a política da boa vizinhança para não se dar mal. E foi aí que acho que essa mania louca de informalidade, de "deixar no vácuo", nasceu.

Os gaúchos são os mais europeus dos brasileiros e, por isso, mais radicais, mais secos. Dizemos (e ouvimos) mais 'não'. De onde eu vim, se alguém diz que vai fazer alguma coisa é porque vai e quer fazê-lo (por mais que demore), se não, não diria nada. Por isso não consigo entender como alguém diz que vai ligar e simplesmente não liga. Não estou aqui entrando no mérito de julgar o que é certo e errado, quem é melhor, ou mesmo apontar defeitos. O objetivo é discursar sobre diferenças e qualidades que se destacam, que me atentam.

Um fator determinante para mim nessa nova vida é o calor. Aqui as pessoas se encontram na rua, na praia, não precisam marcar de se ver porque se encontram 'por aí'. Com o frio a tendência é de se entocar. Ninguém fica perambulando a quatro graus sem saber se vai ou não encontrar os amigos, por isso combinam, marcam de se ver e assim as pessoas acabam indo mais uma na casa das outras.

Outra curiosidade ligada a fatos históricos descritos por Gilberto Freyre em Casa-Grande & Senzala é que no sul (como todos aqui chamam qualquer lugar de São Paulo para baixo) não se tem a cultura de algumas profissões que vemos com frequência no cotidiano carioca - babás, motoristas, porteiros, personal dogs, etc. Pode ser que a segmentação da 'porta de serviço' venha da grotesca diferença social existente, resquício do Império (mais ainda... de um período colonial desleal e desumano).

No Rio, é comum esse costume de se ter empregados, de querer se manter aparências e, portanto, se casar, além de se evitar dizer não para que portas não se fechem. Deixo claro que 'manter aparências' nada tem a ver com uma mania provinciana porto-alegrense típica de se julgar as pessoas pelo o que vestem, ou algo do gênero. Aqui no Rio se vai de calça jeans em casamento e se anda de ônibus em trajes de banho. As pessoas não se arrumam muito para nada simplesmente porque suam, porque uma torção de pé em pedrinhas portuguesas num salto altíssimo significa fratura exposta, porque aqui é tão cosmopolita, são tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que o glamour acaba ganhando outro charme - o da naturalidade, sem deslumbres.

Quantas celebridades podem comparecer a uma festa, ser vistas no shopping, estar na praia, de noite no baixo, ser seu vizinho, amigo, colega de trabalho, amante, afim? Quando me mudei pude ver, sentir e viver na vida pessoal e, profissionalmente, como a terra de política, esporte, teatro, estúdios de rádio, cinema e televisão, valoriza as pessoas.


É um rio de possibilidades, não me canso de dizer orgulhosa. Sempre quando fico triste, com saudades, lembro logo que aqui as coisas acontecem facilmente, que a natureza está à nossa volta e o passado nas ruas de um 'Rio Antigo'. Sou muito sortuda mesmo, afinal "da janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo!". Eu? Quero a vida sempre assim.
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