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Sunday, 14 November 2010

quanta diferança!


O que motiva os jovens hoje? Nos anos 60 era um sentimento de liberdade, de oposição à guerra, amor livre. Aqui no Brasil, um pouco diferente do que aconteceu nos Estados Unidos, foi a ditadura, pensamento e comportamento conservadores de nossa sociedade.

Muita coisa mudou, mas ainda atualmente o cabelo pode ser uma forma de manifestação. Não como antes, quando o simples fato de um homem deixá-lo crescer era considerado subversão... de afronta ao sistema, ao exército - que exigia dos jovens cabelos curtos. Agora seria muito mais agressivo uma menina raspar a cabeça, por exemplo, ou usá-lo de forma estranha, num colorido gritante.

De qualquer forma, um retorno a esse espírito hippie cultuado no passado é uma viagem interessante. Vale a pensa ver a mega produção "Hair", em cartaz no Oi Casa Grande, no Leblon - Rio de Janeiro. Músicas, figurino, cenografia, elenco... tudo de primeira! Como era de se esperar, gostei MUITO, mesmo tendo eles mudado um pouco o original. Muito mais que a questão da homossexualidade, compreensivelmente defendida pelos parceiros-diretores Charles Möeller & Claudio Botelho nessa versão brasileira, a na época mais abordada e igualmente criticada mistura de raças acabou ocultada de certo modo na minha opinião.

É, os tempos são outros, mas as bandeiras continuam levantadas - cada um defendendo a sua causa como pode. A proposta pode até ser a mesma, já os cabelos...

Saturday, 11 July 2009

ar superficial


Fiquei surpresa ao assistir ao filme Hairspray (versão com o John Travolta) e constatar que o roteiro vai muito além de laquê, dança e juventude transviada, alienada dos anos sessenta. A trama me surpreendeu por ser engajada em causas como preconceito e segregação racial. Fiquei louca para ver o musical da Broadway que estreou ontem aqui no Rio. E adorei!

A história mostra vida de Tracy, uma adolescente gordinha, que deseja ser famosa participando de um programa de dança na TV. Surge uma oportunidade e ela vai atrás de seu sonho. Mesmo não correspondendo ao perfil de garotas que entram para o Corny Collins Show, ela é escolhida devido a sua persistência, coragem e talento com o chacoalhar de seus quadris.

A naturalidade como a protagonista se mostra aberta e interessada na integração com os jovens negros, até então limitados a dançarem em um único dia no mês, intitulado ‘O Dia do Negro’, sensibiliza. E irrita a produtora do programa, Velma, mãe de Amber, o exemplo de ‘garota popular’ norte-americana – loira e linda, mas fútil e má. Aliás, Velma é pior ainda.

A ex Miss-Caranguejão faz de tudo para que Tracy saia do programa e não seja concorrente de Amber no concurso Miss Haispray 1962. Ela joga sujo, inclusive, usando como armas sua beleza e sensualidade, crueldade e desrespeito às diferenças. O filme e o musical evidenciam com poucas divergências na adaptação que o amor e o sucesso vão muito além de padrões estéticos e cor de pele.

No final, o bem prevalece e Tracy conquista o público e o coração de Link, o bonitão do programa, antigo affair de Amber. E sua amiga Penny, subverte o comportamento racista da época e dança com Seaweed na televisão pela primeira vez. A única coisa que preferi no Blockbuster foi o fato de Inez ter podido participar da disputa e assim ter dado um resultado diferente às expectativas já preparadas para o óbvio.

Para conhecer mais todos esses personagens e essa história envolvente sugiro que assistam a Hairspray no Oi Casa Grande, no Shopping Leblon, ou em casa, no DVD, enquanto o espetáculo não chega a sua cidade. O elenco brasileiro está dez! - Simone Gutierrez e Jonatas Faro arrasaram em seus papéis. São praticamente duas horas de muita música e coreografias que vão ficar na sua memória por muito tempo.

O laquê é só o pano de fundo para o que realmente importa, o que não é supérfluo, nem superficial. O conteúdo vale muito mais sempre - é o que fica, mesmo depois de lavados os cabelos... (falando em ficar, em homenagem à ruivinha, uma pérola: "Depois que provei o chocolate, não mudo nem a pau!" - excelente). Assistam, é para toda a família. “Oh, Baltimore...”
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  • viaje sempre
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c'est fini!