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Thursday, 30 April 2009

abaixo a censura


Enfim, a defasada e autoritária Lei de Imprensa foi revogada. Em fevereiro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender 22 artigos da lei, mas ela só teve seu fim por completo hoje. Foram 42 anos sob uma jurisdição intimidadora, criada no regime militar.

"Era o último entulho do autoritarismo ainda em vigor", já dizia desde 2007 o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), autor da ação. A lei abolida representava uma tormenta para os jornalistas e uma ferida para a liberdade de expressão do pensamento, fundamental à democracia. E isso acontecia ainda que os meios de comunicação brasileiros fossem exemplos de luta da liberdade de imprensa na América Latina.

Em nome da segurança nacional, a antiga lei censurava meios de comunicação, compositores, dramaturgos e escritores e permitia a apreensão de publicações. Agora os jornalistas e os meios de comunicação serão processados e julgados com base nos artigos da Constituição Federal e dos Códigos Civil e Penal. Se antigamente o problema eram os efeitos terríveis que ela ainda causava, especialmente entre os pequenos jornais e veículos de comunicação que eram massacrados por prefeitos, políticos e empresários, tendo que pagar indenizações que provocavam o fechamento desses veículos, agora a maior preocupação é a com o direito de resposta.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defendem novas normas que regulamentem penas e indenizações contra jornalistas e empresas de comunicação. Alega-se que com a simples extinção da lei, sem a fixação de novos parâmetros para a atividade jornalística, seja criado um perigoso vácuo na legislação. Já Teixeira não vê necessidade de outra lei, porque todas são restritivas, e nunca a favor do direito do povo à informação.

Esse impasse segue em discussão, assim como a questão da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista - que estava com análise de recurso prevista (mas isso é assunto para outra postagem... - Em breve, notícias a respeito aqui!).
Apesar das incertezas, nós, jornalistas brasileiros, já temos um bom motivo para comemorar no dia 03/05, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. E que a gente siga comunicando de maneira consciente e justa.

Wednesday, 29 April 2009

bola


Nunca estive tão gorda. Isso me entristece e baixa minha auto-estima, embora felizmente esteja numa fase ótima em outros termos estéticos. Sinto na pele como a vaidade feminina é abalada com o ganho de uns quilinhos a mais. Sei exatamente porque estou com mais 'gente em casa'. Torci meu pé ano passado, fiquei meses parada. E quando voltei ao esporte, torci de novo o tornozelo em função de não ter feito a fisioterapia necessária. Nessa onda se passou um ano.

O resultado do sedentarismo?
Comer + não gastar as calorias ingeridas = engordar

Senti o efeito 'bola' na performance sexual e não gostei. Não consigo ter desenvoltura me sentindo gorda, me achando feia. Exagero? Não. Um dos tópicos comentados essa semana pela sexóloga Kátia Valladares, que dá dicas de saúde sexual no programa Boa de Cama, foi justamente esse: como o aumento de peso gera repulsa sexual em algumas pessoas. Não tem escuro que esconda de mim mesmo minha barriga. Me desaprovo assim. Não faz parte do meu show esses 'pirellis' na cintura, esses centímetros a mais no quadril.

Fazer o quê? Reagir! Semana que vem começo a fisio, e volto a malhar aos poucos, até voltar ao meu ritmo normal de atleta que sou. Estou morrendo de saudades do vôlei, de minhas colegas amadas, de me sentir 'slim', bonita e confiante no meu taco - como sempre fui e voltarei a ser em breve. Salve o spinning, a local, barriguinha zero, coxas duras e bumbum de pé!
O mundo é dos magros.

*Aliás... “Essa não toma Cosquarque!”.

Tuesday, 28 April 2009

coletivo


Terça-feira, dia 28 de abril
(mas poderia ser qualquer outro dia)

Já estou no Rio, onde passei a reclamar mais dos transportes públicos. Sigo assim aqui, sem novidades boas a respeito. Subi num ônibus, mal consigo me segurar e ele arranca. Péssimo, mas me fez lembrar que voltei de Porto Alegre com uma visão menos saudosista de lá - pelo menos no que se refere a esse serviço.

Domingo, 21h. Estava na Venâncio Aires rumo à Av. João Pessoa. Fiquei parada no meio-fio esperando o sinal abrir para poder atravessar a rua. Meu ônibus passou por mim e parou no ponto para pegar passageiros. Consegui atravessar correndo, embora tivesse o sinal ainda aberto para os carros. Corri e bati na lateral do ônibus, mas embora tivesse gritado pedindo ao motorista para ele abrir a porta, ele não o fez e partiu.

Fiquei super frustrada com esse comportamento do trabalhador em questão. Era domingo, noite, ele não estava com pressa, estressado com o trânsito, nem nada. Estava apenas cumprindo sua jornada de trabalho. O que custava a esse homem abrir a porta para mim? - uma pessoa que visivelmente correu para pegar o ônibus que ainda estava ali parado.

Para mim fica claro que o sujeito não é um bom motorista de ônibus, cuja função é parar nos pontos e pegar os passageiros. Não que ele dirija mal, mas sua missão não cumpre com dignidade. Embora tivesse chegado "tarde" no local, só consigo ver como maldade a reação dele em arrancar o ônibus e me deixar ali, num dia como aquele, tarde, esperando o próximo carro, que com certeza iria demorar.

Enxergo esse comportamento como uma amostra de uma espécie de símbolo de poder, uma resposta vingativa, ou algo assim, contra o cidadão. Já falei sobre "o porteiro se sentir como dono do prédio" e acho que acontece a mesma coisa com os motoristas de ônibus e cobradores também, muitas vezes. É uma atitude do mal essa, infelizmente. Um anti-heroísmo às avessas.

Em mim fica a impressão de que esse é o momento e o meio como eles têm de mostrar sua importância. É quando podem dizer 'não' a alguém. E assim o fazem, mas de uma maneira errada, pois estão deixando de cumprir suas tarefas, e assim, executam mal o seu ofício.

Uma vez um amigo me falou que só vamos conhecer REALMENTE alguém quando essa pessoa tem poder. Concordei na hora. Depois me lembrei de alguns casos em que isso aconteceu, e me decepcionei. Já na esfera pública, fico deprimida por ver isso acontecer nos serviços primários, sentir que profissionais não cumprem direito o seu papel. Pagamos pela passagem, ninguém iria me dar carona, ou me fazer um favor nesse caso em Porto Alegre.

No Rio é ainda pior. Aqui tudo é maximizado: mais confusão, mais falta de educação, mais gente, mais barulho, mais trânsito etc. Fiquei chocada ao chegar aqui e ter que me atirar na segunda faixa para fazer sinal para um ônibus que iria passar direto se eu assim não fizesse (pois ele vinha à toda velocidade na terceira faixa e com certeza não iria parar! - como não pararam vários até eu aprender como lidar com a situação). Os absurdos presenciados já foram outros e vários, infelizmente.

Sempre digo que se político andasse de ônibus iria ser tudo diferente. Eles iam pensar mais no coletivo, com certeza.

Monday, 27 April 2009

lar doce residência


Começo assim:
(e não teria como ser diferente)

Samba do Avião
Tom Jobim

Eparrê
Aroeira beira de mar
Canôa Salve Deus e Tiago e Humaitá
Eta, costão de pedra dos home brabo do mar
Eh, Xangô, vê se me ajuda a chegar

Minha alma canta / Vejo o Rio de Janeiro / Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar / Praia sem fim / Rio, você foi feito pra mim

Cristo Redentor / Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque / Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar / Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar / Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Copacabana, Copacabana

Cristo Redentor / Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque / Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar / Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar / Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós / Pousar...

Sensação incrível a de ver esta cidade maravilhosa de cima, toda minha. Aqui é meu lar agora. E apesar dos pesares, defendo meu chão com todos os argumentos possíveis (e nem preciso de tantos, porque o Rio é 'simplesmente' assim). Propagar por aí que é tudo de bom faz parte, é fácil, mas é melhor quando os elogios vêm dos outros, de quem adoraria viver como eu.

Coisa boa chegar em casa. Sensação de dever cumprido e, ao mesmo tempo, já tomando fôlego para seguir em frente. Um frio na barriga. O tempo tem voado! Já não consigo fazer tudo, ver todo mundo, dormir direito. É muita coisa ao mesmo tempo, aqui, agora. Está tudo acontecendo.

Uma nova fase começa hoje. Mais concentração, mais foco. Vou me desdobrar em mil para vencer todos os desafios. Só depende de mim. Somos responsáveis por aquilo que cativamos e tenho tentado abraçar o mundo, como o Cristo, mas em vão. Tenho bracinhos de Horácio perto dele. Então vamos lá: um passo de cada vez.

Não reclamo. Ao contrário, agradeço. O papo ali da janela vai ser longo nessa madrugada.

Sunday, 26 April 2009

revival


Tinha prometido para mim mesmo na entrada do ano que não iria mais insistir nos mesmos erros do passado, que procuraria problemas novos em gente desconhecida. Já tinha quebrado a profecia logo no primeiro mês, mas agora consegui me contrariar totalmente.

Por que não dar mais uma chance à sorte (ou azar?). Medo de se ferir? Burrice? Ignorei as estatísticas e me permiti tirar a prova, ver qual é. Sem arrependimentos. Só prazer. Teve gente que amarelou em frente a meu interesse, essa chance. Muita emoção.

Já escrevi sobre isso, mas tenho que me repetir dizendo o quanto é interessante sentirmos o que causamos numa pessoa, seja pro bem ou não (preferivelmente, claro, coisas boas. DESTESTO provocar o mal, mesmo que sem querer). Guardamos com a gente sentimentos que podem nunca ser exteriorizados. Muitas vezes estão abaixo das pedras que criamos em nossos corações, esmagados. Esquecidos.

Talvez baste um olhar para tudo vir à tona, uma oportunidade, um reencontro. Sempre digo que 'o tempo é o senhor do destino'. Pode ser que perdoar, relevar, permitir uma reaproximação seja a chance de um novo enlace, um novo relacionamento, uma nova situação - melhor, ou "finita". Só podemos enterrar algo dentro de nós se vivermos aquilo.

Acredito em todas as formas de amor. E valorizo os 'revivals' que a vida nos proporciona. Só resta a nós avalizarmos o que é bom para a gente, e repetir quantas vezes for necessário aquilo que gostamos. Ou eliminarmos de vez se for ruim, sem volta, depois de provado (e reprovado!).

Resumindo, sem pudores: o que é bom, pede bis. E atire a primeira pedra quem nunca teve uma recaída.

Saturday, 25 April 2009

sul do mundo


Porto Alegre é demais! O outono aqui é enigmático. Minha estação favorita. Temperatura amena e a possibilidade de ver as folhas caindo na terra natal. Querência amada.

Essa nostalgia toda tem causa: um pôr-do-sol DAQUELES, que só vemos por aqui. Fui obrigada a me levantar e aplaudir, assim como faço em Ipanema, na companhia das milhares de pessoas que dividem comido esse instante mágico, poderoso - único, a casa tarde em que se repete.

Sempre fico num dilema cruel. Tenho milhões de lugares para conhecer, mas quero sempre retornar às origens. É bom revisitar o passado, rever amigos, estar com a família e comer bem. Tem coisas que só são comuns aqui, como Xis Coração e churrasco de ovelha, chimarrão e dias frios (e lindos) de sol.

O objetivo agora é estar aqui novamente só de passagem, rumo abaixo! - num caminho mais ao sul do mundo. E encerro com 'À Palo Seco', do Belchior, trilha sonora de um fim de tarde encantador que explica um pouco de mim, de nós:
"...por força do meu destino um tango argentino me cai bem melhor que um blues..."

Friday, 24 April 2009

mocinha


Quem te viu, quem te vê...

Sapato, figurino, acessórios, cabelo, maquiagem - estou que é uma boneca! (nem me reconheço!) Isso é bom. Me sinto mais mulher, mais bonita, mais eu, diferente. Será a maturidade, mais possibilidades? Acho que é amor-próprio.

Já teve épocas em que quando me elogiavam dizendo que eu estava bem, eu logo dizia: "é o amor, amor-próprio!". E era mesmo. E é ainda ele que me faz sentir bem, ver que estou cada vez melhor - envelhecendo e me valorizando como o vinho.

Ainda estou longe da perfeição, se é que ela existe... Mas a cada dia me sinto mais mulher, aliás MULHER - assim, com letras maiúsculas. E um espécime típico desses se maquia, hidrata os cabelos, capricha no figurino e investe em vestidos, salto-alto, usa anéis, brincos, etc. e arranca assobios por onde passa, ou entorta alguns pescoços, e ainda causa furor, interesse, paixões.

Ah, sim... Estou apaixonada por mim! Caprichando. Estou bem 'mocinha'.

Quem me deixa bonita:

Cabelo e Maquiagem
Porto Alegre: Color & Cut (hairstylist Kátia Proença)
Rio de Janeiro: Solluamar Lemos (21 92071060)

o terror das namoradas


Quinta-feira, 23 de abril de 2009, 14h.

Era para eu receber algumas mulheres e matar sua curiosidade acerca do universo masculino. Onde? Num dos maiores clubes de strip do país. Desde que fiz o convite a dezenas de homens para eles comparecerem no Carmen's, elas se mostraram interessadas em acompanhá-los. Foi então que agitei um esquema para que elas pudessem ir, mas num evento exclusivo só para elas e para casais. Perdi essa jogada por WO.

Pela ausência total das moças, dei-me por vencida e passei a acreditar mais no que uma amiga falou, que elas só disseram que queriam ir para alfinetar os homens. Mostraram-se afim de acompanhá-los para controlá-los, e não porque gostariam de fato conhecer o lugar, participar. Na real, não queriam que ELES fossem, ou que estivessem lá sozinhos. Fato. Infelizmente juntos não iria rolar a pauta que me trouxe ao sul.

Mais de 30 homens compareceram e participaram do evento que produzi. Gravamos algumas matérias para o Zona Quente das 12h às 20h. Agradeço imensamente pela colaboração de todos. Foi cansativo, mas muito bom. Tenho certeza que o resultado será satisfatório, para todos. Como mulher, não sei se fico feliz por ter tido um coro excelente, mesmo sabendo que muitos deles tiveram que omitir de suas parceiras que foram. Como produtora, tanto faz.

Gostaria que fosse diferente, que os olhares de reprovação fossem menos ácidos. Não faço mal a ninguém. Por trabalhar com um assunto interessante e diferente incomodo. Já me acostumei com essa reação negativa, embora seja injusta e eu não provoque. No fundo quem sai perdendo são ELAS, pois atiçam a mentira e omissão daqueles com quem convivem, amam, querem bem, mas sem liberdade. Fraqueza.

Tenho uma visão diferente provinda de quase quatro anos trabalhando num meio em que o ciúme e a insegurança são vencidos todos os dias, a cada set, festa, cena. Sou privilegiada? Não sei. Entendo bem os homens e tento levar esse conhecimento para o meu íntimo. Muitas vezes não sou feliz. Só sei que vejo relação 'sexo X amor' de outra forma, de uma forma mais real, natural.

O que elas temem? Independente de todas as respostas possíveis, queria MESMO que não fosse eu, que essas namoradas/mulheres e afins não enxergassem em mim uma concorrente, inimiga, vilã. Sou apenas profissional.

*As matérias vão ao ar no Sexy Hot a partir de junho, ainda sem data prevista.

Wednesday, 22 April 2009

não vai a lugar nenhum!


Por mim, eles não iriam MESMO!

Sobre o escândalo das passagens aéreas serei bem direta: sou contra o uso inadequado desse benefício pelos políticos.

Ao contrário de nosso presidente Lula, que não vê como crime deputados levarem suas mulheres à Brasília com dinheiro público, eu acho que está errado. Quando viajo a trabalho, não posso levar acompanhante, porque minha missão é labutar. Não estou indo a lazer. Qualquer empresa normal, inclusive a que trabalho, jamais pagaria para seus funcionários levarem alguém a suas custas. Por que tem que ser diferente com eles?

Pior então é levar mais gente, como o deputado Fábio Faria (PMN-RN), por exemplo, que usou sua cota para pagar viagens a artistas para participarem de um Carnaval fora de época, à ex-sogra e à ex-namorada Adriane Galisteu, apresentadora de TV. Como contribuinte, deveríamos todos ser questionados sobre o uso do dinheiro dos impostos que pagamos. Por que essas pessoas são favorecidas e não eu, ou qualquer outra pessoa aleatoriamente? - ou então, sim, indivíduos que estejam fazendo algum trabalho com os órgãos governamentais? Que tipo de trabalho para o povo Galisteu e sua mãe estavam fazendo neste evento? Me explica.

Nossos governantes precisam de regras para saber que NÃO podem usar a seu bel prazer esse benefício? TODOS deveriam ter noção do que não é legal, que esse uso é para trabalho e não para levar a família a viagens de férias na Europa, por exemplo, como fez nosso (ainda bem) não-eleito candidato à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira. Inclusive os integrantes do Conselho de Ética (repito: ÉTICA), que junto a líderes partidários utilizaram a cota de passagens aéreas da Câmara para familiares e terceiros em viagens ao exterior sem vínculos com atividades próprias de seus mandatos.

Uma lista negra é formada:

Alvaro Dias (PSDB-PR)
Armando Monteiro Neto (PTB-PE)
Ciro Gomes (PSB-CE)
Fábio Faria (PMN-RN),
Fernando Gabeira (PV-RJ)
Geraldo Mesquita (PMDB-AC)
José Carlos Aleluia (DEM-BA)
José Genoino (PT-SP)
Mário Negromonte (PP-BA)
Michel Temer (PMDB-SP)
Osmar Dias (PDT-PR)
Paulo Paim (PT-RS)
Ricardo Berzoini (PT-SP)
Rodrigo Maia (DEM-RJ)
Vic Pires (DEM-PA)

Todos esses se utilizaram do dinheiro público em benefício próprio com passagens aéreas para si, ou seus familiares/amigos. Não votem mais neles. E fiquem atentos porque deve ter muito mais gente envolvida, mas não sabemos. É uma vergonha.

Espero que essa farra das passagens tenha seu fim com a transparência pretendida. Publicar os gastos dos órgãos responsáveis vai ajudar com certeza. Triste saber que foi necessário um escândalo desses para que nossos políticos tivessem (dor na) consciência (?) do erro que vinham cometendo indiscriminadamente. Fala sério.

Tuesday, 21 April 2009

juntos e misturados


O verbo (e o objetivo sempre) é agregar. Interessante como cada vez mais esse jargão tem se feito presente em minha vida. Está mais para 'meu slogan do momento'. E que bom, porque é perfeito e verdadeiro.

Infelizmente não tenho sentido o mesmo dos outros, é bem verdade. A recíproca não é verdadeira. Mas não desanimo e me utilizo de toda minha compaixão* para seguir em frente e transcender as más energias.

O mundo dá voltas e sempre penso no que será. Como um dia acabamos tendo que reavaliar atitudes anteriores, feridas do passado que cultivamos em pessoas que de repente nem mereciam. Tenho me questionado a respeito e confesso que tenho tido vitórias nesse sentido - ano passado voltei a falar com algumas pessoas com quem tinha umas "zicas" e posso dizer que somos bem melhores convivendo hoje. Um alívio.

Eu agrego, mesmo com alguns poréns. Jamais deixaria de ir a um local em função de outra pessoa, ou pediria que ela não fosse para eu poder ir, por exemplo. Isso já aconteceu comigo, contra mim, e não me senti bem quando soube. Claro que não faço questão de estar entre pessoas que não me querem bem, e evito que aconteça, mas deixar que isso me afaste de outros amigos e me faça perder momentos com eles, nunca.

Acho que tem gente que perde boas oportunidades de ter grandes amigos, de cativá-los, de ser verdadeiro e leal. Amizade a gente conquista, não é gratuita. Empatia sim, mas não sustenta sozinha a complexidade desse nível de ralcionamento se não tiver um plus, investimento e dedicação. Amor de amigo tem que ser acolhedor, sincero, mas duro quando preciso.

Para quem quiser, estamos aí!
(*o segredo está no mantra lá no rodapé da página)

Monday, 20 April 2009

verborragia


Os blogs estão aí para isso: para se versar livremente sobre diferentes assuntos. Agora, escrever num jornal de grande circulação é diferente. Merece cuidado, respeito, apuração. Tem que se pesar o que é dito, não se deve escrever sem limites, ainda mais quando se fala mal de algo, ou alguém.

Abri a Zero Hora de sexta-feira e vi uma coluna no caderno jovem do jornal que me chamou a atenção negativamente. Nela, uma lista de seis itens lamentáveis dos anos noventa. Seguem baixo:

1. Raves. Música irritante, homens sem camisa e NINGUÉM beijando na boca.
2. Grafite. Foi quando inventaram o absurdo que grafite é arte. Sério, grafite não é arte.
3. Manguebeat. Lama, fantasias e anamauê. Alguém me explica?
4. Camisa de flanela. Perfeitas para quem tava a fim de se matar naquele dia.
5. Guerra do Golfo. Não é minha guerra favorita, te dizer.
6. Tamagotchi. Atestado máximo de imbecil.


Quanto a fazer a lista, ok, mas as críticas poderiam ser melhor elaboradas, embasadas em verdades. Esse é o príncípio básico. Agora, com que respaldo o autor faz afirmações como a que grafite não é arte, por exemplo? Onde essa pessoa vive que não vê que está errado? (por ironia do destino, descobri que no mesmo bairro que minha mãe mora, aqui, próximo de onde estou AGORA).

Me vi obrigada a ir atrás de informações sobre quem escreveu tamanho disparate. Fiquei chocada. A pessoa é comunicador de rádio, trabalha com música e, no mínimo, não reconhece o valor de Chico Science na música brasileira. Sinceramente, gostaria que não dessem tanto crédito a quem tem um 'puta' espaço na mídia e manda mal uma vez que usa de seu gosto pessoal e sua desinformação para criticar movimentos musicais e uma arte que pelo visto desconhece, ou ignora.

Liberdade de expressão? Tem que ter. E discernimento? Todo. Ele até pode publicar o que quiser em outro nível, agora um jornal deste porte bancar esse tipo de texto agressivo e deselegante, é DEMAIS. Chama o ombudsman! Avisa o moço que veículo para este tipo de texto é OUTRO e que os blogs estão aí para isso. Enfim, viva a internet e toda verborragia cabível aqui.

Utilizando-me do que é de praxe: Cala a boca, Piangers! (ou Zero Fora?)

Sunday, 19 April 2009

como uma onda


Engraçado como o passado pode nos revisitar, como ele chega, como nos toca. Em um segundo tudo pode voltar à tona. A intensidade é outra na verdade, as intenções, a realidade. O que fica, no fundo, é a maturidade em avaliar tudo com mais calma, com um olhar de que já passou.

Uma andorinha não faz verão. Tem que haver reciprocidade, sinergia. O outro muitas vezes é mais importante que nós mesmos, pois é o que faz valer a pena, ou não. O que significamos para as pessoas? Como saber? Em pequenas atitudes delas mesmas, em gestos, palavras.

Voltei às origens e me surpreendo com o que sinto, com o que acontece, e como. Sei que daqui a pouco vou embora e tudo vai voltar ao que era antes, ao que vem sendo há cinco anos. Venho, vivo e vou. Simples, mas com carga, com bagagem de mais de vinte anos aqui, sentimentos e elos fortes. Sempre fui intensa. E incomodo.

Não quero que nada seja como antes. Pode ser melhor. Pode ser. Ainda, agora, sempre. Como for... Mas tem que 'ser' para significar algo. Tem que superar. Nada é por acaso. Se algo acontece, vou considerar, lembrar, guardar comigo. Nessa situação atual, não arrisco, não instigo. Apenas recebo e respondo. Troco.

Fiquei feliz em ver a cidade, sentir o ar da querência. Estar entre amigos, almoço em família, ver meu sobrinho crescer, provar sabores e a fartura que o sul proporciona, sentir um friozinho que só aqui tem, ouvir os gritos do Beira-Rio, ver meu time ser campeão - tantas emoções, tanto carinho, saudade imensa! Mas racionalmente, vontade de já partir.

Tudo vem e vai, foi, é e será como tem que ser. Como uma onda no mar...

Saturday, 18 April 2009

cinderela

O que leva uma mulher a comprar onze pares de sapato de uma só vez? - oportunidade, necessidade, consumismo, fetiche? Como e por que os calçados se tornaram 'objetos de desejo feminino'? Qual o poder que esse acessório tem em transformar nossa auto-estima?

Somos loucas? Talvez. Sem críticas, nosso foco só é diferente do time do coração, do carro do ano, da cervejada com os amigos. Também temos nossas fraquezas, e uma delas é os benditos sapatos. Bolsas também são uma tentação! Mas ficam um pouquinho atrás em nossa preferência prioridade.

Salto-alto, bota, escarpam, rasteirinha, salto-agulha, plataforma, anabela... são tantos os nomes que nos tiram do sério. Quanto tempo gastamos numa brincadeira dessas entre olhar vitrinas, experimentar, conferir no espelho, caminhar, tirar, provar outro... ? Horas. Uma tarde. Um dia se deixar.

A maior prova de amor? Os parceiros que esperam por nós nesse momento. Alguns ficam impacientes, mal-humorados, outros dormem, roncam enquanto aguardam. Pode ser uma situação chata para eles (concordo - o ideal, inclusive, é que eles não nos acompanhem. Para isso existem as amigas, mãe, irmã...), mas o resultado é positivo. Eu garanto.

Além de saírem da loja com uma mulher feliz e realizada depois de uma compra dessas, eles vão ter a possibilidade de apreciar pés lindos em ocasiões especiais. Porque não há como negar que um belo sapato deixa uma mulher ainda mais maravilhosa, segura, irresistível.

Somos todas cinderelas. Para algumas, só falta o príncipe.

Friday, 17 April 2009

além do horizonte


Dia lindo no Rio. Fim de tarde perfeito em São Paulo. Noite agradável em Porto Alegre. Viagem emocionante. Pela janela do avião uma linha de um laranja enigmático me remetia a um mundo melhor.

Um turbilhão de idéias na cabeça. Coração batendo forte. Saudades do que vivi, sonhos que estão por vir. É bom pensar e fazer um balanço da vida. Isso costuma acontecer quando estou em movimento, vento no rosto, luzes passando pela janela do ônibus. É a alma alcançando meu corpo que nunca pára.

18h é a hora dos anjos. O universo sempre conspira a favor. Vontade de ficar em São Paulo e ver a cidade do alto, 360º sob as estrelas. Um céu infinito de possibilidades. Chego ao destino serena, aberta, afim. Muito trabalho pela frente. Tenho meus olhos voltados para um futuro próspero.

Olho para o horizonte e vejo muito além.

Thursday, 16 April 2009

monstro


Se o humor é a solução? Talvez. Tratar alguns assuntos com alegria e descontração permite aliviar a seriedade e amenizar a receptividade por parte do outro. Mas até que ponto precisamos dessa máscara para dizermos verdades?

Assisti ao musical Avenida Q e fizemos uma matéria justamente sobre o humor como ferramenta para se falar de coisas importantes. No caso ali, de sexo. Muito inesperado vários monstros e bonecos falando putaria e agindo de forma não "carinhosa" e fofa. Atitudes humanas por trás de personagens caricatos.

Minha atenção se voltou para a dupla de ursinhos malvados. Não poderia ser diferente! Uma surpresa - tão meigas criaturas serem tão ácidas em seu discurso e ações. Eles incomodam por sua autenticidade, por trazerem à tona vontades e desejos subliminares. Eles geram polêmica. Salientam o diabinho que há em todos nós.

Não me acho uma pessoa engraçada. E inclusive tenho dificuldade para contar piadas, fazer graça... Eu me vejo assim, ao menos. Deve ser por isso que o tema me chama tanto a atenção, porque vejo aí um desafio. Tenho que absorver mais esse tom humorístico nas coisas de um modo geral, relaxar mais, para melhor.

Brincando é que são ditas as verdades. É mais sério que eu pensava.
*A matéria do Zona Quente vai o ar em junho no Sexy Hot - ainda sem data definida.

Wednesday, 15 April 2009

a (re)volta da chibata


João Cândido foi o Almirante Negro - líder da revolta da Chibata, movimento de militares da Marinha do Brasil que se rebelaram contra a aplicação de castigos físicos como punição contra eles, em 1910. Em uma carta ele dá o ultimato:

"Não queremos a volta da chibata. Isso pedimos ao presidente da República e ao ministro da Marinha. Queremos a resposta já e já".

Os tempos são outros, mas o teor ainda é o mesmo: a violência. Eu 'e toda a torcida do Flamengo' ficamos CHOCADOS com as imagens exibidas pela televisão hoje. Pensei que o tempo dos castigos da escravidão (como o da imagem acima, de Debret) tinha passado. Estava enganada.

As chicotadas que os seguranças da SuperVia deram nos cidadãos embarcados e amontoados nos poucos trens que estavam em funcionamento mostram que sofremos ainda com os mesmos erros do passado. Esse comportamento adotado pela companhia é um retrocesso social. É a prova que o Estado falha, mais uma vez.

O contribuinte acorda de manhã e enfrenta um tumulto para poder ir trabalhar. Greve dos ferroviários e pronto: quem depende dos trens vai penar. Centenas de pessoas se aglomeram nas estações e lotam os vagões. Trata-se de pessoas que pagaram por aquele serviço, concedido à empresa pelo governo. Ninguém está fazendo nada de errado para ser castigado.

Mais do que os socos e pontapés, os chicotes usados para bater nos passageiros são a instituição da barbárie no sistema de transportes. Mais de um agressor possuía o instrumento em mãos. Como (e por quê)? Faz parte do uniforme? Gostaria que o diretor de lá me respondesse. Será que eles tinham carta branca para agir daquela forma?

Confusão sempre vai ter quando houver problemas, greve etc. mas não há justificativa para que pessoas sejam tratadas de tal forma por uma empresa prestadora de um serviço básico como esse que atende à população. Logo penso na minha teoria de poder e volto a me questionar sobre o porquê de as pessoas tomarem para si certos (podres) poderes.

Por que o porteiro sempre pensa que é dono do prédio?

Deveríamos nos rebelar MAIS! - e em resposta a TUDO. Salvem os revoltosos de 1910! Esses sim, venceram. E acredito que essa foi a única rebelião que de fato deu certo no Brasil, apesar da posterior prisão de João Cândido, do descaso do povo, e que poucos conhecem esse a página da nossa História. Ano que vem, tem centenário. Justiça seja feita.

Tuesday, 14 April 2009

conchinha


Não é a primeira vez que me encontro assim, em conchinha. Esse é um estado de espírito, "catito", intimista, fechadinho. É como estou agora - mais na minha. Não é raro estarmos vivendo mil coisas ao mesmo tempo, com mil pessoas à volta. Difícil é o contrário, estarmos sozinhos (e bem).

Esse vácuo não é ruim. Bem pelo contrário... é a possibilidade do novo. Não notamos às vezes quando estamos tão envolvidos em situações e com pessoas que não acrescentam (mas que estão ali, ligadas a nós, nos sugando) e o quanto esse círculo vicia e nos impede de conhecer mais gente, de viver outros momentos, de estar free, 'àvon'.

O trabalho ajuda muito (ou atrapalha?). Tenho estado mega ocupada com gravações, textos, pesquisas, blog etc que não tem sobrado tempo nem para sentir falta de um agito amoroso. Mente ociosa é a oficina do diabo, pode dar espaço a uma certa carência. Quando aparece alguém, é bom, e não peço para sair(!), mas não estou numa fase de busca. Estou cuidando do meu jardim, como diria Quintana em "Correr atrás das Boboletas".

Minha melhor definição atual: estou na conchinha.

Monday, 13 April 2009

french


Hoje, Dia do Beijo (e não beijei na boca...). Já sabia que não ia rolar, pois estou há uma semana na função pós-operatório. Extraí dois sisos. Está tudo bem, apesar das fisgadinhas e de um incômodo chato para comer, bocejar, escovar os dentes etc. Vou sobreviver.

Para compensar, MUITO sorvete! Bom, se eu pudesse escolher então o sabor do meu beijo agora seria... tchan tchan tchan TCHAN... de chicabon com côco - duas bolas. Bem gelado. Delícia!

Sunday, 12 April 2009

homem primata


Eu tinha uns oito anos. Estava com minha mãe esperando um ônibus no terminal do mercado público. Vi um senhor me olhando. Era o pipoqueiro. Lá de sua barraquinha ele me fitava e isso me chamou a atenção. Eu olhei e, lá pelas tantas, ele colocou a língua para mim, mexendo-a de cima para baixo em movimentos repetitivos. Respondi mostrando a minha língua para ele. Não entendi o gesto dele, suas intenções, mas não senti uma energia positiva em seus olhos e comentei com minha mãe. Quando ela se virou, ele parou.

Não lembro por que estava chegando atrasada ao colégio. Tinha 13 anos. A rua estava deserta e um homem vinha na minha direção. Cruzamos no meio da quadra, a uns 30 metros da porta principal da escola. Quando ele estava passando bem ao meu lado, chamou minha atenção ao falar alguma coisa. Não parei de andar, mas olhei para ver o que era. Ele se movimentava como se estivesse sentindo alguma coisa ruim, sofrendo. Estendeu a mão na minha direção e na sequência já colocou a outra dentro das calças e começou a se masturbar ali mesmo. Saí correndo assustada e contei na secretaria o que tinha acontecido. O cara não estava mais lá.

Já faz um tempinho, cheguei no ponto de ônibus em frente ao Rio Sul. Eram 22h30min aproximadamente. Fiquei ali alguns instantes até perceber que duas adolescentes próximas a mim olhavam para dentro de um táxi estacionado no lugar onde os ônibus param para pegar os passageiros. Elas riam, incomodadas, mas continuavam ali. Meu olhar curioso seguiu o delas e o que vi foi a mão do motorista deslizando sobre seu pênis ereto dentro do carro. Não consegui ver o rosto do sujeito. Saí dali na hora e logo em seguida veio minha condução.

Fiquei me perguntando o que mantinha aquelas meninas ali - curiosidade, desejo, tesão? E o pior: constatei o quanto vulnerável podemos ser ao entrar num veículo desses, que presta serviço público. Um perigo! E o velho tarado da pipoca? Um nojento sem vergonha atiçando uma criança. O que leva os homens a agirem assim? Eles perdem a razão e nos invadirem com essa falta de controle de seus instintos sexuais. Desconheço tal poder no comportamento feminino, tal abuso.

Já vi mulheres em situações vulgares, feias, over (normalmente estimuladas por um alto teor alcoólico), mas nada se compara à capacidade masculina de abordagem sexual. Um exemplo: nós podemos até elogiar um homem bonito e gostoso que passa pela gente na rua, falar alguma gracinha, mas dificilmente vamos passar a mão na bunda dele! E, ao contrário dos homens, fazemos isso mais quando estamos em bando. Sozinha é muita ousadia.

Acho elogios sempre bem-vindos, mas com moderação. Não tem o que me enoje mais do que aquele homem que se aproxima de ti na rua e consegue fazer com que só tu escutes o absurdo que ele tem a te dizer: verbos intencionais e partes do corpo feminino no diminutivo. E quando olham com desejo para crianças inocentes? Vi esses tempos um cara flertando na Glória uma menina que, na boa, não tinha nem dez anos!

Um alerta para os pais: se liguem! Fiquem MUITO atentos com seus filhos. Não deixem ninguém ter contato muito íntimo com crianças. Elas são indefesas e não têm a maldade própria dos adultos. Se acontecer algo, pode ser que nem perceba o que está acontecendo e só vá saber o que aconteceu depois, quando crescer. Tarde demais, talvez, para poder se dar um corretivo num criminoso desses.

Criar cidadãos sagazes, espertos, contra esse tipo de comportamento animal é o objetivo e a solução. Melhor prevenir. Quando tiver meus filhos, vou ser a mais chata com isso. Não vou deixar se repetir episódios tristes como os que ocorrem por aí todos os dias, com muito mais gente do que se imagina.

Saturday, 11 April 2009

nunca abandonar


Família é nunca abandonar. Trazemos e levamos com a gente os genes, a educação, um estilo de vida adquirido, intrínseco. Temos conosco essa bagagem.

É difícil desfazer esses laços. E bom seria se nunca fosse necessário, que tudo fosse azul sempre, mas não é. A convivência é um exercício de tolerância. Há desgastes, picuinhas, implicâncias, mas na base era para ser amor. E é, até as diferenças sobressaírem-se e os rumos seguirem distintos.

Não há culpa, acontece. Relacionamentos são assim - começam, acabam... recomeçam, ou não. Por que com a família não seria igual? Por obrigação de se estar junto, de se gostar, de viver uma união que muitas vezes é somente imposta por sangue e tradição? Não concordo.

Tenho outra visão menos romântica. Para mim, família a gente escolhe. Acabamos atraindo para perto quem a gente quer, e gosta. Afinidade é fundamental. Gratuita. Não adianta insistir quando não é natural, quando não faz sentido e não é quisto.

Devemos estar rodeados de energias boas, de quem nos ama e nos quer bem. Quem não quer, mal nos quer, que fique longe. Sem insistência, força, interesse. E outras possibilidades de junção podem acontecer, para o bem. Então se formam outros parentescos.

Não falo em negativas, em portas fechadas, em cortes perpétuos. O tempo é o senhor do destino e só ele tem o poder de reverter situações, amenizar problemas, oportunizar reencontros, trazer paz, e o amor de volta, quem sabe. Nada é impossível, irrevogável.

Dentro de nós , lá no fundo, temos a mesma essência, e isso é o que vale. Hoje pode não fazer sentido algum, mas amanhã nunca saberemos. E assim a vida pode se renovar. Colamos em pessoas, e somos mutáveis, bem como nossos sentimentos. Tudo pode acontecer – depende de nós.

Mas uma coisa e certa: seja com quem for nossa vivência, as características serão as mesmas - os erros e acertos, as cobranças, expectativas, o eixo. Há só uma transferência, para onde há semelhança e razão de ser. Os vínculos serão sempre os mesmos, seja com quem for.

Tá no pacote!

Friday, 10 April 2009

avassaladoras


Sexta-feira da 'paixão'. Como não sou católica e o nome do dia é sugestivo, vou versar sobre a importância desse sentimento em minha vida, e nas nossas, de maneira geral.

Adoro quando vejo alguém e pronto: bate! Ideal quando rola aquela química, uma sintonia pura, quando é recíproco e sentimos que é para valer. O olho brilha, a gente quer mais, e já é! Tomou conta. Amor à primeira vista? Acredito. Acontece comigo.

Por que duvidar, desistir? Por que não se entregar ao inevitável? Confio em meus instintos, e arrisco. Me jogo. Atiro-me de cabeça e vou fundo, convicta. Permito-me, vou sem medo. Se erro, relevo, aprendo, sigo em frente, e não desisto. Sei recuar quando necessário, mas admito não querer ter essa certeza, embora ela venha racionalmente. Nomal. Não há arrependimentos.

A vontade rege o mundo, já dizia Schopenhauer. E eu quero muito achar alguém com quem possa dividir meus momentos, somar planos, multiplicar sonhos e diminuir a solidão de uma carreira solo. Tão bom e necessário ter um benzinho, fazer amor, ter alguém para cuidar e que tome conta da gente. Já vivi isso e quero bis - intenso, verdadeiro, enquanto dure.

Vivo me apaixonando. E isso não se dá exclusivamente nas relações homem-mulher. Sou uma pessoa que aprecio as pequenas grandes coisas dessa vida. Sou uma contempladora do belo, uma 'flâneur' nata. Valorizo o que acho bom, elogio, prezo, cultivo, invisto.

Gosto de vento no rosto, balanço da rede, ondas do mar, cheiro de verde, sorriso de criança, beijo na boca, abraço apertado, dormir com barulho de chuva, dançar a dois, ser conquistada. Muitas coisas? Com certeza! São tantas as possibilidades na simplicidade contagiante do mundo, da natureza, das pessoas, relacionamentos, dos gestos, palavras, sentimentos.

Bom encontro é de dois. Felicidade não é nada se não temos com quem compartilhar. E encerro com ele, em Tom maior: “Fundamental é mesmo o amor / É impossível ser feliz sozinho... / O resto é mar / É tudo que não sei contar / São coisas lindas que eu tenho pra te dar / Vem de mansinho à brisa e me diz / É impossível ser feliz sozinho...”.

Thursday, 9 April 2009

se você fosse sincera / ôôôô / Aurora...


Por que as pessoas mentem? Pensei em escrever sobre isso no primeiro dia de abril, mas preferi não. Deixei amadurecer um pouco mais as idéias na cachopa para então poder abordar melhor o assunto.

Tive na minha pré-adolescência uma amiga muito próxima que inventava pequenas mentiras. Aos poucos todos que conviviam com ela perceberam. E é bem assim que acontece, aos poucos. E então um belo dia um conta pro outro algum fato de que desconfiou e a verdade vem à tona: "Fulana mente". E hoje a história se repente, (re)inventada.

Mas quais são os motivos que levam uma pessoa a viver numa fantasia (aceitação social, vergonha da realidade, fraqueza, auto-estima baixa etc.)? Na verdade o que mais me assombra é a inocência de quem mente em supôr que as pessoas desconhecem esse comportamento dela, ou ignoram, e perdoam.

Vamos falar sério: ninguém é obrigado a conviver com alguém em quem não consegue confiar. Como ficar tranquilo duvidando de uma pessoa que está ao teu lado, sem nunca saber quando alguma coisa dita é verdade, ou não? Lá pelas tantas, e no fim, acabamos achando que tudo é mentira! Isso não é bom. Perde o respeito.

Comigo acontece o contrário, peco por sinceridade. Já me dei tão mal assim... Sou sempre eu que acabo revelando alguma coisa a alguém, dizendo a verdade (e por vezes, a quem não deveria). Aprendi que muita gente não merece minha honestidade, meu carinho, minha consideração. Há pessoas que não estão prontas, não sabem como lidar com o real, e que preferem ser enganadas, viver de omissões, segredos, meias-verdades.

É preciso considerar isso. Vou tentar daqui pra frente agir assim, prometo. Se vou ter sucesso, duvido, não vou negar! Penso ser a verdade o melhor caminho, que alumia e dá o rumo certo à vida - às claras, sem erro. Não me arrependo de nada, mas se faria igual novamente, já não sei. E me questiono sobre a covardia daqueles que se omitem diante tamanha farsa.

Wednesday, 8 April 2009

esta eterna falta do que falar


"O papel está hoje com uma abominável falta de imaginação. Continua apenas, olhando-me: vazio, mais quadrado do que nunca."Mário Quintana

Nesses versos o poeta foi excelente ao retratar a falta de conteúdo, fato que permeia e assombra quem escreve. Acertou e exprimiu de forma clara como nos sentimos quando não sabemos por onde começar, que caminho seguir.

Não, não estou sem saber sobre o que escrever. Tenho brainstormings diários de idéias para o blog (e para minha vida em si, para os programas que coordeno a produção e dirijo, para as assessorias que faço), mas às vezes só me pergunto como pôr em prática, ou simplesmente quando.

Existem temas que têm uma sazonalidade, precisam de uma oportunidade, ou fato recorrente para serem melhor 'linkados' com a atualidade, as tais efemérides... outros já são atemporais. Agora, é difícil começar a primeira linha, decidir o que vem primeiro, quais as prioridades, interesses. É importante ter calma ao organizar as idéias para então pautá-las, despejá-las no papel, dividi-las ao telefone, colocá-las na tela para o público.

Há, no entanto, uma falta do que falar que me irrita profundamente, e nada tem a ver com escrever/produzir/dirigir. Refiro-me àquelas pessoas que não sabem ficar quietas, que são inoportunas e falam qualquer coisa somente para agradar, na falta de algo melhor a dizer. Essas figuras não pensam antes de soltar qualquer abobrinha numa mesa de bar, reunião, num encontro de amigos, em meio a um papo-sério, ou interrompendo um silêncio calmo e confortante.

Tenho sorte. Posso dizer que não convivo com muita gente desse naipe, mas as que conheço já são suficientes. Fico me questionando se não há jornais, livros, revistas, programas interessantes em tv, sites que não possam enriquecer essas mentes vazias e recheá-las com informações bacanas. Quase sempre penso que um curso ou faculdade ajudariam. Para mim não é estanho ser uma cabeça pensante, um cérebro em pleno funcionamento, pronto para colaborar a meu favor, e dos outros, uma fonte de (boas) idéias. Será que sou só eu que penso nisso?

Não é raro eu mesmo fazer uma auto-reflexão a respeito. Reflito sobre os tantos momentos desperdiçados com outras coisas mais supérfluas, quando poderia estar absorvendo mais conhecimento. Há meses já sei o que quero fazer de projeto para meu mestrado, por exemplo, mas não o escrevo. É a falta de tempo, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo aqui e agora que me atrapalham e me distraem desse meu objetivo.

São infinitas fontes de informação, muita coisa a ser dita, falada, escrita, organizada na cabeça, no mundo das idéias, no coração. É todo sentimento, expressão, razão, saber, não-saber, querer, gostar, tentar, provar, experimentar, ousar. E assim passam-se os dias, as noites... Mas não parecem suficientes. Como?

Pelo menos aqui vou deixando meus registros, numa avalanche de devaneios. Não sei se pela despretensão, mas esses eu consigo. Qual será o próximo? - sempre durmo com isso na cabeça.

Tuesday, 7 April 2009

a arte de saborear com gosto


Desde o dia que ouvi, nunca mais consegui esquecer tal relação: sushi e sexo oral na mulher. Um convidado do programa, obcecado por tal prática, trouxe essa questão à tona. Mas teria comida japonesa a ver com cunilíngua? Ele afirma que sim. Diz que chupar uma mulher é como se deliciar com sushi/sashimi, e que no início se estranha um pouco, mas que depois se quer toda a semana!

Que mulher em são consciência e saúde sexual não gostaria de ser apreciada dessa forma, ter seu sexo devorado por um homem faminto, que saliva só em pensar de tocar seus lábios, sua língua naquele tesouro gastronômico? Para quem não gosta da culinária oriental, meu lamento!

Para quem não sabe, os indianos não são os únicos orientais quentes, que abordaram o sexo de maneira a beneficiar o prazer dos casais. Os japoneses retratam seu erotismo através das Shungas desde o final do primeiro milênio. Aí esta uma informação avessa aos comentários maldosos que põem em xeque a virilidade dos homens da terra do sol.

Na arte do sexo, há muito mais que se possa fazer além-penetração, e todas as mulheres sabem bem disso. Tenho certeza que diversas gueixas estão por aí, e não só no Japão, prontas para a arte de amar, esperando seus samurais (e suas espadas) traçarem nelas seus objetivos. Espertos são os mestres nessa arte. E aí, te apetece?
*Está certo:
Vamos fazer ainda em abril uma matéria para o Zona Quente sobre sushi erótico no Carmen's Club, em Porto Alegre. Lá vou explorar com certeza essa teoria, saber o que os gaúchos pensam a respeito e se gostam ou não da coisa. Não sei ainda quando vai ao ar, mas provavelmente em algum sábado de junho (às 22h no Sexy Hot). Preparem-se e bom apetite!

Monday, 6 April 2009

o pisante


Quando perguntamos a um homem para onde ele olha ao se interessar por uma mulher, não há surpresas. Falta criatividade e sobra instinto. Agora, no que as mulheres reparam nos homens?

Tenho uma amiga que olhava para os pés deles. Ela sempre disse que os homens são o que calçam. Minha primeira reação foi rir. Achei graça e nem liguei muito para isso. Passado algum tempo, faço igual!

Sem cerimônia, dou uma conferida básica no calçado dos sujeitos que me agradam. É a segunda coisa que olho. Vou de um extremo ao outro em dois segundos. Muito engraçado.

Traço um perfil da personalidade da pessoa pelo o que está usando nos pés. Para mulher já seria diferente, eu acho. Homem é mais basicão, tem pouca variedade de tipos de sapatos e não é difícil adivinhar o que faz, do que gosta, só considerando essa peça do vestuário.

Pezinhos femininos são sempre um forte atrativo quando envoltos numa bela sandália. Uma mulher ganha um porte mais nobre quando está com uma bota. Sendo assim conosco, como os homens podem ignorar que em seus pés está uma forte arma de sedução?

Já me desinteressei por pretendentes pela sua falta de bom gosto na escolha do 'pisante'. Comecei a perceber que um mocassim, por exemplo, revela uma faceta da pessoa que não me agrada. Já alguns sapatênis fazem eu gamar na hora!

Par de tênis para correr, sapato social em evento, sandálias no calor, pés descalços para sentir a natureza... No meu caso o sapatinho de cristal pode ser tão diferente, depende de quem o usa. Nem me procupo: para todo pé torto tem sempre um chinelo velho.

Só espero que depois da meia noite o príncipe encantado não vire um pé rapado!

Sunday, 5 April 2009

à mercê!


Sexta-feira, 22h40min.
Estávamos chegando já atrasadas para um show. Éramos duas mulheres terminando de estacionar o carro na rua. Dois sujeitos bem-vestidos vêm em nossa direção. Um segue e o outro, numa atitude inesperada, começa a puxar assunto querendo saber sobre o evento que tinha na "bolha" aquela noite. Respondi que não sabia, sem dar muito papo, mas não deixando de ser simpática com alguém que pede uma informação. Quando estávamos as duas prontas para nos dirigirmos ao nosso destino, ele pede R$10. Na hora que ele parou ali parecia que eu já estava prevendo que ele era (ou se passaria por) um flanelinha.

Apesar do valor absurdo, iríamos pagar, mas na volta - por ser mais o correto. Ele não aceitou. Insistiu que adiantássemos a grana e perdeu a razão quando passou a se colocar de maneira intimidadora contra nós duas. Diante de tantas esquivas nossas, agiu como a maioria dos homens faz ao serem contrariados por uma mulher: tentou nos ganhar pela força. Não amoleci. Estava determinada a convencer o sujeito de que ele não estava certo.

Nervoso e indignado, ele começou a ser irônico e então nos aconselhou a deixarmos o carro ali então, se achávamos que estávamos tão certas e seguras. Foi uma insinuação de que haveria retaliação. Mesmo assustada, mantive a calma, mas retruquei (na classe). Pedi desculpas e avisei a ele que ele não tinha o DIREITO de nos cobrar, e daquele jeito opressor! Me vi na obrigação de lembrar-lo que ele não era o dono da rua, e que estava agindo de maneira errada conosco. Sabia que ali era o limite da boa educação.

Afastamo-nos um pouco para debater se íamos nos dar por vencidas, embora já estivéssemos convencidas de que a melhor solução seria tirar o carro dali. Quando retornamos à vaga, o indivíduo não estava mais ali. Outro guardador que se aproximou durante a discussão avisou-nos que o mala tinha ido para a boate inflável que fica ali nas proximidades (a tal "bolha"). E então nos sugeriu que retirarmos o carro dali, alertando uma provável vingança contra o veículo na nossa ausência.

Ao saber que o infeliz tinha ido para outro lugar, fiquei ainda mais furiosa! Além de criar toda aquela situação DESAGRADÁVEL, mesmo se tivéssemos dado a ele o dinheiro, ele teria ido embora e não iria cuidar do carro coisíssima nenhuma. Seriam os dez pilas mais fáceis de se ganhar nesse mundo! O lugar não colabora, é de difícil acesso. A entrada de veículos ali é restrita a carros e táxis, o que impossibilita chegar de ônibus/van, ou qualquer outro transporte coletivo. A rampa para acesso de quem chega a pé ou de condução é perigosíssima!

Obviamente tiramos o carro dali e o colocamos em outra vaga mais afastada, mas segura, e inacreditavelmente sem flanelinhas. Se por acaso algum tivesse surgido também, acho que o perfuraria só com o meu olhar! - com aquelas faquinhas que saem dos olhos, sabe?! Fiquei me perguntando sobre o posicionamento da casa de shows para onde estávamos indo, se eles não poderiam interferir nisso, padronizando o estacionamento da rua com gente credenciada deles, além de oferecer o serviço de manobrista - todas as possibilidades seguras, para todos bolsos.

Outra amiga, com quem combinei de ver o show, ligou preocupada. Já eram 23h30min e ela achava difícil conseguirmos entrar aquela hora. Éramos convidadas e a produção do evento lá pelas tantas encerra os trabalhos. Dito e feito: ao chegarmos na recepção já não havia mais como pegarmos nossos convites. Queria matar ou morrer! Não estava acreditando que perdemos o show em função daquele bandido. Alex era o nome dele (ou pelo menos o nome que ele DISSE ser dele).

Gostaria de nunca mais passar por situação dessas, e que outras pessoas também não tivessem esse desgosto. Não éramos pagantes, mas se tivesse comprado os ingressos a R$ 60 cada (os mais baratos - podendo variar até R$ 100) e não pudesse entrar em função do horário, processaria o lugar, a prefeitura (seja-lá-quem-for!) por ter sido lesada financeiramente, ainda mais do que fomos moralmente.

Depois do ocorrido, fiquei pensando em como nós mulheres estamos à mercê de gente mal-intencionada. Tenho certeza que seria diferente se o Alex tivesse negociando com homens. O que me incomoda é o quanto ficamos tanto 'vendidas' em situações como essas em que somos abordadas desse jeito por homens que querem nos impor medo para ter vantagens. Naquele momento se não fosse a minha teimosia teríamos sido roubadas! E fomos, veladamente. Ele nos abordou, reagimos, e ele desistiu.
Viva a força das mulheres!

Saturday, 4 April 2009

macaca


Assim sempre fui chamada. Todos somos, na verdade. Não tem jeito! Desde a infância, os gremistas insistem em nos apelidar desta maneira pejorativa. E isso acontece ainda hoje, mesmo com a (in?)consciência de ser esse um termo politicamente incorreto e infeliz.

Hoje é centenário do colorado campeão. Motivos temos de sobra para comemorar, para se orgulhar - dos anos de aperto aos momentos de glória. Confesso que não sou a torcedora mais fervorosa (nunca fui), mas fico chuleando sempre para meu time ganhar. Normal. Posso dizer que com a exceção do meu tio mais novo e de minha irmã, minha família toda é colorada. Meu pai é gremista, mas não é dele a minha referência de futebol.

Em minhas lembranças de menina tenho as ruas do Menino Deus tomadas por quem estava à caminho do Gigante da Beira-Rio, as torcidas organizadas que passavam em frente ao meu prédio e me faziam correr para a janela, o canto do bêbado do bairro que antecipava as partidas e só voltava a se ouvir (caso o Inter ganhasse) na terça feira - era o tempo de ele se recompor do trago e voltar à ativa feliz da vida *(fiquei curiosa agora para saber se ele ainda (r)existe... vou perguntar à minha mãe amanhã com certeza!), a memória do estádio dos Eucaliptos, uma maré vermelha e branca gritando "Ah, eu sou gaúcho!".

Não sei se tive uniforme quando bebê, então creio que minha primeira camiseta do Inter tenha sido a que eu ganhei do Fedê quando eu tinha uns 12 anos, e que tenho até hoje. É uma relíquia dos anos 80, que tem meu número da sorte estampado nas costas, oito. Ganhei a segunda do meu padrasto nesse verão (a prova de que nunca fui muito ligada nisso) - uma regatinha bem transada que é um híbrido moderna-retrô. Tive alguns acessórios nesse meio tempo, claro - meias, ímãs e chaveirinhos com o mascote do time (o simpático saci), etc.

Todas as minhas casas sempre tiveram símbolos indicando que ali morava uma colorada feliz. Hoje tenho em cada cômodo pelo menos um brasão do timão. Para minha surpresa (e alegria da família), ando bem a fim de investir mais num guarda-roupa colorado e em outros souvenirs.

A rivalidade entre Grêmio e Inter é uma das maiores do mundo. Para se ter idéia, Porto Alegre é o único lugar do país onde se vêem bandeirinhas azuis do PT em época de eleição, símbolo do Banrisul em vermelho e da Coca-Cola em azul. Ninguém entra de azul no Beira-Rio e de vermelho no Olímpico. Recordo dos nostálgicos "conflitos" moquenses entre as fámílias Freitas (gremista) e Lima (colorada) em dias de Grenal que ecoavam pela vizinhança.

Hoje, minha nova família aqui no Rio é composta por uma maioria de gaúchos, e adivinhem?! São todos super fanáticos por futebol! - o que faz com que nunca se percam os laços, a paixão e a implicância com o Grêmio. Tem coisas que são culturais e difíceis de compreender. Uma delas é justamente essa bipolaridade da tradição gaúcha. Lá é 08 ou 80, Chimango ou Maragato, PT ou Anti-PT, Inter X Grêmio.

As pessoas aqui no Rio não entendem... acham que a rixa entre o Flamengo e qualquer um dos outros três grandes times daqui se compara ao que acontece no Rio Grande. Sem noção. Acho engraçado quando às vezes me perguntam para qual time carioca eu torço. "Sou colorada", retruco. Garanto que a resposta seria a mesma tratando-se de um gremista. Podemos até simpatizar com algum time local, mas não tem essa de trocar de time ao se mudar de cidade/estado/país/planeta. E não teria como ser diferente: meu time é 'internacional' MESMO, ganhou todos os compeonatos possíveis para um time brasileiro.

Podem gastar o quanto quiserem por aí em cartões de crédito, mas ser um colorado feliz e orgulhoso, não tem preço!

Friday, 3 April 2009

coisas da vida


Gravei hoje uma entrevista para o Zona Quente com a diretora da Ong Davida, Gabriela Leite. Um dos assuntos com o qual passei a me interessar trabalhando com o tema sexo (nesses quase quatro anos coordenando a produção e dirigindo as gravações dos programas do Sexy Hot) foi justamente a descriminalização da profissão mais antiga do mundo.

Ser prostituta, michê, atriz ou ator pornô e outras atividades relacionadas ao sexo, ao meu ver, deveria ser legalizado, e isso implica ter todos seus direitos e deveres previstos, como qualquer outra atividade regulamentada. É um assunto delicado sem sombra de dúvida, mas acredito que é uma hipocrisia não querer se discutir isso num país em que a procura gera a oferta.

Somos visitados por turistas de todo o mundo não somente por nossas belezas naturais. Muitos estrangeiros vem ao país à procura de garotas(os) de programa. Nem estou entrando aqui em questões piores como exploração sexual de menores (o lado mais negro disso tudo).

Defendo somente a instituição de algo tão comum, tão presente, tão lucrativo e que lida com questões de saúde pública - ou as pessoas vão ignorar até quando que a AIDS ainda não tem cura e vem contaminando milhares de brasileiros?! Só para constar: dados provam que cresce a cada ano o número de mulheres casadas infectadas por DSTs, o que coloca em xeque questões como a monogamia e a fidelidade.

De acordo com dados do Programa Municipal de DST/Aids de Campinas, por exemplo, em 1987 para cada 15 homens infectados havia uma mulher. Em 2007, a diferença entre os sexos caiu para 1,5 homem para cada mulher. Isso não deixa de estar relacionado ao fato de o governo negligenciar essa questão.

São feitas campanhas voltadas aos profissionais do sexo sim, mas só campanhas não é o suficiente. Se um médico erra no exercício de sua profissão e mata um paciente ele é punido. Acredito que não poderia ser diferente com os profissionais do sexo. Deveria ter um controle severo para isso, assim como há na indústria pornográfica - quem tem alguma coisa está fora! São feitos testes regularmente, e por isso ainda vemos filmes sem preservativos.

Assisti esses tempos a um documentário incrível no GNT sobre a vida e carreira de Sharon Mitchell, ex atriz pornô, diretora da Fundação de Assistência Médica à Indústria Adulta. Ela deu início a esse trabalho preocupada com saúde e desamparo desses profissionais. O mesmo aconteceu aqui, em outro setor, com a Gabriela Leite, que está à frente da Davida, amparando as prostitutas brasileiras.


Todos precisam de instrução e de apoio, cada um na sua área. Que bom que existem pessoas engajadas nessas questões da vida.
*Assistam:
A entrevista vai ao ar no sábado, dia 16/05 às 22h no Sexy Hot.

Thursday, 2 April 2009

desabafo


Estou adorando ter um blog. Há muito tempo tinha pensado em criar um, mas confesso que sempre acabava adiando por achar ser possível faltar conteúdo para abastecê-lo. Besteira! Procuro não pensar no tempo perdido e gastar minha energia no material que irei escrever.

Me veio agora à cabeça a possibilidade de ter dado esse start (mesmo que tardio) porque eu infelizmente dei um tempo de minhas correspondências à mão, parando com a 'terapia das cartas'. Sinto-me em dívida com os amigos que ficaram em "silêncio" por algum tempo, mas espero que eles possam saber mais de mim, do meu mundo através do 'mula ruge'. O título, inegavelmente, é uma paródia ao 'Moulin Rouge'. Achei que tinha tudo a ver com meu atual momento, uma realidade de conotação sexual intrínsica (eu querendo ou não), porém profissional. O furor, porém, deu-se pela tradução tosca que comtempla justamente a real função desse site: gritar ao mundo!

"Deixa eu dizer o que penso desta vida/Preciso demais desabafar" - ontem quando ouvi esse refrão no show de lançamento do último trabalho do Marcelo, no Jockey, soube que seria justamente esse o tema da postagem de hoje. Escrever sempre foi meu forte e isso ficou adormecido em mim mais tempo que eu mesmo desejei. Ter criado o blog foi como aliar a necessidade ao desejo de comunicar, ou, em dito popular: juntou a fome com a vontade de comer!

É espetacular o jeito que as idéias tem se apresentado e o modo que têm me interessado desde que abri esse 'canal'. Agora tenho meu próprio veículo de comunicação e todas as responsabilidades que isso implica. Sou 'dona do meu próprio nariz jornalístico', com direito a divagar, exteriorizar, editar, divulgar meus pensamentos, devaneios. Fico atenta a todos os detalhes envolvidos: desde a escolha do título até qual imagem ilustrará o texto do dia, passando por questões como quando vou publicar, qual a melhor forma de exprimir clara e objetivamente aquilo que penso, sem prejudicar ninguém (nem a mim mesmo).

Todas essas são preocupações minhas nesse meu momento delicioso, de puro êxtase, de satisfação pessoal e auxílio à labuta - porque, ao meu ver, nenhum jornalista é completo sem se expressar pela palavra, seja como for nas infinitas possibilidades de passá-la adiante. Admiro aqueles que buscam esse caminho em suas trajetórias.

Posso dizer que o líder do extinto Planet é um desses figuras que merecem ser ouvidos. Ele tem seus méritos! Ontem ganhou o público pelo carisma e competência. Sua boa música é a prova de que uniu forças musicais distintas com sucesso. Super bem-relacionado no meio musical, mostrou que ainda vai fazer muita arte com seu barulho e que consegue segurar legal por cerca de três horas um espetáculo dançante estilo 'balada' só com gente (bonita e) exigente na platéia. Gostei muito. Quero mais.

Tão bom poder dizer o que sou afim, assim, livremente, do meu jeito. Era tudo o que eu sempre quis: ter esse espaço, essa oportunidade de apresentar um pouco mais de mim, tal como eu sou, sem igual! *(aliás, qualquer semelhança entre a imagem do D2 e a pic minha irada no topo do blog é mera coincidência!).

Wednesday, 1 April 2009

ela é carioca


Se eu já sou uma carioca? Quase isso. Ouvi esses dias que Ruy Castro escreveu em Carnaval no Fogo que somos todos cariocas, só que alguns nasceram longe de casa. E é por aí mesmo! Impossível não se apaixonar e adotar esta cidade maravilhosa, que te recebe tão bem, como lar. Mas trata-se de uma transição lenta, considerando que trouxe comigo uma bagagem de mais de duas décadas de uma cultura muito forte (tchê!), e da qual me orgulho.

Hoje, já são cinco anos e alguns meses de praia. Passou rápido. Uma das primeiras coisas que eu reparei ao me mudar para cá, é uma besteira, mas me marcou muito e me fez analisar todo um jeito de ser 'carioca': aqui as pessoas dizem que vão ligar e não ligam. Foi a primeira impressão que ficou. Hoje eu já absorvi esse comportamento e nem percebo mais quando isso acontece, e pode até ser que eu dê o 'perdido' vez que outra em alguém também, sem querer.

Mas o fato é que no começo me incomodava e eu não entendia o porquê dessa dificuldade em dizer a verdade, um não, ou somente não dizer nada numa despedida, por exemplo - apenas 'tchau'. Aos poucos aprendi que o "eu te ligo" daqui é como um "até". E para um típico carioca, dizer isso não significa em absoluto uma obrigação (ou vontade) de entrar em contato com o outro depois. No mínimo interessante, né?!

O que já entendo hoje é que o carioca é extremamente cordial e uso justamente esse adjetivo não por acaso, mas referindo-me ao texto de Sérgio Buarque de Hollanda, que versa sobre essa característica do povo brasileiro. O Rio foi a capital do Brasil até 20 de abril de 1960. Foram muitos anos como a cidade mais importante do país, cenário de acontecimentos históricos. Trata-se de tempos marcantes, que influenciaram inclusive o comportamento daqueles que aqui viviam e criaram o conhecido 'jeitinho' para driblar problemas, dificuldades, e manter a política da boa vizinhança para não se dar mal. E foi aí que acho que essa mania louca de informalidade, de "deixar no vácuo", nasceu.

Os gaúchos são os mais europeus dos brasileiros e, por isso, mais radicais, mais secos. Dizemos (e ouvimos) mais 'não'. De onde eu vim, se alguém diz que vai fazer alguma coisa é porque vai e quer fazê-lo (por mais que demore), se não, não diria nada. Por isso não consigo entender como alguém diz que vai ligar e simplesmente não liga. Não estou aqui entrando no mérito de julgar o que é certo e errado, quem é melhor, ou mesmo apontar defeitos. O objetivo é discursar sobre diferenças e qualidades que se destacam, que me atentam.

Um fator determinante para mim nessa nova vida é o calor. Aqui as pessoas se encontram na rua, na praia, não precisam marcar de se ver porque se encontram 'por aí'. Com o frio a tendência é de se entocar. Ninguém fica perambulando a quatro graus sem saber se vai ou não encontrar os amigos, por isso combinam, marcam de se ver e assim as pessoas acabam indo mais uma na casa das outras.

Outra curiosidade ligada a fatos históricos descritos por Gilberto Freyre em Casa-Grande & Senzala é que no sul (como todos aqui chamam qualquer lugar de São Paulo para baixo) não se tem a cultura de algumas profissões que vemos com frequência no cotidiano carioca - babás, motoristas, porteiros, personal dogs, etc. Pode ser que a segmentação da 'porta de serviço' venha da grotesca diferença social existente, resquício do Império (mais ainda... de um período colonial desleal e desumano).

No Rio, é comum esse costume de se ter empregados, de querer se manter aparências e, portanto, se casar, além de se evitar dizer não para que portas não se fechem. Deixo claro que 'manter aparências' nada tem a ver com uma mania provinciana porto-alegrense típica de se julgar as pessoas pelo o que vestem, ou algo do gênero. Aqui no Rio se vai de calça jeans em casamento e se anda de ônibus em trajes de banho. As pessoas não se arrumam muito para nada simplesmente porque suam, porque uma torção de pé em pedrinhas portuguesas num salto altíssimo significa fratura exposta, porque aqui é tão cosmopolita, são tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que o glamour acaba ganhando outro charme - o da naturalidade, sem deslumbres.

Quantas celebridades podem comparecer a uma festa, ser vistas no shopping, estar na praia, de noite no baixo, ser seu vizinho, amigo, colega de trabalho, amante, afim? Quando me mudei pude ver, sentir e viver na vida pessoal e, profissionalmente, como a terra de política, esporte, teatro, estúdios de rádio, cinema e televisão, valoriza as pessoas.


É um rio de possibilidades, não me canso de dizer orgulhosa. Sempre quando fico triste, com saudades, lembro logo que aqui as coisas acontecem facilmente, que a natureza está à nossa volta e o passado nas ruas de um 'Rio Antigo'. Sou muito sortuda mesmo, afinal "da janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo!". Eu? Quero a vida sempre assim.
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  • ande mais com os pés descalços
  • antene-se
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  • conheça novas culturas
  • cuide-se com carinho
  • dance sem vergonha
  • diga mais 'sim' do que 'não'
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  • dê atenção às pessoas
  • entregue-se ao que ama
  • escreva cartas à mão
  • estude outras línguas
  • exerça a tolerância
  • exercite-se
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  • movimente-se
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  • peça bis quando é bom
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c'est fini!